Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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domingo, novembro 13, 2016

Este meu sábado




A sala já não está em sossego. Agora há meninos a conversar, a falar nos brinquedos que vão querer pelo natal, negoceiam entre eles, fazem selecções e reconsideram, o mais crescido faz as listas para distribuir pela família. Antes estiveram a cear, depois estivemos a fazer a cama, coisa que para eles, vá lá saber-se porquê, faz parte da festa. Penso que virem dormir cá é como se viessem a acampar. 

Estar a escrever aqui na sala enquanto tenho crianças à minha volta é uma sensação de paz e doçura que me descansa o corpo e a alma.

Foi muito tranquilo o meu dia. Tão extenuantes têm sido os dias de semana que chego a sábado e parece que entro em férias. Durmo até mais tarde, preguiço pela casa, espreito o rio. Hoje apeteceu-me fazer flocos de aveia para o pequeno almoço. Numa tigela ponho um bocado de flocos e cerca do dobro de água. Micro-ondas durante dois minutos. Arrefeço durante um bocado, pondo a tigela dentro de água fria no lava-louças. Depois misturei um iogurte. O que eu gosto disto. Antes desta mistura tinha comido uma banana e uvas. Depois um café. Comecei, pois, o dia da melhor maneira.

E rua que se faz tarde. Em direcção ao rio. Uma hora de caminhada boa. O ar brando, um passeio gostoso. Fotografias. Espreitar as ruínas, as águas, os barcos, as gaivotas. Felicidade.

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Tive que interromper a escrita porque o processo de irem dormir é uma luta. Primeiro que vistam os pijamas, que vão à casa de banho e lavem os dentes... é dureza. Tenho que usar todas as minhas armas desde as da simples persuasão até à ameaça. Violência física não foi necessária.

Depois foi o processo de adormecerem. Gostam de ouvir histórias. Mas, se um interrompe para saber se há mesmo raposas prateadas, logo outro o manda calar -- e aquietarem-se, está quieto (passe o pleonasmo). E a história tão bonita me saíu que até eu já estava emocionada com a amizade entre a coruja e a raposinha que não sabia dos pais. Devia gravá-las pois vejo que os miúdos adoram ouvi-las e, assim, mal acabo de contar uma e parto para outra, já nem me lembro da que inventei antes. Passam imediatamente à história, as minhas histórias.

E, mal acabo uma história e penso que posso retirar-me, que nada. Mais outra. Foi a do comboio com carruagens uma de cada cor em que só podiam entrar as pessoas vestidas dessa cor. E o menino tinha uma camisola azul com um super-homem encarnado e não sabia para onde entrar. Mas o senhor dos comboios disse que havia uma carruagem toda às cores para os meninos com camisolas com bonecos às cores e ele entrou e viu muitos meninos, todos às cores e todos brincalhões. E  etc e tal até à parte em que apareceu uma senhora com um carrinho com lanchinhos em que os sumos tinham super poderes e aí foi o bom e o bonito. E etc.

E eu com a voz mais baixa, cada vez mais baixa a ver se lhes dava o sono. E eles: 'Tá, estás a ficar rouca?'

E eu, entre a vontade de rir e de chorar: 'Não! Caluda, nem mais um pio!'

Finalmente adormeceram.
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E ia eu contando do meu dia. Depois do passeio, supermercado. De caminho ainda parei na frutaria dos indianos (ou paquistaneses?) para me abastecer de dióspiros, quer dos rijos quer dos polpudos. São a metade do preço dos do supermercado. Nestas alturas, tiro a barriga de misérias. Adoro diospiros maduros, doces.

Depois, almoço. De novo, um saboroso misto de maranhos e bucho da Sertã com migas de couve. Gosto tanto. Acompanhado com um vinho tinto macio, algo traiçoeiro.

A seguir, no sofá, deu-me o sono, adormeci. Acordei com um sms da minha filha a mandar-me uma fotografia da praia a dizer que gostava que eu lhe pintasse um quadro assim. Suspirei. É rara a vez em que adormeço e que ou um ou outro não me acorde com um sms.

Hora de fazer avançar o programa de festas. Ida a casa dos meus pais. Antes, paragem na Padaria Portuguesa para lhes levar uns bolinhos. Não é que os açúcares lhes façam falta mas, enfim, sempre lhes adoçam um pouco a vida que é tudo menos uma pêra doce.

Levei também marmelos lá do meu heaven para a minha mãe fazer marmelada. Fica sempre óptima. Como tem andado com uma dor num dedo, artrite, disse-lhe que não descascasse os marmelos, custa imenso, a casca é dura e a marmelada fica boa mesmo com casca, desfaz-se tudo,

E levei-lhe uma Rainha Sta Isabel pequenina, muito perfeitinha, com rosinhas no regaço, que trouxe do Mosteiro de Sta Clara e que me tinha esquecido de levar a semana passada. Gostou, achou bonita, Foi pôr no quarto.

