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quinta-feira, janeiro 28, 2016

José Eduardo Martins sofre do síndroma do homem rude / homem polido?
Ou seria melhor mudar o figurino dos debates televisivos?
(Como estou sempre do lado da solução e não do problema, dou uma sugestão)


Aquele senhor já uma vez me divertiu na Assembleia da República desafiando um outro do PS para uma cena de pancadaria na rua e mandando-o para um sítio muito feio (lamento mas não consigo ser explícita: é o único palavrão que tenho dificuldade em dizer), sob o olhar estarrecido do Diogo Feio, moço mais dado a manifestação Cristãs do que a vernaculadas puras e duras. 


Depois, na era lapariana, José Eduardo Martins, nos frente-a-frente da SIC, foi crítico, não gostava de tanta austeridade, quase pedia desculpa à Mariana Mortágua por ser PSD, e todo ele era moderação, demarcava-se às escâncaras da trupe pafiana. 


Pois bem, hoje, julgando-o ainda moderado, numa de conciliador e compreensivo para com as medidas do Governo, especialmente perante a tentativa de ingerência dos burocratas de Bruxelas, face a uma Ana Catarina Mendes (a quem a Clara de Sousa e ele próprio, num lamentável lapsus linguae, trataram por Ana Catarina Martins), fui surpreendida: não senhor, já não estava moderado, estava outra vez na sua versão do contra, contra o orçamento, contra o aliviar da austeridade, contra até o que não conhece, contra, contra, contra.

Não sei se será uma coisa pessoal: se gosta de quem tem pela frente derrete-se, se não vai muito à bola, passa ao ataque. Acho que, para testar esta idiossincrasia comportamental, se poderia pôr à frente do cavalheiro a Mariana e a Ana Catarina, as duas ao mesmo tempo, e ver se se porta como o talhante dos Monty Python, ora rude, ora polido.

The Butcher Who Is Alternately Rude and Polite - Monty Python's Flying Circus





Mas, a seguir pensei numa coisa: ele está ali para fazer o papel de opositor do governo, a voz do contra. Se se mostrar compreensivo, às tantas leva ordem de marcha e ainda contratam o Amorim, que sempre arma maior chavascal, ou aquele puto que parece que era secretário de estado e que agora vai a todas. Por isso, numa de lei da sobrevivência, é ver o José Eduardo Martins a fazer a agulha e a dizer aquilo que esperam que diga.

Mas o mal não é dele, que se é assim e ainda lhe pagam (quando ele é que, cá para mim, devia pagar a um psiquiatra para o tratar da dualidade comportamental), tem é sorte.

O mal é de quem acha que contratar comentadores formatados pelos partidos é um bom negócio. Eu, se lá estivesse na secção do Entretenimento (que acho que deve ser a que se ocupa dos debates), inovava. Contratava paineleiros não por serem a favor ou contra o governo, que isso já é coisa fora de moda, mas por serem giros, ou por serem malucos, ou por serem totós, ou por falarem comendo a sílaba do meio, ou por terem barba só dum lado da cara, ou por usarem meio capachinho e pendido para a testa, ou por qualquer outra habilidade ou gracinha.
Qualquer coisa como a mesa de comentadores que abaixo se vê, cada qual mais maluco que o anterior. 
Garanto que audiência não lhes haveria de faltar. Agora aturar cromos como este José Eduardo Martins ou tantos outros que por aí andam a vender refrescos partidários...? Lamento mas não há pachorra. 

...

Claro que podem ir um pouco mais longe: podem pôr os moderadores trajados de forma a motivar os espetadores com gostos mais mais minimalistas. E, quem diz os moderadores, diz, até, os próprios paineleiros. Por exemplo, todos nus, apenas com um avental. Mas não um avental qualquer, claro está. Estou a imaginar a Clara Ferreira Alves com um avental todo fashion, em tricot, feito por elle-même, o Pedro Marques Pereira, claro, a fazer pendant com ela, o Daniel Oliveira, que deve ser peludo todos os dias, com um aventalinho à macho man (e mais não digo), aquele do Inimigo Público que tenta esconder a barriga, com um espartilho -- eu assim não ia perder o Eixo do Mal, oh oh, claro que não. 

Para quem não tenha imaginação, aqui vai um exemplo de um negócio que, recorrendo a esta poderosa arma, se soube fazer distinguir da concorrência:

Uma Padaria diferente das outras




....

Ora bem.
Resumindo: não há por aí um Provedor do Espetador?

Se há, só espero que espete o dedo e lance a confusão nos canais de televisão -- é que já não se aguenta tanto tédio e parvoíce.
...

Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela quinta-feira.

Be Happy.


1 comentário:

Cesar Monteiro disse...

Cara:interpelei essa besta via face:
"Caro Zé, arruaceiro de ocasião, burgesso estrutural,  (e parafraseando a minha progenitora:) mal-educadão de circunstância:

Com que então à "caralhada" vulgo “recaralhada”, alto e bom som, em pleno parlamento, envergonhando o país e as suas instituições democráticas?!... Rico serviço! Os poucos e anacrónicos monárquicos que conheço regozijaram de alegria com a sua conduta de primata, isto já para não referir o descrédito em que o seu arzinho frágil e o seu sotaque pindérico (à "Viseu"!) mergulharam o "palavrão", verdadeira instituição nas províncias de Trás-os-Montes e Alto Douro!… Um verdadeiro atentado a esse potencial património imaterial da humanidade!!! E que dizer da prosápia de se limitar a pedir desculpa apenas aos seus pares IGNORANDO, PORTANTO, A RALÉ/O "POVO" QUE O ELEGEU! Se a soberba fosse um tónico capilar o Zé seria filho do Tony Ramos e de uma barata…

Toque-se e reveja a sua postura, honestamente! Creia-me inteiramente à sua disposição para (ainda e a muito custo) o tentar educar!!!

Atenciosamente,

C. Monteiro "