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quarta-feira, agosto 31, 2016

Vi duas sereias no mar do Algarve. Juro. Vi mesmo.
[Mas como estava dentro de água não consegui fotografá-las]





Ora muito bem. Agora que já vos mostrei a bela vista que tenho da varanda do meu quarto e, de caminho, também o mar alteroso que, quando o vento o vira do avesso, chega a assustar e impede que uma pessoa possa nadar em paz, falo-vos de uma aparição.

Mas, atenção, não apenas não alucinei como o meu marido presenciou o mesmo que eu. Isto que vou contar passou-se. Mesmo.


Estava eu dentro de água, numa altura em que o desassossego do mar abrandou, quando vi duas raparigas de cabelos muito compridos chegarem à beira da água, enfiarem uma espécie de calças do que parecia ser uma lycra azul e verde mas com com uma única perna e com uma barbatana enorme nos pés: tal e qual a que o bacano da fotografia lá em cima enverga.

Fiquei perplexa. Sentadas na areia, enfiaram aquilo, depois arrastaram-se para a água e, quando atingiram boa altura, desataram a nadar com aquele movimento das sereias, ondulante. Logo deixei de as ver. Eu estava verdadeiramente estupefacta com tudo aquilo, até pelo desaparecimento delas.


Quando cheguei a terra, perguntei se o eu marido as tinha visto. Que sim. Igualmente admirado. Uma destas nunca tínhamos presenciado. E igualmente deixara de as ver e, tal como eu, estava intrigado.

Estive ali em estado de prontidão para as poder fotografar. Tempos e tempos. Nada.

Saímos tarde da praia. Pouca gente já. Alguns últimos intrépidos saíam da água e retiravam-se à medida que o sol começava a depôr armas sobre o mar antes de se incendiar.


Das sereias nada. Nem sequer ao longe as vimos, porque as procurávamos com o olhar de barlavento a sotavento. Nada. Não sei se mergulharam e foram até ao fundo do mar, se têm alguma gruta secreta onde se abrigam ou se foram a nadar até muito longe dali. 

E juro que não estou a fantasiar. Se as jovens sereias por acaso aparecerem por aí, nem que seja nos mares do norte ou do outro lado do mar, avisem-me, está bem?: quero fotografá-las.

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O sereio da fotografia lá de cima é Joshua Varozza.
A música é Syrènes de Claude Débussy.

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E, se descerem um pouco mais, testemunharão o meu especial agradecimento a dois Leitores francamente simpátcos.

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5 comentários:

bea disse...

É feio mentir. Portanto, é que é verdade, viram - os dois, os dois - duas sereias. O que dá pouco jeito. A ideia de que fosse congénito ser sereia ficou feita em fanicos. Não se faz.

Anónimo disse...

Esqueci-me de assinar o comentário que acabo de enviar-lhe, em que terminava a desejar-lhe "bons banhos".
P.Rufino

P. disse...

As “Sirénes” de Debussy e “O Mio Babbino Caro”, de Puccini foram duas escolhas extraordinárias, sobretudo a última. Aliás, as suas escolhas musicais são óptimas. Embora tenham composto obras diferentes (apesar de pertencerem ao mesmo Período, pós-Romântico), ambos aqueles dois compositores tiveram em comum o gostarem, bastante, de mulheres, idiossincrasias essas que acabaram por ter consequências, nalgumas daquelas com quem eles se envolveram mais tempo (no caso de Debussy, duas das suas companheiras, depois de ele as ter trocado por outras, tentaram o suicídio, felizmente sem sucesso. Já a mulher de Puccini, possuída pelo ciúme, ao suspeitar de um romance entre ele e a criada que tinham, levaram a pobre pequena a suicidar-se, vindo depois a saber-se, através da autópsia, que a desgraçada estava afinal virgem. Elvira, a mulher de Puccini ainda foi parar com os costados à prisão, 5 meses, por causa disso, deixando o homem em lágrimas – sempre gostaria da criadita, tá visto!).
O Algarve é um local encantador, com sítios mágicos. Como nos mostra o tal vídeo – e as suas fotos. Divirta-se por aí e se puder continue mais tempo, já que ao que li as temperaturas a partir durante a próxima semana voltam a subir, até talvez aos 40º!
Pena que não tenha apanhado em fotografia as tais sereias! E desapareceram assim mar dentro? Oxalá me apareçam aqui no Guincho!
Este nosso país é aliás, como também já o sublinhou, muito bonito. Tendo estado por aí, mais perto de Sagres, e depois ido até às Portas de Rodão (perto da Vila Velha do mesmo nome), terra do habitat do grifo, mas também da cegonha-preta e do milhafre-real, chego sempre à mesma conclusão, de que este país tem paraísos que nunca nos cansaremos de apreciar.
Bons banhos!
P.Rufino

Um Jeito Manso disse...

Olá bea!

Pois não sei. Pareciam pessoas normais apesar de se terem travestido de sereias. Mas para onde foram que nunca mais as conseguimos ver?

Portanto, não sei se não eram verdadeiras sereias.

:)

Um Jeito Manso disse...

Olá P. Rufino,

O nosso país é lindo e eu chego à conclusão de que a zona que pior conheço, apesar de para cá vir duas ou três vezes por ano, é justamente o Algarve.

Quanto às músicas, sei geralmente o que quero a cada post que escrevo mas nem sempre me lembro do nome ou nem sempre têm uma dimensão que me aparece adequada ao post. E como escrevo sempre tudo muito à pressa, acho que nem sempre me saio bem. Mas, enfim, confio da compalcência dos meus generosos Leitores.

Um bom dia para si, P. Rufino.