Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

quinta-feira, abril 21, 2016

As palavras mais belas da língua portuguesa.
E outras conversas em redor.




Estou naqueles dias. Há vários assuntos que me convocam. Fotografias e a vontade de construir histórias em volta delas. Gosto de plantar aqui fotografias e, de consciência desprotegida, deixar que os meus dedos façam crescer palavras em volta delas. Ou músicas. Pode parecer que a música é acessória em mim. Mas não é. Sou é ecléctica, na música e em tudo na vida. Especialista em coisa nenhuma. Amante da diversidade. Parece que, da vida, quero conhecer uma amostra de quase tudo. O que eu acumular não vou levar para lado nenhum. Por isso, não quero acumular nada, muito menos conhecimento. Quero é provar. Degustação. Não quero reter coisa alguma. Mas quero ir conhecendo, inventando, tendo prazer na descoberta. Sem parar em nada, senão não seguiria em frente, descobrindo mais.

Tenho aqui um livro comigo. Não foi este livro o recomendado mas foi este que encontrei. Eu de volta do índice, curiosa de ir já conhecer a ideia dos outros. Mas a esta hora não dá.

E pôr-me aqui com as palavras descomandadas, acho melhor não, não sei se as conseguiria parar se elas tomassem o freio nos dentes. 


Pus-me, pois, a circular pelos jornais. Muitos zikas há a zumbir em volta da actualidade portuga. Há bocado até ouvi um, que deve ser avençado, a dizer que a Isabel dos Santos fez 43 anos e gostaria de ter tido outro presente, e a conversa toda a puxar o lustro à filha de seu pai, e eu incapaz de suportar isto. Stop. Em dias assim parece-me que tudo anda em volta de zikas ou de microcéfalos políticos, ou de inquisidores-novos, disse, não disse? a que horas disse? mentiu, não mentiu?, ah que momentos de glória para tão azikados deputados, muita gentinha desta há por aí -- e eu que não tenho tempo para descansar a ver se reponho os níveis de paciência que até acredito que o mal se calhar está em mim. Há quem tome ansiolíticos por ver tanto atraso de vida. Eu não. Desligo a televisão, ponho-me aqui, nisto. E passa-me. Mas devia dormir mais. Talvez parecesse mais boazinha. 

Há bocado, para descomprimir, estive a conferir a minha personalidade a partir dos bolos que prefiro e depois, já adoçada, pus-me a circular pelos blogs. Há alguns de que gosto tanto. São atípicos. São momentos bons. Depois estive a ver os mails, mails tão simpáticos. De vez em quando lá aparece um que destoa mas apago logo, para que haveria de guardar um mail desagradável? Mas, felizmente, é raro. De facto, pensando bem, só aconteceu uma vez. Mas já me esqueci. É como se não tivesse existido. É o que tem de bom ser primária.

Agora já é tarde, Deveria parar por aqui. Mas li um artigo maluco, só pode ser maluco, e fiquei com vontade de pegar na ideia. 


"As 50 palavras mais belas da literatura em língua portuguesa". E pode? Como é que se escolhem as palavras mais belas? Loucura.

Pedimos ao colaborador da Revista Bula, Marcelo Franco, um dos maiores especialistas em livros no Brasil, que apontasse as 50 palavras mais belas da literatura em língua portuguesa. Marcelo Franco enumerou 100 palavras, destas, selecionamos 50. Obviamente que listas são sempre incompletas, idiossincráticas. Sabe-se que, como a percepção, a opinião — que é a base da maioria as listas —, é algo individual. O resultado não pretende ser abrangente ou definitivo e corresponde apenas à opinião do especialista e dos editores da Revista Bula, que fizeram a seleção a partir da lista inicial sugerida.
A seguir leio a lista das 50 palavras. Fogo. Leio e acho que só podem estar a gozar com a minha cara. 
Pentâmetro iâmbico, Palimpsesto, Funâmbulo, Imarcescível, Arquiduquesa, Antolhos, Ignoto, Lugar-tenente, Pneumotórax, Seljúcida
Juro. Estas são algumas das palavras que eles escolheram. Dá para acreditar? 
Belas? Caraças. Belas, o tanas. 
Nem nunca tinha ouvido falar nessa tal de seljúcida. Fui ver e já sei o que é. E também sei que só de confessar aqui a minha ignorância já me estou a pôr a jeito para que me apareça aqui o Leitor José Neves a dizer 'Ah. Logo vi. Tinha que ser. Por isso é que é tão básica da silva. Não conhecia a palavra seljúcida?! Seljúcida, toda a gente sabe o que é! Vá-se instruir, Minha Senhora'. Ok, eu vou. Um dia destes.


