Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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domingo, outubro 25, 2015

Ao pé do João Miguel Tavares e de uma tal Sofia Vala Rocha até o David Dinis quase parece um craque do comentário político. Vi hoje na TVI este extraordinário trio de comentadores a opinar sobre a entrevista concedida por Jerónimo de Sousa a Judite Sousa. A coisa está a ficar ridícula, a derrapar para a caricatura. É isto televisão? É isto comentário político? Ou é stand up?


Para começar, tenho que declarar que apenas vi uns dois ou três minutos da dita entrevista na TVI. A Judite queria saber pormenores da negociação e do acordo entre o PCP e o BE e o PS e, naturalmente, Jerónimo escapava-se, repetindo a cassete (como ele próprio disse): não podia revelar, já que o processo não estava terminado - mas podia afirmar que o PS tem condições para governar.


Ao ver esse trecho da entrevista pensei que toda esta gente deveria ver o Borgen e aprender com o que se desenrolava naquela fantástica série, um verdadeiro manual na arte de estar na política democrática. No Borgen, sempre que a opinião pública estava ávida de informações, os políticos não se esquivavam mas as entrevistas, de pé, não ultrapassavam dois ou três minutos para responder de forma genérica a duas ou três perguntas.

É que, não tendo essa atitude de elementar prudência, e ao sujeitarem-se a uma entrevista demorada, sentados em frente a um entrevistador que tem tempo e margem de manobra para perguntar e reperguntar, os políticos ficam expostos a mil interpretações. É absurdo, dispensável.

Mas, por pensar isto e por pensar que aquela entrevista, nesta altura do campeonato, do Jerónimo na TVI em horário nobre, era um nonsense, desinteressada, saí da sala. Quando regressei, a entrevista tinha acabado e o balcão da loja estava ocupado por três inconcebíveis comentadores, moderados por Henrique Garcia. 

Não eram estes: estes são graciosamente coloridos.
Os da TVI, embora também todos da mesma cor, não são tão giros nem de tão fofa plumagem .

Fiquei estupefacta. Eram eles:

  • João Miguel Tavares que é, geralmente, um estarola, que emprenha pelos ouvidos e que tem uma capacidade de processamento da informação muito limitada;
  • uma tal Sofia Vala Rocha de que nunca tinha ouvido falar mas que, do que lhe ouvi, me pareceu ser uma cabecinha oca, uma daquelas embirrantes que ficam toda excitadinhas com as vacuidades que produzem;
  • e o David Dinis que, conservadorzinho, benza-o Deus, ali, ao pé daquelas duas araras, até quase parecia um papagaio-sénior.


E o que diziam aqueles três brilhantes pensadores?
Pois bem. Notoriamente, nunca nenhum deles deve alguma vez ter negociado o que quer que seja ou participado em alguma coisa que vagamente se assemelhe a uma negociação. Se tivessem um mínimo de experiência ou de conhecimentos, saberiam que, no decurso de uma negociação, é impensável divulgar esboços de acordos ou partes de acordos. Num processo destes, até ao último minuto, há ajustamentos que se produzem em função daquilo que as partes vão acertando entre si e, frequentemente, para se poder ceder num ponto, exige-se uma compensação num outro. Neste caso em concreto, em que, por exemplo, uns quererão aumentar apoios sociais e outros quererão manter as contas em ordem, haverá que encontrar fontes alternativas para evitar desequilíbrios. E quem diz isso, diz mil outros aspectos. E, uma vez acordados pontos entre dois dos partidos, haverá depois que os articular com o terceiro. Ou seja, até que as pontas estejam agarradas e o tecido devidamente cerzido, não há nada a divulgar. O que se poderá dizer não poderá ir além das intenções de se chegar a bom porto, e que uns abrem mão de linhas divergentes e outros se concentram em aprofundar as linhas convergentes. E coisas assim. Nada mais.

Por não se poder passar disto é que é absurdo andar a dar entrevistas. Mas, enfim, se isso é absurdo, ainda o é mais, arregimentar três criaturinhas como aquelas que acima referi para opinar sobre nada. 

Ou seja, tendo que falar sobre nada, o que revelam é a sua incompreensão por não terem sobre o que falar. 

Claro que, se fossem experientes ou espertos, ou seja, se tivessem competência mínima para serem comentadores, falariam também de generalidades em vez de se porem a esgravatar com o bico no chão, doidos por não descobrirem milho. E, então, o que disseram eles? Pois. Que achavam inconcebível que não se conhecesse o acordo, que já deveriam conhecer o acordo, que Cavaco Silva se calhar fez bem porque afinal não há acordo nenhum. Paf...

