Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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terça-feira, dezembro 29, 2015

Alô, alô Teresa Leal Coelho! Cortar no pagamento de Horas Extraordinárias nos hospitais é, directamente, sinal de boa gestão...? Hello... Dahh...
E o fim dos piropos pro bono: tempos de sensaboria em perspectiva.
E o irrevogável (?) adeus do vice-Paulo Portas.


Jantar tardiamente tem vários problemas. Claro que poderia evitar um deles mas é esta coisa da curiosidade que matou o gato.
Não sei se é o gato ou o rato. Ao escrever isto, perguntei ao meu marido como é que se diz. Diz que nunca ouviu, que devo ter acabado de inventar. Mas acho que existe mesmo esta expressão. E se não é gato ou rato, muda-se a expressão para encaixar um coelho porque, desgraçadamente, parece que, sempre que há porcaria da grossa, há, por trás, mãozinha do coelho.
Adiante. Quero saber se há novidades, espreito a televisão e depois sai-me sempre a fava. O meu marido não quer ligar a televisão, diz que é uma paz poder jantar sem aquela gente a atentar-nos o juízo, no fundo acha o mesmo que eu, que, por cada um que diz coisa que valha, há meia dúzia de bimbos a dizer alarvidades. Mas eu persisto, nem sei bem porquê, é quase como se quisesse ver até onde vai a estupidez humana.

Bem.

Ligámos a televisão e aparece a Leal ao Coelho a debater com o Bernardino do PCP. Vêm à baila as mortes que vão aparecendo como consequência de não haver pessoal hospitalar para prestar a assistência necessária. Agora foi o senhor que, no Algarve, com um AVC, foi mandado, horas depois, para Coimbra: não resistiu. Nos AVCs é essencial uma assistência imediata e o que as filhas descrevem é de anedota - só que não dá para rir.


Pois bem: esperta como só ela, a dita menina, querendo desculpabilizar o seu bem-amado chefe e o Paulo Macedo, sai-se com isto: que é preciso contextualizar e mais não sei quê, que os hospitais estavam descapitalizados e tal e coisa e que os cortes foram só nas despesas farmacêuticas e nas horas extraordinárias.

Claro que nada do que esta gente diz é para ser levado à letra pois, com uma assombrosa assertividade, dizem a primeira baboseira que lhes ocorre. Não faço ideia de onde é que cortaram ou deixaram de cortar e se foi com conta, peso e medida ou à bruta. O que sei são os resultados que estão à vista: uma penúria a todos os títulos que, em alguns casos, impede o Serviço Nacional de Saúde de ser o que deveria ser e o êxodo do pessoal especializado para os hospitais privados. Mas uma coisa merece reparo: se ela diz, com ar de chica-esperta, que cortaram nas horas extraordinárias então é porque acha que pagar horas extraordinárias é coisa supérflua, é cortar nas gorduras más, é como não deixar as enfermeiras usarem chinelos Louboutin. Não há paciência.

Eu explico à senhora-dona-deputada que parece que é vice presidente do PSD: quando alguém trabalha para além do seu horário normal, está a fazer trabalho suplementar. Ora se é certo que receber o pagamento do trabalho extraordinário é ter um complemento para o ordenado normal, a verdade é que, sem esse incentivo, ninguém no seu pleno juízo aceita trabalhar horas a mais, sistematicamente e por tuta e meia.

O tempo que as pessoas têm sem ser de trabalho não é só tempo de descanso: é o tempo para ter a sua vida normal. E, dizendo isto desta maneira, tenho que me corrigir pois não estou a ser correcta - o direito ao descanso não é coisa para piegas: o descanso é uma necessidade vital. Mas, passemos por cima desse pormenor e vamos, até, admitir que a senhora-dona acha que gentinha dessa não precisa de ter descanso ou, sequer, vida pessoal. Mesmo assim eu digo-lhe: muita gente, quem tem vida própria, usa essas horas para ir buscar e levar os filhos à escola ou para assistir aos pais, para fazer as compras para a casa, para tratar da casa, para tratar da família. Muitas vezes, se o trabalho extraordinário é recorrente, os trabalhadores têm que contratar empregadas domésticas que, de outra forma, não precisariam. Ou seja, de uma forma ou de outra, por não terem disponibilidade, as pessoas acabam por incorrer em mais despesas.

Por isso, se não são justamente compensados, trabalham o horário normal e chega. E pode acontecer que isto nem seja uma opção individual das pessoas (ah, hoje não me apetece trabalhar mais porque o que recebo não me compensa...!): pode acontecer que os gestores hospitalares, por não terem funcionários suficientes e por não lhes poderem pagar as horas extraordinárias, tenham, simplesmente, suprimido serviços: daí não haver médicos e enfermeiros depois das 20 da noite, não haver equipas de cirurgia ao fim de semana, etc.

