Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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terça-feira, março 15, 2016

Arouca, a vila, tão bonita, tão bem cuidada. E o bem que lá se come (e tanto!).


Nos posts lá mais para baixo falei da Serra da Freita e dos prodígios que alberga e antes já tinha mostrado vistas deslumbrantes e animais em plena liberdade e, depois, falei de igrejas, santos e irmãzinhas em Arouca. Mas ainda não mostrei a vila em si. Não quero ser maçadora mas, às tantas, com tanta fotografia e tanta conversa, estou mesmo a ser.

E, aliás, estou com vontade de ir já ver as fotografias da minha expedição aos Passadiços do Paiva para escolher algumas para aqui. Mas parece que cometo uma injustiça se omitir referência à elegância e à tranquilidade desta bela vila. Por isso, mesmo correndo o risco de molestar a vossa paciência, vou mostrar algumas das fotografias que lá fiz.

Numa moradia, na avenida principal, vi várias esculturas junto à entrada. Penso que seja uma moradia particular. Mostro apenas estas mas há lá mais umas quantas e todas bonitas.



Há vários edifícios do género deste aqui abaixo, muito elegante, coberto de azulejos. Olho e imagino que tenham chão de soalho e que o sol encha de sol a sala e os quartos e que seja muito bom lá estar a ouvir os pássaros.
Esta segunda-feira acordei com um pássaro a cantar, trinados exuberantes, coloridos.

Para quem, como eu, já só compra carne (e pouca, cada vez menos) nos talhos do supermercado, é com curiosidade que vejo o destaque dado a um talho como este aqui abaixo, situado no rés-do-chão de um edifício tão bonito na avenida principal. Penso que os talhos aqui devem ser lojas importantes.


A propósito de talho: as pessoas aqui comem uma tal quantidade de carne...! Ou então é cá em casa que se come pouca.

No domingo à noite, vi que havia arroz de miúdos e este é o género de comida que me dá logo vontade de provar. Custava 5 euros a dose e eu pensei que viria uma travessita com um arrozinho com fígados, moelas e um ou outro coração e que era o indicado já que à noite gosto de comer pouco,. Pois bem. Quando vi nem queria acreditar: veio um tachão de barro, cheio! Um belo arroz malandro, escuro, com miúdos que não acabavam e, imagine-se, até com várias patas de galinha! Claro que sobrou metade, no mínimo. Mas que bom que estava, que bom, cheiroso, saboroso. Deu-me pena lá deixar aquela comida toda mas já não consegui - mas, senhores, haverá alguma alma que consiga bater-se, sozinha, com uma tachada daquelas...?

Esta segunda feira, depois da expedição aos passadiços, voltámos a Arouca e fomos a outro restaurante. Desta vez, optámos os dois pelo mesmo: vitela no forno, com batatinhas também assadas e feijão verde. Havia meias-doses e uma dose; pedimos uma dose para os dois.

Pois, já se sabe: uma quantidade brutal! Um tabuleiro de barro, cheio! Muito boa, aquele saborzinho bom da comida de forno, mas, senhores, tanta carne, tanta, e tantas batatas. E, à parte, uma tigela cheia de arroz. E, para nosso espanto, a meio da refeição, o dono veio perguntar se estava tudo bem, se queríamos que ele trouxesse mais um naco ou que mandasse grelhar uma posta. Que não, que estava muito bem assim, dissemos espantados. E ele, que víssemos, que estivéssemos à vontade, que ele trazia. No fim, ainda vários bocados de carne no tabuleiro, eu incapaz de comer mais e com vergonha que, depois daquela conversa, ainda deixássemos comida no tabuleiro. O meu marido lá se esforçou mas, mesmo assim, ainda lá ficaram bocados de carne e não sei quantas batatas. E o arroz quase todo. Não dá para acreditar o que aquelas pessoas devem comer...!

Mas uma outra coisa chamou a minha atenção. À entrada do restaurante havia uma cesta com livros e uma espécie de jarra com folhinhas de papel com poemas. Fiquei intrigada -- mas por pouco tempo pois na parede de entrada estava este cartaz:


Achei a ideia muito interessante e aqui a divulgo. O País seria outro se a população tivesse outros hábitos de leitura. A escrita é uma porta de entrada para outros mundos.


