Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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sábado, março 18, 2017

Caso Sócrates. Digo: Caso Marquês -- as últimas!
A Procuradora-Geral Joana Marques Vidal fartou-se do Rosário Teixeira.
Fala-se que as suas preferências vão para a Sara Antunes de Oliveira e para Micael Pereira.
E mais surpreendente ainda: parece que Sócrates ficou louro!


Não quero ser cá apodada de viúva do Sócrates senão ainda me põem sob escuta e ainda descobrem que quem pagou o meu colar de pérolas da Parfois foi o Zeinal Bava por conta do Bataglia a mando do Mão de Ferro que, por sua vez, não era mão de ferro coisa nenhuma, o que ele era era o testa de ferro da Sofia Fava que, como é sabido, foi casada com o Sócrates. 

Ou seja, falo apenas na mera qualidade de espectadora do Expresso da Meia-Noite na Sic Notícias. 


E foi aí que fiquei a saber das últimas: que a anibaleira Joana Mana do Vidal está que não pode, farta até à raiz dos cabelos desse verdadeiro empata-cópulas que dá pelo nome de Rosário Teixeira, aquele tipo de pessoa que nem dança nem sai da pista. 

Tentando relembrar -- e fazendo um esforço para não deixar pistas de fora e respeitar a ordem cronológica (embora não seja fácil já que o Rosy Boy é o rei da confusão e atira em todas as direcções, incluindo para os próprios pés):

Rosário Teixeira começou a desconfiar dos negócios de Sócrates com a Venezuela, passou para Angola, fixou-se em Leiria, intercalou com os compradores dos livros, depois desandou para Vale de Lobo, a seguir passou para o BES, para a PT, para a CGD, pelo caminho foi deitando a mão a este, àquele e ao outro -- e a caldeirada está montada, já com vinte e tal arguidos, alguns dos quais, ao que parece, sem qualquer ligação ao marquês, e a coisa já vai em 91 volumes, 452 apensos e 13,5 milhões de ficheiros informáticos (13.500.500!). Nem cinquenta humanóides davam conta de tal profusão de peças para apreciação. 

E ao fim de quarenta e tal meses de investigação -- sem serem capazes de produzir uma acusação -- parece que vêm agora dizer que ainda lhes falta saber quem é que cochichou ao ouvido do Bava numa reunião em que estavam representantes de outros accionistas e mais uma carta de não sei o quê e mais a cor das meias que o motorista Perna usava num dia em que levou um envelope ao marquês e que o melhor era fazerem outra vez buscas à casa do Granadeiro e, por via das dúvidas, também aos balcões do BES que já fecharam e ao caixote do lixo da casa de campo do Zeinal, já para não dizer que, bom, bom mesmo, era investigarem um bocado melhor onde é que a mulher do amigo rico comprava os sapatos e se os pagava com dinheiro dela, do marido ou do primo do Sócrates que isso, isso sim, isso explicaria muita coisa.
(Não sei se foi exactamente isto que disseram porque, confesso, estava a escrever um post sobre a minha virilidade e com um olho no burro e outro no cigano e, portanto, posso ter percebido mal alguma coisa. Mas, se não foi exactamente isto, foi qualquer coisa nesta base o que, para o efeito, vai dar no mesmo já que o que não deve faltar, no meio daqueles milhões de documentos, é muita maluqueira do género.)


O que sei é que, ali no Expresso da Meia-Noite, fiquei a ver como deve ser mesmo verdade o que a rádio alcatifa anda a propagar: que a Procuradora Joana tem desabafado que, se em vez do Rosarinho Teixeira, a investigação estivesse nas mãos da Sara Antunes de Oliveira e do Micael Pereira a coisa já estava mais que resolvida.  E consta que alguns que por aí andam lhe dão toda a razão e vão até mais longe: que nem valia a pena perder-se tempo com julgamentos, recursos e essas frioleiras: era prisão directa para o Sócrates e era já -- e ponto final. 

E deixem que comente o que me foi dado observar. Que casal de falcões de aviário que ali está, sim senhora: Sara & Micael não têm dúvidas, sabem tudo, conhecem os meandros do processo, sabem o que este disse e o que o outro não disse, não há indício que lhes escape. Eram meninos para passarem por cima de toda a folha, sem darem trabalho nenhum nem ao Amadeu, nem ao super-judge Alex nem à mana Joana. 

Estão para a Justiça como o colega Gomes Ferreira está para a Economia: de jornalistas passaram directamente a especialistas-doutores em disciplinas que nunca estudaram e sobre as quais opinam com a segurança de sábios encartados.
Creio que foi o Nicolau Santos que tentou tirar a limpo: se agora fossem fazer uma acusação, fá-lo-iam com base em quê, em provas ou indícios? Sem hesitar, a Juíza-Procuradora-Falcoa Sara Antunes de Oliveira respondeu que apenas indícios, que nestas coisas não há provas, ninguém vai à Conservatória registar um acto de corrupção.
Nem mais. Não há provas mas o que não falta são suponhamos. No big deal. Sempre a abrir.
Já Micael me pareceu mais nervosinho. Onde Sara parece uma justiceira implacável, capaz de pôr atrás das grades, de vermelho directo, quem ela ache que possa ter pensamentos pecaminosos ou sonhos imorais, já o Micael estremece ao falar, parece querer ficar ofendido ao perceber que ninguém tem medo do tanto que ele sabe, parece irritadiço, à beira de uma crise de tipo PMS. Mas, pronto, acredito que, aos olhos da mana Vidal, até um Micael seja melhor que o ensarilhado Rosarinho.