Ora gerir assim é fácil: basta cortar a eito -- e que se lixe quem sofrer as consequências.
[Teve um AVC depois das 8 da noite? Azarinho
Rebentou-lhe um aneurisna ao fim de semana? Paciência, não tivesse rebentado.]
Eu disse que é fácil -- mas atenção: é fácil para quem não tem consciência que lhe pese, é fácil para quem não sabe fazer melhor, é fácil para quem não tem jeito para gerir a coisa pública.

Por isso, senhora-dona Leal ao Coelho veja se percebe o que é a vida real antes de se pronunciar. Ou veja se atina. É que já chega de tanta sandice dita com tom doutoral, ouviu?

Melhor ainda. Senhores da SIC: a que propósito é que ali têm aquela criatura que, para defender o dono, diz as barbaridades que lhe vierem à cabeça? 

Ou querem que a gente, mal a vê, corra a mudar de canal? Acham que o canal é sustentável com artistas destes?
...

Nota de rodapé a propósito dos piropos



Com esta má notícia da criminalização dos piropos, será que já não posso tratar o láparo por coelho? Ou que já não posso tratar o Mendes por golden boy? E, se por aí nos aparecer outra vez o Lombinha dos Briefings, trato-o como? Por Lombinha mesmo? Não pode ser por ex-Secretário de Estado Lomba? Ou se um dia me aparece pela frente essa fera que dá pelo nome de Bruninho ou por Maçães-dos-Alemães, trato-o como? Assim mesmo? Já não posso piropeá-lo e tratá-lo por ex-Secretário de Estado? 


Não acredito. Não pode ser. Alguém que me revogue já, se faz favor, esse decreto. Que maçada.

E o vice-irrevogável, agora que parece que quer ir gozar do bem bom, quiçá tirar um curso de engenharia naval, deve ser tratado como? Por Portas dos Fundos? Querem lá ver que já não se pode tratar simplesmente por Paulinho das Feiras, ex-líder do ex-CDS?


Ah, outra coisa: devo mandar prender o meu amigo brincalhão que gosta de me chamar avozinha e dizer que é o lobo mau?

Que coisa, esta.

Este 2015 não me traz boas notícias, senhores?  


....

A saída de Paulo Portas, segundo ele uma decisão de vida - o início da saída de cena de políticos que não deixarão saudades.


Como acima referi, Paulo Portas anunciou que não vai recandidatar-se à liderança do CDS. É o bye bye que se esperava. Todo prosa, desejou felicidades, que não tenham medo e mais não sei o quê. Mas a verdade é que, aqui chegado, sem votos avaliados e sem relevância, ultrapassado pelos acontecimentos, ninguém o quer, a sua histriónica nulidade é um peso que já ninguém quer carregar.


Paulo Portas de saída da vida política,
Cavaco idem.
Falta Passos Coelho. 
Expectável. No outro dia, um ex-jornalista que, em tempos, conheceu bem os bas-fonds da vida política e que acompanhou de perto a cobertura mediática de um dos casos mais falados da justiça portuguesa, dizia que, agora que os PàFs foram à vida, o tempo de impunidade de Paulo Portas irá acabar, que sempre assim é. Perguntei o que queria ele dizer: referiu uns quantos rabos de palha. Nada de novo. Dizia ele: não vão descansar enquanto ele não sair da frente do partido e, depois, muito dificilmente não lhe farão a cama. Questionei-o de novo. Referiu que que é dos livros, que há muita gente que teve que engolir o que ele quis porque ele estava do lado do poder. Não tendo poder nenhum, haverá muita gente que o quererá fazer pagar olho por olho, dente por dente. Não sei. Não sei de nada desse sub-mundo em que política e comunicação social frequentam o mesmo boudoir.

Por isso, vamos ver se os próximos tempos, com Paulo Portas sem a impunidade parlamentar e apeado das várias geringonças do poder onde, ao longo de anos, medrou, não serão mesmo tempo de apedrejamento público daquele que foi um dos piores políticos deste País.
Se o forem, não contarão com o meu contributo. Acho sempre que julgamentos políticos se fazem nas eleições, julgamentos criminais fazem-se nos tribunais e que julgamentos morais fazem-se no recato da consciência de cada um. Por isso, espero que se saiba fazer essa separação, agora que Paulo Portas vai sair da política pela porta pequena. 
Entretanto, já ouço, na televisão, as comentadeiras de serviço, num frisson, frou-frou, a antever que o futuro dele talvez passe por se juntar à irmandade das santas inhas que, de balcão em balcão, vendem opiniões a copo. Havia de ter graça, tê-lo, papagaio avençado disfarçado de senador, todo poseur, a debitar postas de pescada a propósito de tudo e de nada. A menos que lhe pusessem pela frente a Ana Gomes - aí dificilmente sairia inteiro do estúdio.

Mas não sei, não faço futurologia. Contudo, se pudesse dar-lhe um conselho, dir-lhe-ia que, qual Julia Roberts (só vi o filme, não li o livro), fosse fazer um périplo de tipo 'comer-amar-rezar', até podia levar um camera man atrás para nos brindar, mais tarde, com o making of, ou, então, que fosse simplesmente meditar para a Índia, ou, melhor, que se tornasse missionário e fosse construir escolas para as bandas do Machu Picchu -- coisas assim, nessa base. Longe de nós, quero eu dizer.
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E, a propósito de apedrejamentos na praça pública, que entrem os meus amigos do circo voador.

