Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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quarta-feira, dezembro 07, 2016

O espírito natalício começa a aproximar-se de Um Jeito Manso





Ainda não fiz a árvore de Natal nem enfeitei a casa. A bem dizer, fazer isso maça-me um bocado. Prefiro ter arvorezinhas pequenas e luzes. As árvores mais bonitas dos outros anos acabaram por ficar. São bibelots que ganharam intemporalidade -- digamos assim. Claro que as más línguas podem achar que é preguiça, isto de as árvores de natal ficarem de uns natais para os outros. Quero cá saber.


E gosto de ter luzinhas. Gosto de, à noite, ter a sala grande às escuras e as luzinhas a piscarem pelos cantos.

Na casa de jantar, à volta do espelho gigante que está por cima do aparador, também costumamos pôr luzinhas. Fica um ambiente bonito.

E agora, se passo no Gato Preto ou na Area ou nessas lojas, dou por mim à procura de arvorezinhas que possam fazer de árvore de natal. O meu marido não. É mais normal que eu. Gosta de ter uma árvore de natal a sério com bolas e enfeites. Por isso, é ele que a faz. E, como as faz com carinho, ficam sempre bonitas.

Há bocado escrevi aquilo ali em baixo da dívida e depois caí num sono profundo. Tenho andado a levantar-me cedo e ando com muito trabalho.
E esta terça feira tive um número suplementar. Coisa que odeio. Mas andavam a moer-me, que há quanto tempo não ia, que tinha que ir e sei lá, e eu, sem saber há quanto tempo, mais de um ano de certeza, contrariada, lá fui. Não gosto, dói, a mama espalmada, prensada, parece que vão esmagar. No meio daquele desconforto e medo ainda me deu para pensar que ainda bem que não tenho implantes senão estava era com medo que o saco rebentasse e ainda me esguinchasse silicone pelos mamilos. Credo. Coisa horrível. Mamografia. Coisa do pior que há. E medo. Tenho sempre medo. 
Ainda agora, na família alargada, um caso. Vai correr bem, claro que vai. Mas o durante é penoso. Tudo penoso. Tudo.
Adiante. A seguir à mamografia, a ecografia mamária. Desagradável, uma pessoa indefesa, deitada de barriga para cima, em tronco nu, e o médico com aquela coisa a deslizar nas mamas, a carregar, a espreitar pelo monitor, a medir cada irregularidade, e uma pessoa ali, à mercê, à espera que descubram. E... se descobrem? 
Felizmente, tudo bem. Saio de lá sempre num alívio tal a achar que devia descansar e comemorar, ou ir dormir e depois ir de férias. Mas não, almocei a correr para mais uma voltinha, mais uma viagem. Mas, vá lá, consegui sair a horas decentes, sete e picos. Portanto deu para uma caminhada. Tudo somado, depois de jantar e do post, o corpo apagou-se.
Agora estou quase acordada. Devia ir dormir mas a vontade de prolongar os dias é mais forte do que eu. Também devia responder aos comentários, alguns atrasados (da Rita, da Rosa, da bea, do P., do Bob, de um anónimo que escreveu uma coisa bonita sobre a minha sensibilidade). Mas os dedos, a esta hora, já só sabem escrever aqui, assim, à deriva.

Portanto, ao acordar, incapaz de melhor, estive a ver coisas natalícias: entradas para o almoço do dia de natal e cenas decorativas que transmitam o espírito, para a casa também sorrir quando os meninos entrarem de rompante com abraços, beijinhos e, acto contínuo, correria e brincadeira.

Um ramo seco de árvore parece-me uma excelente ideia. Até o posso pintar de branco. Ou de dourado. E pendurar bolas ou bombons. Ou pinhas. E pinto as pinhas de branco ou prateado ou dourado. Acho que deve ficar bem. Também gosto daquelas árvores abstractas lá de cima, mas não sei como se fazem.

Das entradas, elegi os rolinhos de salmão com maçã e queijo. Receita fácil de fazer e certamente uma delícia.