Aliás, Arouca é uma terra que, por apostar na cultura e na divulgação do património natural, religioso e cultural irá certamente atrair muita gente para a conhecer, e isso, se for feito de forma inteligente, é bom para as terras, desenvolve-as sob todos os pontos de vista.


No domingo encontrámos muita gente na rua. Esta segunda-feira já nem tanto mas é uma terra viva, com muitos jovens (a escola que se encontra nessa avenida é enorme, vista de fora, muito bonita, tem uma escadaria larga e os edifícios são um espanto; terão sido arranjados ao abrigo do Parque Escolar?), com fábricas em redor, com as terras muito cuidadas.


E as casas estão bem preservadas, vê-se que há gosto e cuidado e que há valorização da sua história. E os jardins estão muito bem tratados, as árvores estão floridas e há muitos amores-perfeitos nos canteiros, e eu não pude deixar de me lembrar que o meu pai, até não há muito tempo, plantava sempre amores perfeitos no canteiro do jardim da frente da casa e havia assim como estes, amarelos descarados mas, também, em cor de vinho, um vermelho profundo, quase negro e outros roxos, lindos. Eu preferia os roxos, de veludo.

Tinha uma professora de português de quem gostava muito, já falei dela aqui, a Profª Joana Meira, e, eu que nunca fui de gestos desses pois temia que parecessem bajulação, mais que uma vez lhe levei pequenos bouquets de amores-perfeitos. Acho que ela merecia isso e muito mais. Foi a melhor professora que tive.


E, só para terminar, repito-me: toda a vila vive como que num berço ao sol pois está rodeada de montes onde as casas estão dispostas em socalcos, pelas elevações acima, entre árvores, com igrejinhas pelo meio, tudo tão bonito que quase parece uma paisagem a fingir, perdida no tempo. Mas não, são casas vivas, numa paisagem cheia de luz.


E agora vou ver se escolho algumas fotografias dos passadiços. Mas não deve ser tarefa fácil porque as fotografias são mais que as mães e, of course, antes de escolher, tenho que vê-las o, e só de pensar nisso, a esta hora, já me parece missão quase impossível. Ou seja, a ver se consigo fazer um post ainda hoje ou se fica mesmo para amanhã. 

Agora já estou em casa. Tirámos apenas um dia de férias o que, junto com o domingo (porque no sábado tínhamos afazeres, obrigações e devoções), nos pareceu uma temporada à maneira. Mas a verdade é que, com isto tudo e com o dia que me espera esta terça-feira, não sei se vou conseguir ainda fazer agora um daqueles estirões. Mas, vá, vou deixar-me de conversas e vou à luta.
____

E, continuem, por favor que, por aí abaixo, há agora as igrejas e os santinhos.

E, para quem queira depois, como eu fiz, visitar os passadiços, faça favor: é aqui.

..

9 comentários:

Anónimo disse...

Um belo passeio com um belo sol. Rita

Um Jeito Manso disse...

Olá Rita!

Belíssimo passeio (apesar de curto, curtinho...). Um tempo óptimo, um solinho mesmo bom.

Obrigada, Rita-boa-Onda!

Pedro disse...

é bonito, mas não se compara ao Cacém ou a Rio de Mouro, locais que deve obrigatoriamente visitar quando regressar a Sintra.

P. disse...

Está visto que tenho de voltar a dar um passeio por esses sítios. Rever essas paisagens que deixei para trás há já umas duas décadas. Arouca ao que vejo continua bonita, se não melhor até.
P.Rufino
PS: esse seu recanto de fim de semana fica afinal no Concelho de Sintra? Uma foto sua que publicou há talvez uma ano deu-me essa impressão, mas posso ter confundido.

Fernando Ribeiro disse...

(...) depois da expedição aos passadiços, voltámos a Arouca e fomos a outro restaurante. (...)