Coitados. O mal nem está neles, o mal está em quem os contrata como comentadores, o mal está em quem lhes dá ouvidos.
Quando três partidos que nunca negociaram conjuntamente com vista a encontrarem uma solução de estabilidade governativa, numa reviravolta extraordinária, resolvem pôr de parte as suas divergências e unir-se para mudar a vida do país, é natural que não cheguem a acordo do dia para a noite. Mal fora que, num ápice, aparecesse um acordo feito à pressão - significaria que tinha sido feito em cima do joelho, correndo risco de estalar à primeira contrariedade. 
Mas, mesmo que já exista um acordo na sua forma quase definitiva, só um totó é que o iria sujeitar ao fogo cerrado com que a papagaiada o iria atingir. Uma coisa destas apenas poderá ser divulgada junto da opinião pública quando estiver fechada, quando estiver organizado um esquadrão muito bem preparado que o defenda face à campanha de deturpação e manipulação que os PàFs e pró-PàFs vai, de imediato, lançar, e numa altura em que haja condições para que, efectivamente, um governo PS com apoio parlamentar do PCP e BE possa vir a acontecer. Caso contrário, avançar já, seria apenas arranjar lenha para se queimarem.

Mas vá lá explicar isto a serezinhos como o João Miguel Tavares ou essa tal de Sofia Não Sei Quantas?

O que dói é ver a comunicação social toda tomada pelos PàFs e pró-PàFs. Dói, enjoa, agonia, incomoda, maça, mete raiva, etc. Acho que está na hora de alguém das esquerdas e da democracia a sério, gente da cultura e gente que apenas fale quando saiba do que fala avançar para a constituição de algum jornal online ou de algum canal de televisão. Olha, se me sair o Euromilhões ou o Totoloto é investimento em que me lançarei de olhos fechados: público não faltaria porque estou certa que mais de metade do país está farta da indigência e badalhoquice que grassa na actual comunicação social.

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Agora, que já tinha dado por terminado este post, ocorreu-me que, às tantas, esta gente paga para ser comentadora. Será que as televisões funcionam com agências que vendem 'cenas' de verborreia a quem o queira? Talvez. É que não me parece possível que alguém pague àquela Sofia Vala Rocha ou àquele João Miguel Tavares para eles mostrarem as suas debilidades em público. Alguém de bom senso o faria? Duvido.

Parece-me, de facto, mais provável que seja uma área de negócio das televisões: venderem tempo de antena a quem o queira. Como aqueles não devem ter um poder de compra por aí além, só devem ter conseguido pagar para aparecerem a comentar uma coisa mais em conta como a entrevista da Judite ao Jerónimo.


E que não se pense que é invenção minha. Ná. Os meus amigos Monty Phyton já o descobriram há uns anos. A tradução é miserável mas, ainda assim, aqui vos deixo com a Agência de Discussão.





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Desejo-vos, meus Caros Leitores, um belo dia de domingo.

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6 comentários:

Anónimo disse...

De facto é verdade e até preocupante. A Direita tomou conta da Comunicação Social. O problema é que - felizmente - nem todos os que escutam aquelas aleivosias bebem o que ali se diz. Daí, esta trampa de Direita se multiplicar num sem número de comentadores de pacotilha para nos tentar lavar o cérebro. O meu não lavam.
Talvez as coisas mudem um dia.
Para já, o que me irá dar gozo é ver o tal PaF cair no chão com estrondo, na A.R, após ter sido rejeitada pela maioria actual - PS, BE, CDU.
P.Rufino

Anónimo disse...

http://2.bp.blogspot.com/--0jt9zfFsac/VivuoeOdowI/AAAAAAAAyro/iiQMJ7_OqxE/s1600/sofia%252Bvala%252Brocha.jpg

Aqui tem a menina Sofia no seu esplendor laranja!

http://corporacoes.blogspot.pt/2015/10/mais-plural-nao-ha.html

duarteO

Rosa Pinto disse...

Sem pachorra para a televisão, jornais e afins.

Antonio Cristovao disse...

Agora menciono um erro que fica mal, a menos que se considere uma sumidade : Disse : "gente que apenas fale quando saiba do que está a falar" e depois de ameaçar criar o tal meio de fina informação "publico não falta que mais de metade do país está farta".
Inclui-se naqueles que sabem do que fala e de que mais de metade do país anseia ouvir?
Não será petandismo a mais; é que pelo que li, encontro opiniões de que até nem concordo em grande medida e dou de barato que muitos possam gostar; mas mais de metade do país? O cavaco raramente se engana e presisa de compamhia para a reforma de gente do seu nivel!!

Corvo Negro disse...

Se me for permitido, assino por baixo o seu excelente texto.
Também já tenho andado a martelar no mesmo tema, mas é deserto que não ouve pregadores.
http://pralixados.blogspot.pt/2014/04/requiem-por-uma-imprensa-livre.html

Jaime Santos disse...

Quem é aquela com cara de Maga Patológica?