Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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sexta-feira, outubro 30, 2015

No dia da tomada de posse do novo e breve Governo de Passos Coelho, fico a pensar: Ora bolas, este governo de perna curta não vai ter tempo de dar mais nenhuma ajudinha aos banqueiros... Que pena!
Aos banqueiros, disse eu? Ou deveria ter dito aos banksters?
E o Carlos Costa (aquele que, numa escala de 0 a 10, teria uma nota de 8 ou 9 -- já que o 10 está reservado ao Diabo)? Vai continuar, na boazinha, no BdP?
Pergunto, só pergunto...


Nesta sexta-feira vamos ter uma rábula das boas. Um grupo de artistas vai fazer de conta que vai fazer um governo e um presidente da república vai fazer de compère, alinhando na paródia. Uma tomada de posse surrealista. Nem sei bem como deve a gente conviver com este número circense:
  • Assobiar para o lado e fingir que não vê, para não se rir? 
  • Por caridade, disfarçar que não percebe que aquela gente parece tonta? 
  • Aconselhar aqueles tristes a ir para casa pelo seu pé e, de carrinho, levarem o cavaco ao colo?

Não sei. 

O que sei é que, nos últimos dias, esta gente tem andado numa lufa-lufa criando cargos, nomeando gente e gente e gente e já lá vão mais de cem, e que, para cúmulo, o perspicaz Carlos Costa (o do Banco de Portugal, não o da Quinta das Celebridades) acaba de escolher o 007 das privatizações, o ágil Sérgio Monteiro, para ver se despacha o Novo Banco. Nem mais. Ou seja, com esta gente, até ao lavar dos cestos é vindima.


Sob o diáfano manto da protecção lapariana, Carlos Costa mostrou até que ponto pode chegar a nulidade na regulação bancária. Vejamos até quando vai ter carta branca para continuar de olhinhos bem fechados quando conveniente ou a carregar no acelerador quando a conveniência puxar noutro sentido.

(Parece a República das Bananas, isto. Ou melhor: dos bananas).

...

Permitam-me agora recurar uns anitos.

Um país inteiro fica, sem saber bem como, à mercê dos mercados, vê os juros dispararem à bruta, fica toda a gente assustada, de repente a dívida fica descontrolada, é preciso mais dinheiro e, para o ir buscar, só pagando a peso de ouro. Os bancos aflitos com medo de já não poderem vir buscar o deles, e os juros upa-upa, e toda a gente a pedir o pescoço do primeiro-ministro de então e a implorar um resgate. E então junta-se o FMI, o BCE e mais uns trouxazitos burocráticos e vêm por aí, de pasta na mão, a pôr e a dispor enquanto se apressam a arranjar maneira dos bancos alemães e franceses tirarem de cá o deles. Em Portugal isto passou-se em 2011, era Sócrates primeiro-ministro que foi derrubado e passou a mandar Passos Coelho, o Pedro abridor de portas, o facilitador, aquele que quis ir além da troika. A partir daí foi o que foi, acompanhado de uma campanha permanente para que os portugueses, sempre mansinhos, pensassem que a culpa tinha sido deles, que tinham comprado televisões a mais.

Pois bem, acabo de ler uma notícia espantosa.

