Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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quarta-feira, dezembro 16, 2015

Mas como é que um jornalista que se preze, como acho que é capaz de ser o caso do José Alberto Carvalho, se dá ao desfrute de, a seguir à entrevista do Sócrates, se dá ao desfrute de ter ali ao balcão duas histéricas? Duma sei o nome, Raquel Varela, que se arma em jurista sem o ser, toda moralista e justiceira, mas da outra apenas tenho a vaga ideia que é uma tal Sofia, frenética apoiante do PàF. Mas, para além disso, quem é aquela esganiçada e insuportável criatura para ali estar a opinar, senhores? Quem?!


Estive a ver a entrevista: Sócrates no seu melhor. Dele e da entrevista já falo. Mas agora quero mostrar o meu espanto. Várias vezes já aqui o referi: não consigo perceber qual o critério que preside à escolha dos comentadores que são levados às televisões.

Imagino que lhes saia mais barato, em vez de terem pessoal próprio, com vínculo laboral -- em relação aos quais teriam responsabilidades de diversa ordem -- prescindirem de ter um corpo de jornalistas competentes e recorrerem, pagando à peça, a tudo o que é cão e gato que goste de palco e que não tenha tento na língua nem parafusos na cabeça. Repito-me mas volto a dizer: admito que alguma da gentinha que por ali desfila até pague para aparecer.

Por inércia, ficou a televisão onde estava: na TVI 24. Tendo o José Alberto Carvalho por pessoa com alguma sobriedade e respeito pela sua profissão e pelos seus telespectadores, não me passaria pela cabeça vê-lo ali, a ouvir a opinião de duas que pareciam completamente descompensadas. É certo que me pareceu vê-lo aflito para controlar o cacarejar frenético delas mas quem o mandou enfiar-se na capoeira? Aturar a tal Sofia, que faz um ar de quem se acha esperta, e a outra, Raquel, com ar de quem se acha superior, é coisa para tirar qualquer um do sério. Umas criaturas cheias de ódio, ódio a Sócrates, mas nem sei se é ódio se aquilo é apenas parvoíce, estupidez natural. Não as conheço de lado nenhum para poder formar opinião mas uma coisa posso dizer: não têm maneiras, não têm decoro, não têm elevação, não têm mundo, não podem conhecer a vida para opinarem da forma leviana como opinaram. E é que nem têm sequer timbre de voz que se aguente. Que coisa mais horrível.

Estava lá o Paulo Campos mas já não o ouvimos pois tivemos, por higiene e bom senso, que correr com aquelas duas da nossa sala. 
Não sei quais os critérios de escolha já o disse. Mas há uma outra coisa que sei: quem gere uma empresa, seja ela qual for, pode recorrer a fancaria, a produto de saldo, a produtos indiferenciados. Talvez, num primeiro momento, consiga algum algum mercado mas isso não é sustentável pois há sempre quem consiga vender um produto mais ordinário, a preço da uva mijona, que não cumpra com os regulamentos. E rapidamente vai à falência. É também isto que está a acontecer aos jornais que começaram por recorrer a gente sem qualidade, acabaram a despedir jornalistas, e, naturalmente, vão tender para zero, vão fechar. 
Portanto, com aqueles dois produtos de resto de colecção ali no balcão da TVI 24, a dita Sofia e a dita Raquel, fugimos a sete pés da TVI. Acredito que, como eu, toda a gente que assistiu aos guinchos raivosos daquelas desvairadas terá feito o mesmo -- talvez apenas os surdos se tenham deixado ficar.

Face a esta experiência traumática e ao que sistematicamente se passa, pergunto: quando é que os jornalistas começam a lutar pela honra da sua profissão? Ou quando é que aparece um novo órgão de comunicação social que prime pela inteligência, isenção, qualidade, arrojo, dignidade e que saiba exercer a sua função primeira que é comunicar?

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PS: Se alguém me souber dizer o apelido da dita Sofia, agradeço, para ver se descubro de onde apareceu aquilo, que CV tem e o que é que a torna habilitada a ali figurar.
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Cá está ela: Sofia Vala Rocha.


Agradeço ao Leitor Humberto Barbosa que, em comentário abaixo, me deixou o link para eu poder ver a identidade da insuportável criatura a que acima me referi. E já verifiquei no dito link que, sim, conforme diz o Leitor Senhor dos Trópicos, a dita pessoa já passou mesmo pela Barca dos Infernos. E eu, lendo isto, ainda mais pasmo: se ela antes já era como eu hoje a vi, como é que ainda a contratam? Ou será que lhe deu alguma coisinha má e hoje aquilo foi um epifenómeno? Que cena aquela...

E acabei de receber por mail a entrevista na qual a dita comentadeira diz de si própria:
Disparo primeiro, pergunto depois. Não gosto de admitir que errei. Nem de dar o braço a torcer. Não costumo dar uma segunda oportunidade.
Portanto, estamos conversados. Menina atinada para ali estar a opinar perante o País. A equipa de gestão da TVI que não mude de agulha, não. Quando deram por eles, foi-se a share, foi-se a publicidade, foi-se tudo. Contratar disto não é uma boa opção, não é não. O barato às vezes sai caro.