Stoning - Monty Python's Life of Brian


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As duas últimas imagens que usei na ilustração do texto provêm do saudoso Kaos. As restantes provêm do imenso espaço sideral da net (que é como quem diz).
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Estava a pensar fazer um post sobre as diferenças entre homens e mulheres mas meteu-se isto que acabaram de ler e agora já não tenho fôlego. Talvez amanhã.

Então, pus-me a fazer um post sobre striptease, mostrando dois estilos muito diferentes para que as minhas Leitoras, consoante o seu tipo, se inspirem e se preparem para surpreender alguém no réveillon e para que os meus Leitores, homens, avaliem bem qual o tipo de stripeasers que preferem. Já está quase pronto, o meu little post, mas está a dar-me a travadinha, sono, sono, e, portanto, vou deixá-lo em banho-maria para lhe dar os toques finais amanhã de manhã ou à hora de almoço. Durante o dia sairá à cena. 

Até lá, despeço-me já, desejando-vos, meus Caros Leitores, uma bela terça-feira.

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3 comentários:

Anónimo disse...

Gosto de a ler jeito manso! Ultimamente, revejo-me pouco no que diz mas também não é essa a ideia. Agora dizer que Paulo Portas seria despedaçado por Ana Gomes é um pouco excessivo. Não assistiu ao desempenho da senhora na comissão de inquérito à aquisição de material militar? Aquilo são só bocas sem qualquer substrato...

Anónimo disse...

O curriculum da Teresa Leal Coelho fala por ela. Lamentável. Vergonhoso. De resto, a malta da Direita Radical, como o PSD/CDS, sofre de um problema de caracter, que consiste em não reconhecer culpas do mal que praticaram nestes últimos 4 anos. Um deles, aí está, no sector da Saúde. Com tantos cortes e até despedimentos, para além de falta de investimento em equipamento e pessoal qualificado, médicos e enfermeiros, etc, deixou-se, consciente e deliberadamente, num acto diria criminoso, chegar à situação que se conhece, com os resultados ou implicações gravíssimas a que isso levou, amplamente noticiado. Leal Coelho, Passos, Portas, Albuquerque e sobretudo Paulo Macedo foram responsáveis pelo estado de coisas que agora melhor se vai sabendo, no SNS e nos hospitais públicos. São gente abjecta, moral e politicamente. Felizmente que nos livrámos desta corja. Haja agora vontade política para mudar a herança deixada e melhorar a situação.
Quanto a Portas e à sua saída de cena, no CDS, não sei se é para levar a sério, se não passa de uma daquelas caricatas encenações em que é mestre. Mas, a verdade é que ele sabe bem que nos tempos mais próximos não voltará à ribalta do Poder e mesmo se algum dia a Direita, via PSD, voltar a ser governo é duvidoso que o irão buscar. Dar-lhe-ia um conselho, que mantenha a impunidade de Deputado. Assim corre menos riscos, se a Justiça começar a esgravatar nas porcarias em que se meteu. De resto, como pantomineiro político, não deixará saudades. Que vá para o Diabo que o carregue é o meu desejo. Talvez venha a ser visto por algumas paragens que tanto costumava visitar, ali para os lados do Dubai, quando era vice-rei do governo rejeitado. Ao colo de alguns empresários.
O que ele não esperava era que António Costa lhe fizesse a cama onde desejava voltar a deitar-se. Assim, foi corrido do Poder. E o seu CDS, artificialmente insuflado, com 18 Deputados, poderá um dia vir a finar-se. Ainda acaba integrado no PSD e juntos darem origem a um qualquer Partido Liberal. Não me admirava nada.
P.Rufino

Rosa Pinto disse...

Bom dia jeitosas e jeitosos.

Sobre a matéria - quem não gosta de Adília Lopes....

«Em 81 disse à Dr.ª Manuela Brazette, psiquiatra, "Eu sou feia". Ela disse-me "Não é ser feia. Não há pessoas feias. Não tem é atractivos sexuais". Lembrei-me então do homem que em 74, tinha eu 14 anos, se cruzou comigo no Arco do Cego. Lembrei-me do homem, da cara do homem vagamente, mas lembrei-me muito bem do que ele me tinha dito ao passar por mim. Tinha-me dito "Lambia-te esse peitinho todo". Lembrei-me também da meia-dúzia de outros homens que durante a minha adolescência me tinha dito quando eu passava "Coisinha boa" e "Borrachinho". Ainda hoje me sinto profundamente agradecida a esses homens. Pensei que estavam a avacalhar, que eram uns porcalhões. Mas quem estava a avacalhar era a Dr.ª Manuela Brazette, ela é que é uma porcalhona. Acho que um homem nunca consegue ser mau para uma mulher como outra mulher.»