Peter Boone: O doutorado de Harvard que manipulou dívida portuguesa



Um ganho de 820 mil euros com a venda a descoberto de dívida pública portuguesa. Este terá sido o factor que fez soar os alarmes da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), e que, sabe o Negócios, levou à participação pelo regulador ao Ministério Público. Em causa está Peter Boone, economista reconhecido internacionalmente, que terá escrito vários artigos de opinião, influenciando negativamente os juros da dívida portuguesa. O Ministério Público quer agora, por isso, que seja julgado por manipulação do mercado.
"O Ministério Público requereu o julgamento de um arguido de nacionalidade canadiana e residente em Londres, pela prática do crime de manipulação de mercado, tendo por objecto a desvalorização das obrigações do tesouro portuguesas", informou a Procuradoria-Geral da Distrital de Lisboa, em comunicado publicado na quinta-feira, 29 de Outubro, no próprio site. O Negócios sabe que em causa está Peter Boone, economista doutorado na Universidade de Harvard e autor de vários artigos de opinião.
(...) O Negócios sabe que a denúncia partiu da CMVM em 2012, sendo que o regulador foi contactado como perito durante toda a investigação. "O próximo problema mundial: Portugal" é o título do artigo mais polémico, que escreveu com Simon Johnson, em Abril de 2010, no blog Economix do jornal The New York Times. Os autores apontavam os problemas da dívida pública portuguesa e defendiam que o país iria seguir o caminho da Grécia, pedindo um regaste internacional.
Tal foi o alcance do artigo que o então ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, chegou a pronunciar-se. (...)
Certo é que, logo após a publicação do artigo, a taxa de juro das obrigações portuguesas a 10 anos iniciou uma subida vertiginosa. Passou de 4,395% para um máximo de 6,285%, a 7 de Maio. Um desempenho originado pela queda do preço das obrigações, com a qual Peter Boone terá alcançado uma mais-valia de 819.099,82 euros graças a uma posição curta, diz o comunicado da Procuradoria. (...)


Gente fina esta que tão facilmente consegue despoletar uma situação em que, na maior facilidade, se leva um país a ficar de joelhos. Esteve bem a CMVM, mas é tudo tão lento que bem pode um sujeito destes dar cabo de um país que apenas 4 ou 5 anos depois se vê a contas com a justiça, numa altura em que os danos causados já são irreparáveis.

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Pois, nem de propósito, acabo de receber de leitor, a quem muito agradeço, um vídeo onde o autor do livro Banksters, Uma viagem ao submundo dos banqueiros (banker + gangster), Marc Roche, se pronuncia sobre Ricardo Salgado, Carlos Costa, Cavaco Silva e por aí vai.

O vídeo não é de agora, agora, mas é actualíssimo, especialmente numa altura em que se temem novos sobressaltos na banca portuguesa. Transcrevo parte da notícia que, por altura da sua vinda cá, também concedeu ao Expresso.

O caso Espírito Santo tinha todos os ingredientes de um desastre, precisamente os mesmos que Marc Roche, escritor belga radicado em Londres, viu no estoiro do Lehman Brothers em 2008. Foi esse choque que o motivou a desvendar os meandros dos seus "amigos" capitalistas financeiros. Para isso, escreveu "Banksters". 
(...) Só que, com o caso BES, o correspondente em Londres em assuntos financeiros para os jornais "Le Point" e "Le Soir", e até há pouco tempo para o "Le Monde", já não ficou admirado. Na Introdução para a edição portuguesa escreve que, no caso BES, a família de banqueiros com apelidos tão católicos cometeu seis dos sete pecados capitais bíblicos da finança - "opacidade das contas, cupidez, evasão fiscal, subtração à regulamentação, impunidade e orgulho". O verdadeiro choque teve-o há sete anos, o que o tornou um "desiludido do capitalismo", um "liberal que duvida", um "prosélito do capitalismo em crise de fé", como escreve no livro. (...)

Ricardo Salgado, um gangster de fazer inveja 



E, vendo o vídeo, lembrei-me de um outro que já antes aqui divulguei e que é interessantíssimo:

"O Banqueiro" poema de Craig-James Moncur, dito por Mike Daviot.



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Os origamis são feitos por Cristian Marianciuc

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No post abaixo falo dos símbolos que exprimem emoções e mostro dois vídeos, um mais para o doce e outro mais para o picante. Espero que gostem pelo menos de um deles.


2 comentários:

Fernando Ribeiro disse...

Este seu post é um verdadeiro serviço público. Muito obrigado.

Anónimo disse...

Os especuladores financeiros são gente Amoral. É o princípio base do Capital Financeiro, a inexistência de qualquer tipo de sentimentos, ou preocupações de ordem social, nacional, o que quer que seja. Manda o dinheiro!
P.Rufino