Depois, à vinda, no carro, vim a ler sobre as últimas do Trump mas tudo aquilo parece anedota de mau gosto. Por isso, resolvi ler em voz alta artigos sobre queijos. Gostamos muito de queijos. Em casa da minha mãe tinha lido um artigo sobre cuidados a ter com queijos gordos. Pronto, agora já fiquei a saber quais os melhores, quais os que devem ser evitados. E encomendei piza em forno de lenha para lá ir buscar.

E antes que chegassem a trazer os meninos ainda estive a arrumar a casa. Parece que a desarrumação que já começou e que amanhã continuará tem mais graça se partir de uma base zero. Portanto, antes das campainhas soarem, casinha arrumadinha.

E ainda tive tempo para descobrir o último vídeo do Cine Povero.

Agora, a casa está silenciosa, só eu estou acordada. Gosto destes momentos. Mas vou dormir que já sei que de manhã não poderei prolongar o sono


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E só me resta mesmo desejar-vos, meus Caros Leitores, um belo dia de domingo.

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2 comentários:

bea disse...

Hummm... vamos lá a ver o meu dia a ver se confere com o da JM em alguma coisita. comecei logo ontem, por demorar uma data de compridas horas a adormecer, se houvera quem me contasse umas histórias, decerto dormia antes de mim (ou será de eu?). Depois, bom, depois também fiz um pequeno almoço de que gosto e de certeza nunca terá flocos nem iogurte, mas foi sossegadito e solitário. Hummm....em seguida fui às compras e as únicas vistas que tive foram cinco ou dez minutos para uma lista a fim de não esquecer metade dos géneros. Ah, enchi o estendal com duas máquinas de roupa antes de sair de casa e varri o alpendre e a rua que estavam miseráveis.
Cheguei uma hora depois atafulhada de sacos e de fora deles. Salguei o peixe que me esquecera antes de partir (paciência). Cozi-o e ao camarão que descasquei, voltei a cozer as cascas e as cabeça dos crustáceos, deixei ferver, sovei-os para darem sabor à água e atirei as cascas fora. Juntei as águas (do peixe e do camarão) ao refogadinho de tomate e mais umas coisas que dão bom gosto como pimento, orégão... Quando ferveu juntei cotovelinho e, quase no final, o peixe limpo de peles e espinhas. Depois de cozida a massa, de lume apagado, o camarão e os coentros. Sentei-me para almoçar com a família, mas antes deixei as castanhas no forno para estarem prontas no final do almoço. Fiquei a ver o eixo do mal com um dos meus filhos, e, logo de seguida, arrumei parte da cozinha, fiz a sopa do jantar e fui verificando o conteúdo dos tupperwares do frigorífico. Tirei a roupa do estendal, dobrei e arrumei. Fui à net ver uma receita e fiquei um bocadinho a ouvir o Cohen e a conversar sobre, com um interlocutor de quem gosto de verdade e garantidamente para o resto da minha vida. Ou seja, no passado sim; no presente, sim; no futuro, sim. Depois fui buscar as colunas para ir ouvindo o senhor da cozinha e começar o lanche cuja ementa era uma data de coisas feitas por je para ser assim um lanche que é jantar e dá mais trabalho que ele, mas também agrada a dobrar. E depois de tanto tacho e panela lavei a loiça que o espaço nas bancadas era pouco e a máquina da loiça não sei quê. Sentei-me de novo à mesa mais um bocadinho(para lanchar e jantar em simultâneo). E começou o futebol. Então fui procurar O Principezinho que alguém me pedira e satisfazer mais umas requerenças. Enchi nova máquina de roupa e programei. E o mesmo esse que tem o meu amor incondicional abraçou-me antes de sair e disse obrigada. Foi uma recompensa, não esperava. Entretanto lembrei-me que me faltava arranjar o meu saco de amanhã bem cedo. E desfiz malas que andavam mesmo a pedir abre-me. E fiz o saco completo que às segundas há falta de ritmo e não abdico de pequenos almoços em condições, mas atrasar-me é que nem pensar.
E agora estou aqui cansadíssima a escrever este testamento apalermado, sem ter visto rios ou outra água que não seja a da torneira. Este até foi um domingo calmo e dos melhores. Veja agora a JM se consegue assim um mmovimento. Lá está. Não tem este atropelo de dia santo de guarda (e escusa de vir para cá com, eu contei um sábado e o sábado não é dia santo; lá quero bem saber disso, cada um conta o que tem:).
Santas noites

Um Jeito Manso disse...

Olá bea!

Grandes dias! Gostei de ler. E fiquei a pensar que também devia ir dar a volta a algumas malas. E também fiz máquinas de roupa, e alguma ainda está no estendal. E hoje ao almoço também comi castanhas. O meu filho e a minha nora trouxeram-nas, cortaram-nas, salgaram-nas, ficaram a assar enquanto almoçávamos todos. E a sua massinha devia estar boa e cheirosa. O meu almoço hoje foi cozido e no fim sobrou muito e os meus filhos levaram.

E há sempre muito em comum entre os dias das mulheres porque é mesmo assim, a vida é a vida é a vida.

E nem foi testamento, muito menos apalermado o que escreveu. Gostei de ler.

E desejo-lhe uma bela semana, bea!