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Convido-vos ainda a visitarem o meu outro blog, o Ginjal e Lisboa, onde hoje vou pela mão de Casimiro de Brito.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela quarta-feira.

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9 comentários:

Humberto Barbosa disse...

Boa noite caríssima UMJ
Aqui vai um link sobre a tal e insuportável Sofia, que está em tudo quanto é festa PàF

http://caras.sapo.pt/famosos/2015-09-26-Sofia-Vala-Rocha-Medo--Nao-tenho-medo-de-nada

Uma boa noite e tudo de bom
HB

senhor dos tropicos disse...

Sem ter visto nadinha, aposto q era a q aparecia no programa barca do inferno! Tb nao me recordo do nome.

senhor dos tropicos disse...

Sofia vala rocha. Atenção, trata se de um feeling meu.

Anónimo disse...

Aquilo daquelas duas e o Paulo Campos foi mauzote. Sobretudo, ficaram mal na fotografia, lamento dizê-lo, as duas senhoras. Pedia-se-lhes calma e seriedade no debate. E, acima de tudo, objectividade! Mas, infelizmente, não foi isso que sucedeu. Muita berraria, pouca distância, muito estado de alma, pouca serenidade, enfim, foi triste. A par disso, desse tipo de compostura, registei duas observações erróneas. Uma, vinda da tal Sofia Vala Rocha, surpreendeu-me, sendo jurista – mas que afinal veio a revelar ser incapaz de uma análise imparcial e objectiva, ao dizer, “Sócrates é acusado de vários crimes”! Um tipo ouve e espanta-se, sobretudo se possuir igualmente conhecimentos jurídicos. Sócrates é, tão só, “suspeito”. Não foi ainda indiciado oficialmente da prática de nenhum crime. A dita jurista Sofia “Valha-me Deus”, na ânsia de o destruir ali esqueceu-se deste importante “pormenor”. O outro erro foi cometido por Raquel Varela quando referiu que Sócrates era arguido. Na verdade, José Sócrates ainda não foi formalmente constituído arguido, pela simples razão de que o ministério Público ainda não lhe deduziu qualquer acusação. E depois, que diferença para o outro debate, com três excelentes advogados e juristas, que muito respeito: Magalhães Silva, Paulo Sá e Cunha e António Jaime Martins, a representar a Ordem dos Advogados. Este foi um debate civilizado, clarificador, objectivo, que discutiu aquilo que interessa, ou seja, a questão jurídica do caso Sócrates, sem estados de alma e politizações abstractas e patetas, embora, paralelamente, se abordassem alguns aspectos da nossa Legislação Penal e Processual Penal, o que é útil saber, sobretudo quando não se conhecem estes meandros judiciais. Julgo que muito telespectador terá aprendido ali alguma coisa de interesse. Enfim, um debate equilibrado, esclarecedor e civilizado, aquele com os 3 ilustres homens da barra.
P.Rufino

Anónimo disse...

Não leve a mal o comentador anterior, mas terei de fazer uma correcção relativamente à qualidade de arguido, que JS efectivamente tem. É que se tiver de ser (ou não tiver de ser, mas for...) aplicada uma medida de coacção a alguém (mesmo que só TIR) é obrigatório que esse alguém seja constituído arguido. Tal constitui por si um labéu, face às conotações atribuídas á palavra por jornalistas mal informados e vozes-do-dono manipuladoras. A intenção da lei, no entanto, até é boa, é a de proteger - p. ex. uma vez constituída arguida uma pessoa pode recusar-se a responder a perguntas acerca dos factos que lhe são imputados (consequência do princípio tantas vezes esquecido que é à acusação que cabe provar todos os elementos do tipo ou tipos de crime).
MPDAguiar

Anónimo disse...

De forma nenhuma, caro MPDAguiar! É uma observação pertinente a sua. Ao referir o que referi tinha em mente tão só e apenas o que estabelece o Art.º 57º do CPP, ou seja, no seu aspecto mais formal, relativamente à constituição de arguido - após a dedução de uma acusação. Mas, fez bem em mencionar o que estabelece o artigo seguinte do CPP (58º), assim deixando uma ideia mais clara da figura do arguido (e da sua constituição).
Cordialidade,
P.Rufino

Unknown disse...

Quando li isto lembrei-me deste post.

http://estatuadesal.com/2015/12/16/socrates-e-a-entrevista/

Um Jeito Manso disse...

Olá Unknown,

Bem... que post fantástico, esse. Muito bem escrito, muito bem articulado. É uma coisa ao estilo 'pega de caras' -- um forcado que se faz ao touro mesmo vindo ele a correr do lado de lá da praça. Grande texto. Obrigada por tê-lo referido aqui.

Anónimo disse...

Gostei igualmente de ler o tal Post, no Blogue Estátua de Sal, aqui sugerido. Um bom Blogue e um Post e tanto!
P.Rufino