Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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quinta-feira, fevereiro 04, 2016

José Eduardo Martins, escute lá! Olhe que não fui eu que o mandei prender na 5ª feira passada, ouviu? Eu apenas me chateei consigo por V. ser tão incoerente nos debates na SIC, ouviu? Olhe, a sério que lamento saber que foi preso e ainda por cima por uma estupidez de todo o tamanho. Mas acredite: eu não tive nada a ver com isso... A sério.




Na noite de dia 27 insurgi-me aqui porque o ex-deputado do PSD, José Eduardo Martins, na televisão, parece que fala para ter audiências e, portanto, para continuarem a contratá-lo, diz e desdiz, tudo com igual displicência e convicção. Se antes era geralmente contra o governo do Passos Coelho por achar que tanta austeridade era má para o país, agora que António Costa está a propor um alívio com vista a relançar a economia, é também contra. Passei-lhe aqui um raspanete, portanto.

Foi, portanto, o post que esteve disponível para leitura na quinta-feira. Ora bem. Nesse mesmo dia, logo de manhãzinha -- sei agora -- dois agentes apresentaram-se em casa do dito comentador, ex-Secretário de Estado e ex-Deputado para o prender. À frente dos filhos, acrescente-se, e sem o informarem das razões, levaram-no preso.


O que ele descreve é de loucos. E porque é que o prenderam? Felizmente não foi para me agradarem, senão acharia um absurdo excesso de zelo, não haveria essa nechecidade, até porque se vão a correr prender todos aqueles de quem eu aqui mostro alguma distância, qualquer dia não tinha de quem falar.

Transcrevo o seu artigo, Kafka e eu, do Jornal de Negócios.


No Tribunal, outros agentes, o mesmo traquejo a lidar com criminosos… Lá me encarceraram numa cela que, a rir, disseram já ter albergado um ex-primeiro-ministro. Pedi outra. Já não tinha direito a pedidos. Meia hora a olhar para as grades (nota: nunca ser preso sem levar um livro, pois não ficamos com telemóvel ou tablet) e lá vamos à diligência, o "my day in Court". Se me privaram da liberdade, vou certamente poder perguntar ao juiz ou ao magistrado do MP as razões de tão gravosa medida. Enganem-se. 
Não havia magistrados, mas apenas uma engraçada e populista oficial de Justiça. 
Sentei-me. Olhou para o processo e disse: "Bom, é para lhe perguntar se confirma as declarações que fez. E, eventualmente, se quer acrescentar mais alguma coisa." 
Desculpe!? Sim, é isso mesmo, prenderam-me às 7h30 da manhã em frente aos meus filhos para que eu confirmasse o meu depoimento enquanto vítima de um assalto a minha casa. Não poderia isto ter sido feito por escrito, sobretudo com menor dispêndio de recursos e, já agora, de privação de liberdade?

Será que também tiraram a fotografia da praxe a José Eduardo Martins? 
  

José Eduardo Martins foi preso porque a sua casa de Grândola foi assaltada, apresentou queixa e depois não compareceu quando o chamaram para prestar informações. Vai daí não foram de modas: num dia mandaram-lhe uma multa de 204 euros e no dia seguinte foram a casa prendê-lo. Ah leões!


Diz ele que a casa já foi assaltada 4 vezes. Ou seja: não apanham os ladrões -- e prendem a vítima. É de loucos!

...

Este tema para mim está muito fresco. No fim de semana, na nossa casa no campo, um vizinho que tem uma casa no início da rua passou por lá, abrandou e cumprimentou-nos, perguntando se tínhamos encontrado tudo bem. Admirados, dissemos que sim. Ele explicou, então, que, uma vez mais, tinham andado ladrões na zona, que tinham entrado na propriedade dele para roubarem umas ferramentas que tem lá num armazém, que tinham ido de noite, com eles lá, e que os cães até deram por isso mas que deve ter ficado outro a distrair os cães na direcção oposta porque ele foi para lá e não viu nada mexido; e que há dias lhe tinham roubado umas ovelhas; que lá mais abaixo tinham roubado não sei quê.