E, portanto, enquanto não me vou instruir
-- inclusivamente tive que ir ver aquela do pentâmetro iâmbico e, caraças, não é que até pode ter a ver com o grego e eu que ainda não sei grego, oh Caro José Neves, já viu isto?, bolas, como é que eu não sei o que é um pentâmetro iâmbico? Bolas, que até a mim me dói tanta ignorância -- 
vou continuar, por aqui, no bem bom do dolce far niente blogosférico.

Mas vá lá, avancemos.

Embora ninguém me tenha perguntado, eu respondo. Palavras belas da língua portuguesa (e que conversa é essa de palavras da literatura em língua portuguesa? poderiam ter escolhido palavras belas que não aparecessem em nenhum livro? Treta).

Então vou dizer ao acaso, sem elencar por qualquer ordem (nunca faço listas), sem pensar, sem filtrar, sem coisa nenhuma:
luz, amor, cal, muro, aragem, folha, mãos, olhar, amor, azul, veleiro, mar, tecer, abraçar, horizonte, além, tocar, toada, lua, aluada, corpo, solar, pele, ondular, onda, maré, sonho, som, branco, alvo, madrugada, noite, lobo, montanha, divino, silêncio, desconhecer, transparência, ventre, seio, sexo, nudez, perdão, sorriso, tu, filhos, meus, sangue do meu sangue, maresia, loucura, beleza, infinita, infinda, linda, sedução, galanteio, malícia, poema, sussurro, murmúrio, doçura, leitura, paz. 
Pronto. Acho que, para amostra, já chega. Não vos maço mais. Vou dar uma curva. Para os braços do meu amor.

___
  • As fotografias são respectivamente de Andres Serrano, Andreas Gursky, Philip-Lorca Dicorcia, Herb Ritts e Raymond Cauchetier. 
Se tiverem interesse em saber o valor comercial delas espreitem aqui. É para quem pode. E, como se vê, isto do 'valor' é uma coisa relativa -- já os outros lá o diziam, o Ricardo, o Karl e todos esses bacanos.
  • Lá em cima Stacey Kent interpreta You've got a friend. E é verdade. Estou aqui para os amigos,
_______

E, caso queiram saber o que é que o vosso bolo preferido diz da vossa personalidade, desçam, por favor. É já a seguir.

16 comentários:

Anónimo disse...

Bom dia, ujm
shiii a língua prende-se aos dentes e babo-me ao tentar pronunciar essa da "seljúcida"
já vou ver o que são

pois para mim uma das mais belas é icosaedro
e icosaedro arquimediano truncado é do melhor
prontus
hoje continua como ontem
na onda da "parvera" :)
Beijos
GG

Anónimo disse...

Disturbed "The Sound Of Silence" 03/28/16 - https://www.youtube.com/watch?v=Bk7RVw3I8eg


bob Marley

Anónimo disse...

ora vamos lá:
- Pentâmetro iâmbico - uma forma de versejar que não é espontânea pois tem que se andar a pensar na sílbas no ritmo delas e a coisa t~em que bater certa se não sai o seu contrário LOL
- Palimpsesto - reutilização dada pela malta dos pergaminhos e papiros lá no tempo deles
- Funâmbulo - um troca tintas ou um equilibrista da corda e da vida
- Imarcescível - sempre cheio de tesão; o significado figurativo por acaso até conhecia ;)
- Antolhos - conhecia e até às vezes uso, por acaso andava meio esquecida, a expressão "anda sempre com a cabeça cheia de antolhos"
- Seljúcida - uma tribo/clã/ povo, uns gajos portanto, nómadas que viveram lá entre as estepes e a palestina, durante os primeiros 100 anos DC; correram meio mundo por essas bandas tendo-se convertido ao islão e andaram à batatada com os cristãos; têm qualquer coisa a ver com os pechenegues (gosto desta palavra. Então não é que me lembrei de um filme que vi na adolescência [não consigo lembrar o nome]... um guerreiro do terror do terror. Não há volta a dar sempre que penso nessa malta entre as estepes da sibéria e o sul da europa central é a ele que o vejo: no cavalo galgando precipícios e rios, a matar e a esfolar os que via como adversários como hoje fazemos de uma forma encapotada aos refugiados, nos os seus longos cabelos desgrenhados ao vento, uma barba farta, camisa larga apenas apertada com um cinto.