Depois da sua expedição aos passadiços, a UJM devia ir a Alvarenga, isso sim. Alvarenga é uma pequena vila que fica a um par de quilómetros dos passadiços. Em vez de voltar para trás, para Arouca, depois de ter andando a subir e descer os degraus dos passadiços, a UJM devia seguir em frente, no fim virar à direita e a seguir virar à direita outra vez, para o lugar de Trancoso, que é a sede da freguesia de Alvarenga. Em princípio, qualquer restaurante de Alvarenga é suficientemente bom. Garanto-lhe que comeria o melhor bife do mundo, acompanhado pelas melhores batatas do mundo, o melhor pão do mundo, antecedido pela melhor sopa do mundo e tudo regado pelo melhor vinho do mundo! Não dá para acreditar! Se acha que em Arouca se come bem, nem imagina como se come em Alvarenga!!!

Afinal o que é que a carne de Arouca (e sobretudo a de Alvarenga) tem assim de tão especial? É carne das vacas castanhas de raça arouquesa que a UJM viu em completa liberdade em plena serra da Freita, sem ninguém a pastoreá-las. São vacas cuja carne é, desde que nascem, "condimentada" pelos pastos da serra, sem corantes nem conservantes. Naquelas terras tudo (ainda) é como a mãe Natureza manda. Até quando?

Um Jeito Manso disse...

Pedro, estes lugares são muito bonitos, sim, e, se quer que lhe diga, é bem possível que seja em lugares assim que se podem procurar os 'caminhos que conduzem ao alto, aos deuses, a Deus, ao Mistério Absoluto, à Luz Absoluta, ao supremo Desespero, ao Espírito, ao Silêncio'.

No entanto, quem, como eu, perante a beleza imensa, se limita a ficar disponível para apenas olhar (ou 'ser' -- como as árvores, os pássaros ou as pedras 'são'), não se põe a pensar onde levam os caminhos do silêncio. Admito que não levem a lado nenhum e que isso seja bom.

Mas eu não sou de filosofias e, talvez por saber disso, o Pedro resolva desconversar e me recomende o Cacém ou Rio de Mouro. Mas saiba que, se eu lá for, vou, na mesma, encontrar beleza: nos graffitis, num vaso que alguém pôs numa varanda, nos olhos doces de algum miúdo ou na forma terna como um homem triste olha para o seu gato.

(E depois de ter escrito isto até estou com vontade de lá ir a ver se tenho razão)

Um Jeito Manso disse...

Fernando Ribeiro,

E agora é que me diz isso...? Estou a ver que tenho que lá voltar brevemente. Mas isso que diz deve estar mesmo certo. Esta´vamos a comer salada e espantados com o sabor da alface e do tomate. Será do azeite? Será da qualidade da alface e do tomate? Até que percebemos que era tudo, que tudo sabia aos sabores originais. estamos habituados às saladas em que tudo deve vir da estufa, nada sabe a nada. E o pão? Há um pão de centeio que é uma delícia! Fartei-me de comer pão com azeitonas ou molhado no molho da carne ou da salada. Não sei se as calorias que gastei nos passadiços foram suficientes para equilibrar a balança.

Adorei mesmo.

Obrigada pelas suas preciosas dicas, Fernando!

Um Jeito Manso disse...

Olá P. Rufino,

Tinha-me passado a sua pergunta: não, não é na zona de Sintra, é no Ribatejo.

E, sim, Arouca está uma formosura, arranjada, linda, acolhedora!

P. disse...

Então deixo-lhe uma sugestão: embora não fique no Ribatejo, mas na Estremadura, mais propriamente perto de Alenquer, um dia façam um pequeno desvio, "ó pra lá, ou ó pra cá", e vão comer à "Senhora Tasca" (na Labrugeira). Magnífica cozinha, com uma variedade de pratos que só visto! E bom vinho igualmente. Convém reservar. Temos uns amigos por aí, no Ribatejo, mais propriamente perto de Santarém. Onde já estivemos com eles. Meu avô materno, que tinha uma das casas dele em Vila Franca de Xira (hoje sede do PCP), mostrou-nos (a nós todos os irmãos) o Ribatejo e fiquei sempre a sentir uma particular empatia pela região. Terra de touros e de animação.
P.Rufino