Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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sexta-feira, abril 14, 2017

José Gomes Ferreira convidou João César das Neves e Medina Carreira
E eu pergunto:
Para a tripeça não ficar desconjuntada e lá termos também a
Teodora Cardoso, teremos que instituir a lei das quotas de género no comentário económico-marreta?
Pergunto.


Post começado a escrever quando a noite ia alta e, na altura, deixado inconcluso por manifesta incapacidade da autora.
Ou seja, o que aqui agora se verá foi despachado em duas tomas.

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Enquanto há bocado dissertava sobre a perversa cabecinha do algoritmo da Google que traz aqui para o UJM, este verdadeiro local de culto e santidade, tudo o que é gente com comportamentos desviantes e que me subverte o espírito altamente intelectual do espaço -- nomeadamente colocando no top das estatísticas das palavras-chaves coisas tão reveladoras como 'cátia palhinha sem cuecas' -- estava a dar na televisão um programa fabuloso. Só por, na altura, estar a dormir um sono profundo é que não prestei a devida atenção. E, como me mantenho ferrada, continuo incapaz de dar uma para a caixa.

Enfim. Conto.

Ou tive um pesadelo ou a coisa passou-se mesmo: três cromos num único programa.


José Gomes Ferreira, tentando arranjar quem desvalorizasse os dados sabidos sobre o défice, coisa tão baixa que há décadas não se via nada assim, abriu a gaiola e trouxe dois passarões cujas capacidades cognitivas são questionáveis, tudo com o objectivo de lançar um manto de descrédito sobre as políticas de Mário Centeno.


Ou seja, lá estava o par de jarretas: o quarto irmão Marx, de seu nome César das Neves, e a cassandra Medina Carreira.


Ora, está bom de ver que o quadro estava incompleto. Ou seja, para a coisa ficar composta, devia lá ter estado uma mulher. No mínimo uma. Por estas e por outras é que eu sou a favor das quotas. Não havendo, é isto: três estarolas juntam-se à volta da mesa e falam, falam, falam e não dizem nada, só bolsam conversas já cheias de bolores, aqui e ali condimentadas com pitadas de bolas de naftalina. Uma azia.
No entanto, a bem da verdade uma coisa devo eu dizer. Pode ser maluco mas completamente parvo o César das Neves não é. 
Portanto, cheio de senãozinhos e de uma mal disfarçada acidez no estômago, quiçá até um certo refluxo,  lá disse ele que ter um défice baixo é bom. O pior mesmo são os mas. E há-os de toda a espécie, enumerou-os ele -- e, conhecendo-se-lhe as tendências marianas, tenho para mim que, na santa cabeça da quase eclesiástica figura, só mesmo com uma nova aparição é que isto lá ia.
Ora bem, dizia eu que faltava ali uma visão feminina. Mas não de uma qualquer.

O que faltava ali mesmo era a visão imparcial e moderna da grande banqueira do povo, a presciente vendedora do Borda d'Água em formato Cozinho dívidas para o Povo: a grande e celebérrima Teodora Cardoso.

Ah, a falta que ela ali fez...!

Milagres...? Havia de ser Dona Teodora e inteligente Das Neves, à vez, a ver quem invocava mais milagres. Défices...? Aí juntar-se-iam os marretas todos, numa desgarrada, a ver quem invocava mais desgraças e cataclismos.

Aliás, antevejo tal animação que até proponho que, em volta deste círculo quadrificado, se instalassem, em plateia, comentadores dos comentadores. Aí poderia estar um círculo invertido: Helena Matos, Raquel Varela, Carla Hilário Quevedo e João Miguel Tavares. Seria o delírio.

Claro que poderíamos ainda pensar num 1º e 2º Balcões, cheios de comentadores dos comentadores dos comentadores. Todos a anunciarem calamidades, pestes bubónicas, pragas de gafanhotos, hecatombes, erisipela nos dias ímpares, ataques de espirros nos dias pares, erros de ortografia em barda, o fim dos tempos. Em suma: uma festa.

No final, tal a excitação, fariam todos um moche ao Gomes Ferreira e, nesse instante, a produção faria cair confetis, e serpentinas voariam pelos ares. Se ainda fosse moda, até imagino que se fizesse ouvir um coro de vuvuzelas. Tudo a bem da qualidade da televisão em Portugal.

(E não me pronuncio sobre a tristeza que é aquela malta defecar de alto para a verdade dos factos ou para a racionalidade da análise da realidade porque começo a convencer-me que eu é que ando com o passo trocado. Às tantas isso não interessa mesmo para nada, isso é coisa datada, fora de moda.)

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E queiram agora aceitar o meu convite e descer até ao post que se segue no qual exprimo a minha admiração pelas palavras que trazem os leitores até mim, nomeadamente, 'Cátia Palhinha sem cuecas'.

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