Perguntei se tinha apresentado queixa. Riu-se: 'Para quê?, não fazem nada e ainda nos metemos em trabalhos, chamam-nos ao tribunal, é coisa para um dia perdido, se não vamos ainda nos multam, só chatices para nada'. Pensei que, se não apresentam queixa, é como se não houvesse assaltos, assim é que ninguém pode fazer alguma coisa.

Mas depois recordei-me de quando assaltaram a nossa casa, há uns dois anos e picos, felizmente tendo levado apenas coisas do exterior. Nessa altura, apresentámos queixa e os agentes da GNR disseram que não podiam fazer nada, não tinham meios. Deu-me até pena do senhor, ali sozinho, nem jeep tinha. Algum tempo depois, recebemos a informação de que o caso tinha sido arquivado por falta de provas ou coisa do género. Felizmente não nos fizeram perder um dia de trabalho.

Mas o que me deixa consternada é que não há agentes para fazerem patrulhas, para vigiarem as casas mesmo em zonas ou em períodos de assaltos; e depois há agentes para andarem a prender as vítimas dos assaltos. É de loucos! De loucos!

Perante isto o que penso é que nem é falta de meios: é falta de gestão, de organização, de cabeça, de tino, é as coisas andarem sem rei nem roque.

O anterior governo apenas desgovernou, deixou tudo de pantanas. A nova ministra, Francisca Van Dunen, que deve ser uma mulher tesa, nem deve ter mãos a medir, tantos os fogos que tem para apagar, tanta a bagunça desorganizativa que deve estar a encontrar por todo o lado. Coitada. Parece ser uma mulher serena e bem que a serenidade lhe vai ser bem precisa.
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Bem. Só espero que deitem a mão a este assunto, que se organizem, que prendam os ladrões e deixem em paz as vítimas. Eu, pela parte que me toca, o que posso fazer é oferecer-me para dar uma ajuda nas patrulhas. Se é esse o problema, olhem, posso avançar em regime de voluntariado.

(Mas olhe, ó Sr. Zé Eduardo, não vale e pena pedir-me que o vá prender outra vez que já tenho a agenda cheia.)
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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma quinta-feira muito feliz.

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2 comentários:

Anónimo disse...

Ora aqui temos um caso tipo matrix, o man ou o partido dele aprova uma lei, mas que em princípio aplica-se à plebe, nós estamos no Olimpo, quando a realidade (a lei aplica-se a ele) entra-lhe pela casa dentro, aqui-d'el-rei, que vivemos numa República das bananas, e aquele pormenor de não querer ficar na mesma cela que o Sócrates, devia ter sarna ou pulgas.

entrelinhas não querer ficar na mesma cela , é assumir que Sócrates é um criminoso, e eu não sou , sou vítima de um sistema, que nos intervalos do golfe vou lá ajudar a cria-lo.

Fica aqui o que consta (parte que interessa) de uma notificação:

"Se faltar injustificadamente ficará sujeito ao pagamento de uma multa entre 2 Ucs. (204 Euros) e 10 Ucs. (1020 Euros) e na eventualidade de ter de comparecer sob detenção (art.º 116, n.º 1 e 2 do código de Processo Penal - http://www.pgdlisboa.pt/leis/lei_mostra_articulado.php?artigo_id=199A0116&nid=199&tabela=leis&pagina=1&ficha=1&so_miolo=&nversao=#artigo)
O impedimento de comparecimento, sendo previsível, deve ser comunicado ao Tribunal ou Serviços com 5 dias de antecedência ou , não sendo previsível, no próprio dia e hora designadas para a prática do acto (art.º 117º n.º 1 e 2, do código de Processo Penal - http://www.pgdlisboa.pt/leis/lei_mostra_articulado.php?artigo_id=199A0117&nid=199&tabela=leis&pagina=1&ficha=1&so_miolo=&nversao=#artigo)


Bob Marley

Anónimo disse...

http://expresso.sapo.pt/multimedia/2016-02-04-259-para-explicar-o-mundo-como-os-bancos-destruiram-40-mil-milhoes




2:59 para explicar o mundo: como os bancos destruíram €40 mil milhões


Bob marley