GG

Maria disse...

Um beijo grande ai para o bob marley

GG

Anónimo disse...

um beijo grande ai para o bob marley

GG

Anónimo disse...

Foi recebido GG, obrigado - https://www.youtube.com/watch?v=JEhY-b_Ih6A

Bob Marley

P. disse...

UJM,
Por falar em fotografia, já pensou um dia fazer uma exposição com as suas melhores fotos, que serão seguramente inúmeras – além de excelentes? Não tem que se apresentar com o seu nome, mas tão só sob um pseudónimo. Se o (ou os) livro (s), que um dia venha a escrever – tem jeito e não é manso, é a sério – pode aguardar para quando um dia se reformar (ao que percebo...), já a ideia da exposição fotográfica bem poderia ir avante um dia qualquer, sem esperar pela tal aposentação. Fica a sugestão!
Dos nomes que a UJM sugeriu e se acrescentássemos, por exemplo: rosto; boca; sensual; desejo; namorar; ternura; entregar-se; etc.
Na sequência do que a Leitora CG disse, ocorreu-me uma pequena frase: “o funâmbulo era imarcescível, o que a enchia de lascívia”;
Resto de bom dia!
P.Rufino

Anónimo disse...

https://www.facebook.com/Tuchatv/videos/1153581354673796/





Bob marley

Rosa Pinto disse...

Adoro as suas fotos. E sim concordo com o P.Rufino.
Qto às fotos que agora aqui publicou ...sem palavras - uma maravilha.
Palavras quanto mais simples melhor..desde que sinceras.

Um Jeito Manso disse...

GG, olá!

Estamos inspiradas, hein...?! Boa. Que bela boa disposição. Gostei do dicionário 'a la'a GG. Tenho gostado de a ler.

E face às trocas de beijinhos que por aqui andam até me apetece aqui deixar para si e, se me é permitido, para o Bob Marley, o seguinte:

https://www.youtube.com/watch?v=dDkwAenYxfY

Um abraço!

Um Jeito Manso disse...

Bob Marley,

Grandes vídeos! Fantásticos. Gracias.

E chamo a minha atenção para o vídeo que também lhe é dedicado, que deixei na resposta à GG.

Be happy!

Um Jeito Manso disse...

Olá, P. Rufino,

O meu filho diz que eu deveria ser mais contida. Que faço tudo em grande dose. Já quando pintava, enchia telas e telas. Quando fazia tapetes de Arraiolos, eram carpetes e carpetes. Agora com as fotografias há um problema: são milhares. E tempo para as mondar? Eu sou de fazer, não de seleccionar, organizar.

Mas pode ser que um dia em que tenhamos tempo livre, eu me ponha a escrever e eu consiga 'cravar' o meu marido para fazer a selecção ou classificação ou, quem sabe, alguma divulgação. Eu, por mim, não tenho tempo nem motivação para isso. Mas, enfim, pode ser que um dia a inspiração e a vontade de fazer coisas novas seque e, aí, já me apeteça virar-me para isso.

Mas olhe, P. Rufino, agradeço as suas palavras. Muito.

Um Jeito Manso disse...

Olá Rosa Pinto, boa noite.

Noto-a mais 'murcha'? Está tudo bem consigo? Espero que sim. Gosto de a saber bem disposta e folgazona.

Um abraço!

Rosa Pinto disse...

Olá.
Ui..realmente um pouco down...nem sei dizer porquê...mas está a chegar o sol e tudo muda (esperemos)!!!

Abraço

Um Jeito Manso disse...

Pois, Rosa, estava a sentir isso. Mas não gosto nada de a sentir assim. Olhe, daqui a nada acabo uma coisa que ainda estou a escrever e espero que se anime, que lhe apeteça comer um pratinho, que lhe dê vontade de ir à procura de um poema, qualquer coisa. Gosto de a ver a rir.

Um big smile para si, Rosa!

Anónimo disse...

Obrigado UJM, por acaso o vídeo leva-me para a série o Barco do Amor, que por sua vez leva-me para um país mais feliz, talvez porque nesse tempo,por esta altura já se fazia praia-))

penso que a única coisa que mudou foi o tempo, o resto é da responsabilidade das pessoas

Bob marley