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Escrevo e tento abstrair-me que isto dos natais é um relógio que, se visto de um certo prisma, é cruel. Uma ampulheta. Parte das pessoas dos natais da minha memória já partiram. Uns para sempre, outros apenas porque a vida nos vai levando por caminhos diferentes. Os meus pais felizmente ainda cá estão já não vêm passar o natal connosco e, como na véspera e no dia é tamanha a ocupação que não há logística possível, acabam por passar o natal sozinhos e só lá vamos um dia ou dois depois. Custa-me isso. A minha mãe diz que não, que isso de ser dia de natal é apenas um preciosismo de calendário mas a mim custa-me porque sei que ela adoraria estar cá em casa com a família toda. Mas, enfim, é o que é. O meu pai já não pode sair e ela nem admite sair e deixá-lo em casa. Percebo-a muito bem.

How fragile we are.

Mas, se uns se foram, outros vão chegando, a família vai-se alargando, as gerações vão-se desdobrando. Antevemos na partida de outros o que será, um dia, a nossa e percebemos que, por muito que a partida sempre custe aos que ficam, logo, logo a vida continua.

How fragile we are.

E, portanto, que se viva bem enquanto se pode e se partilhem afectos e se abençoem os abraços que se podem dar e os sorrisos que se podem trocar.

E twinkle, twinkle little star
que luzinhas tremelicantes é o que está a dar 
e a mim me apetece versejar, 
que já cansa de tanto filosofar.


E, assim sendo, que comece o vídeo mais tocante desta saison.

English for beginners, pela melhor de todas as causas

Czego szukasz w Święta?


(Czasami brakuje słów, by wyrazić to, co najważniejsze. W takim przypadku trzeba się ich po prostu nauczyć.)



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Lá em cima Chris Botti, Sting, Yo-yo Ma e Dominic Miller interpretam Fragile

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Talvez agora não venha muito a propósito o post do Costa, do Marcelo e da dívida (apesar de que a época natalícia é do melhor que há para unir esforços). 
Mas, enfim, fica ao vosso critério.

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3 comentários:

bea disse...

Tem medo de fazer uma mamografia?!...Não a imaginava tão mariquinhas. Está certo, mama prensada não é propriamente um agrado, mas daí a ter medo... e as eco mamárias são canja, não doem nem magoam.

Gostei do aspecto das suas entradas de Natal. E das árvores que também não sei como se fazem e por isso ponho os mesmos enfeites dos outros anos (também me cansa um bocadinho e deixo para a última hora) e gosto de ver a sala a piscar no escuro - toda a gente tem uns gostos que partilha com uma multidão que desconhece, não somos só nós duas, JM.

Hoje passeei-me a observar natais um bocadinho caros para mim. Acho que me fez mal ao ego. Coisas tão bonitas que existem e eu podia dar a quem ficavam mesmo bem. E até algumas que a moi-même não ficariam mal de todo. É a vida. A quem habita num andar nada lhe aproveita ir para o de outrém, está fora do seu lugar. E portanto (ok, pode ser consumismo e tal).

Um Jeito Manso disse...

Apanhei um susto, bea. Há algum tempo, não muito, nem sei, talvez uns 3 anos, uma formação estranha, repetir exames, uma biópsia, essas coisas. Um susto de todo o tamanho. Felizmente benigno. Mas agora tenho que vigiar (e já lá ia ano e meio e tinha-me esquecido). Mas vem sempre o medo de que apareça outra coisa qualquer.

E acabei de chegar a casa e já é meia noite. Cansa-me isto. Mas que remédio, não tenho tempo durante o dia...

ist dos natais, da decoração e da moda tem a ver com a forma imaginativa como as coisas se conjugam. Não têm que ser caras. Se bem que há coisas caras que são bonitas...

uma noite descansada, bea.

bea disse...

A decoração e a moda nunca foram o meu number one. A bem dizer não estão sequer nos meus dez primeiros números. Mas o que eu gostava de dar coisas bonitas e boas a quem as merece e provavelmente nunca as terá, não tem tamanho. E haverá gente que as recebe repetidas ou talvez sem valorizar. A vida é só vida.