[Quem destoou, para além do equilibrado Nicolau -- que deve ver-se e desejar-se no meio dos frangos justiceiros de que está rodeado -- foi o advogado João Nabais, uma voz lúcida no meio de tanta pangalhada. Investigações sem prazo, prisões preventivas com base em 'indícios sólidos' para, ao fim de anos, ainda não haver uma acusação, fugas de informação, jornalistas a saberem mais dos processos do que a Defesa, julgamentos na praça pública antes sequer de haver acusação formulada, e outras aberrações do género não incomodam? - perguntou, indignado. E perguntou bem.]


Mas, mais surpreendente do que tudo isto, é o que aconteceu ao próprio Sócrates. Parece que se auto-clonou, um clone siamês agarrado a ele pela barriga, e que deu em se apresentar louro de tipo platinado. Mais um bocado e avolumava a popa para ficar com um penteado à Trump. Pelo menos é o que eu vejo na fotografia do Expresso. Claro que o penteado pode ter mãozinha do Micael, já que vejo que é co-autor do artigo e, pensando bem, até pode acontecer que, tão versátil como parece ser, ele tenha uma certa vocação para cabeleireiro, Juíz-Procurador-Cabeleireiro Micael.



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E, portanto, para atalhar razões: ainda não foi desta que, depois de tanto chocarem, nasceu algum pinto. E aí temos mais uma voltinha, mas uma viagem -- prossegue o baile e, no fim de Abril, a Srª Drª Joana vai ver em que param as modas para ver se lhes dá mais uns meses para eles continuarem a brincar aos espiões zarolhos, se mais uns anos a ver se se tornam racionais ou se vai mas é para casa -- que aturar incompetentes destes deve dar cabo da paciência a qualquer um, até a ela que tem cara de santa. (Não tem? Não sejam mauzinhos. Eu acho que tem)

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Here it goes again

Ok Go


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E viva a Justiça em Portugal!

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5 comentários:

Anónimo disse...

Uma delícia, como sempre, e deixe os suponhamos falar...
Cumprimentos.
Maria Luisa

Anónimo disse...

Gostei.Assim se põe os pontos nos IIS.Cada vês estou mais convencido que isto é e foi tudo montado para a direita em conluio com a ala mais retrógrada da justiça afastar Eng. Sócrates da vida política.Para mim foi o melhor P. Ministro que o país teve.Ainda hoje estamos a colher os frutos da modernização que ele imprimiu.Infelizmente quem mais beneficiou do seu legado, são agora os seus algozes.Estou a falar de instituições e pessoas como jornalista etc etc.

Anónimo disse...

"melhor" só o "chamuças".

Anónimo disse...

O que sabemos da história real:

"Se o liberalismo e a prosperidade andam juntos, o socialismo e a pobreza andam de mãos dadas. E esqueçam a retórica socialista. Os partidos socialistas não querem, nunca quiseram, acabar com a pobreza"

Anónimo disse...

Tudo isto é inacreditável. Nem ao Kafka ocorre um processo destes. O pior é que quanto mais ridículo o processo, mais as pessoas acham o Sócrates culpado, mesmo quem inicialmente esperava para ver, dando o benefício da dúvida. E não digo isto pejorativamente, ainda que não deixe de ser censurável, porque um processo assim cansa e faz mal á cabeça das pessoas: também eu quase (quase!) quero que ele seja culpado, porque se for e o condenarem, ao menos temos a nossa purga, all's well that ends well. Se não for condenado, se não for sequer acusado, a dúvida pairará na sociedade, a certeza ficando só para os que querem a prisão, não a condenação. Mas dizia só até onde vai um "quase"´queria que fosse culpado, num grito de bardamerda para isto, como disse o tio do outro. Porque na verdade nada me custava mais do que o Sócrates ter, na verdade, cedido à tentação da corrupção. Um político que admirava, alguém que sempre considerei um bom primeiro-ministro, mesmo nas horas más (ainda que não tenha tomado só boas decisões, como ninguém toma). E revoltava-me a injustiça que considerava ser o ódio que tantos lhe tinham e têm. E quantas vezes fui a única numa discussão a defendê-lo? E agora isto? Bardamerda, quero é a inocência! E estou, aliás, convencida de que é inocente do que o acusam. Todos têm a sua teoria, eu tenho a minha. Acho que o dinheiro não era dele coisa nenhuma, que a casa de Paris pertencia, de facto, ao amigo. Que não há testa de ferro. Mas que não há meros empréstimos por reembolsar. Acho que ele terá dado uma ajuda aqui e ali às empresas do amigo, proporcionar um encontro, referir um empreiteiro que é bom ao venezuelano, que não é crime e todos nós recomendamos pessoas que conhecemos uns aos outros. E que, agora, quando ele pede, é-lhe dado, porque quem vai dizer que não a um amigo que tanto ajudou? Daqueles empréstimos como os que os pais dão aos filhos, sem prazo e sem se saber se o filho devolve ou não, provavelmente não, mas não faz mal. Pumbas, se calhar, a Joana Marques Vidal devia era contratar a mim, que também tenho teorias e já ouvi as escutas divulgadas pelo Correio da Manhã. Dispenso ler os noventa e tal volumes. Até lhe digo que sou capaz de arranjar um tráficozinho de influências, crime mais pequeno, mas sempre é qualquer coisinha, que senão já sei que ela não me escolhe.
JV