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terça-feira, junho 13, 2017

As boutades de Passos Coelho são os ossos de que os caniches da comunicação social gostam de ir, acefalamente, atrás.
[Parafraseando o ilustre láparo: uma vergonha para quem diz e outra igual para quem diz que ele disse]



Esta segunda-feira em Lisboa, metade das pessoas esteve de férias. Trabalhar assim é uma maravilha. Pouco trânsito, uma calmaria por todo o lado. De tarde tive a sorte de estar numa reunião numa sala envidraçada de frente para o rio. Estava a falar e a ouvir argumentar sobre temas relevantíssimos para o futuro da humanidade e, discretamente, vendo os veleiros e os passeadores que por ali caminhavam. Constato frequentemente que tenho uma grande facilidade em mudar de registo interno e, assim foi que, por um mecanismo de transposição mental, quase me sentia ali a passear, a sentir a aragem, a aspirar a maresia. E, no entanto, estava uns belos andares acima da linha de água, ocupada a discutir cenários, cada qual mais arriscado que o outro. Mas, por dentro, oh sim, sim, a desfrutar o azul fresco das águas do rio e o azul limpo do céu. Só espero que nunca se invente maneira de ler os pensamentos dos outros. Imagine-se que, na parede atrás de mim, passava o descritivo dos meus pensamentos. Dava cabo da seriedade da situação. Haveriam de dizer: 'É o que dá a gente meter-se com mulheres'.

Mas pronto. Uma maravilha de tempo e de cidade.

Consegui sair mais cedo. Fui ao supermercado. Comprei entrecosto e legumes. Estufei legumes e coloquei o entrecosto -- temperado com sal, alhos laminados, alecrim e azeite -- no forno a 110º e fui caminhar para um parque frondoso enquanto a carne ficou a assar.

Quando chegámos, estava a paparoca feita. 


E agora que cheguei ao meu sofá de estimação fui espreitar as notícias e o que vejo é que as boutades rançosas de Passos Coelho são o fuel que alimenta a pasmaceira pré-estival.

O láparo saíu-se com uma daquelas suas abardinices*, em que revela não ter memória, não ter vergonha na cara, não ter inteligência e não ter respeito por quem o ouve e, de imediato, a comunicação social em peso pega naquilo e faz debates, notícias breves, notícias longas, reportagens, entrevistas. A sério. Parece impossível mas é verdade: o láparo brinda os correlegionários com uma defecação em três actos e a comunicação social rejubila -- o dia está feito!


Se sujeitarmos aquela atoarda do láparo sobre o tal vogal para a TAP (aquela em que ele se refere à nomeação como uma nódoa e como uma vergonha) a uma análise silogística, chumbará em toda a linha. Aliás não passará nem dos pressupostos. Não há ali raciocínio que funcione. Se o homem, o tal Lacerda Machado negociou ao serviço do Estado e agora foi nomeado pelo Estado, não há conflito de interesses, haverá é consistência na defesa de interesses (do Estado). A bem da sanidade mental de quem o ouve, aquele láparo devia receber explicações de lógica. Claro que antes teria que estudar alguma coisa já que não se entenderia com a lógica, desconhecendo o bê-a-bá (aritmética, vocabulário, etc).


Mas o que incomoda nisto é a comunicação social portar-se sempre como um bando de caniches. Atiram-lhes um osso e aí vão eles, béu béu, béu béu. 

Não haverá no país outra coisa que se aproveite? Só as afirmações de Passos Coelho?

É que, tirando disso, do que vi, só mesmo aquelas afirmações de um senhor que acha que os postos de comando têm que estar à porta de cada casa e à beira de cada rua. Como o posto de comando das Estradas é em Almada já ele acha que, se fosse em Vila Real, o fogo do autocarro no túnel tinha sido apagado em dois segundos. E com isto logo as estações salivam: temos polémica! Mais entrevistas, mais reportagens, mais debates.

Uma indigência.

E eu pergunto: então a Madame Cristas da Coxa Grossa andou por aí a cantar o fado e a comunicação social não promove um debate?


E anda o ilustre Malomil a divulgar as maravilhas do Portugal Local Sensacional e, quando quer mostrar os fervores centristas em todo o seu fulgor, em vez de escolher uma imagem da Madame do CDS que a mostre como ela é, dilui a pimbice e mostra-a quase normal...? Não está certo.

Assim é que ela era bem mostrada, ó Caríssimo Senhor Malomil Blogspot.

E o Isaltino já anda em cartazes a fazer-se ao piso junto dos habitantes de Oeiras e ninguém quer saber disso para nada?



Está mal. Assim não dá. 

Tenho que ir pregar para outra freguesia. Olha, se calhar vou mudar o outfit ao Um Jeito Manso.

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