Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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sábado, agosto 15, 2015

A nudez integral de Sharon Stone: a beleza de uma mulher de 57 anos que teve um aneurisma e uma brutal hemorragia cerebral, que deixou de ser capaz de ler, escrever, falar, andar, que se divorciou, que perdeu a guarda do filho, que perdeu os bons papéis no cinema, que se sentiu humilhada e que, bela, belíssima, aí está de volta, inteira, pronta para a luta


Depois de, no post abaixo, ter aqui trazido São Mateus para me ajudar na resposta ao Quiz relativo às próximas legislativas, em que nos explica, com todas as letras, porque é que os PàFs deviam era ter vergonha na cara, agora parto para outra. E a outra tem um nome bem conhecido: Sharon Stone.

Não fazia ideia do que se tinha passado com ela. A gente lembra-se dela das cenas calientes de Instinto Fatal, o famoso cruzar e descruzar de pernas, a sedução provocante, a bissexualidade implícita, e a elegância e ambiguidade no Casino... e depois vai perdendo o rasto, e acaba por se fixar nas imagens do passado quase esquecendo que não está a vê-la no presente.

Sharon Stone naked photo after stroke

Até que a Harper'z Bazaar traz de volta uma Sharon Stone esbelta, carnes lisas, corpo escorreito, sem uma gordurinha a mais, nem um pneu que nos sirva de consolo. Nua. Completamente nua. 


O rosto já não tem aquela malícia que lhe escorria do olhar; mas como poderia uma mulher que se abeira dos sessenta anos ter a disponibilidade ostensiva dos trinta? Deixo-me, pois, de observações eivadas de caridade disfarçada, na verdade quase invejinhas bobas, e reconheço que tomara eu, caraças, tomara eu um corpinho bem feito destes.

E depois ponho-me a ler e vejo, com surpresa, o que se tem passado na vida desta mulher desde que em 2001 quase foi desta para melhor.

Transcrevo:

(...) To add insult to injury, Stone kept forgetting her lines.

"That was humiliating," the actress recalls. "Having worked with the finest people in the industry, I was like, 'Wow, I'm really at the back of the line here. I'm wearing L'eggs panty hose, and in makeup they start out by putting this white primer on my face.' I'm like, 'This is so bad. What did I do to deserve this?' "

Sharon Stone naked photo after stroke
The situation had to do in part with an aneurysm that Stone suffered in 2001 and a subsequent cerebral hemorrhage that lasted nine days. She emerged from the hospital stuttering, limping, and unable to read. Over the next few years, her marriage to journalist Phil Bronstein fell apart, and she lost custody of their adopted son, Roan, then eight. (...)

Only recently has Stone begun to talk openly about the brain hemorrhage and its crushing impact on her life. As she recalls it, she felt unwell for three days before she went to the emergency room. It turned out she'd had a stroke, and she lost consciousness soon after being admitted. "When I came to, the doctor was leaning over me. I said, 'Am I dying?' And he said, 'You're bleeding into your brain,' " she remembers. "I said, 'I should call my mom,' and he said, 'You're right. You could lose the ability to speak soon.' " Stone's mother flew in from Pennsylvania so quickly that she arrived at her daughter's bedside still in her gardening shorts.

Sharon Stone naked photo after stroke
Several days and two angiograms later, Stone was finally diagnosed with a ruptured vertebral artery. She says that at one point she woke up to find herself being wheeled into surgery and got into a screaming match with a doctor about alternative treatments. "I was hemorrhaging so much that my brain had been pushed into the front of my face," she says. Surgeons ultimately repaired the artery with 22 platinum coils.

The stroke and its aftermath transformed Stone in ways she's still discovering. "It took two years for my body just to absorb all the internal bleeding I had," she says. "It almost feels like my entire DNA changed. My brain isn't sitting where it used to, my body type changed, and even my food allergies are different." It took months for her to regain feeling in her left leg and years for her vision to return to normal; she also fought to eliminate a persistent stutter. (...)


Mas, apesar de tudo, ela cá está, de novo a tentar voltar para papéis dignos, para o palco mediático onde se sente em casa. E bela, belíssima. Queixa-se que há muito tempo que nenhum homem a convida para sair, parece que já nem se lembram das suas capacidades de flirtar mas, enfim, é certamente coisa temporária e parece-me pormenor perante a sua resistência, a sua força e, já agora, perante a beleza do rosto e das formas perfeitas do seu corpo.
...



E viva a vida
- que, tantas vezes, é traiçoeira e tantas outras é boa, feliz; e que é sempre efémera.

...

Em 1992, longe de saber o horror pelo qual iria passar, era assim:


Instinto Fatal
  
[realizado por Paul Verhoeven, onde Sharon Stone, fatal e provocante, contracena com Michael Douglas]

.....

E permitam que recorde: se é pelos frutos que os devemos conhecer, então, sigam, por favor, até ao post seguinte para que se veja a quê, na actualidade, podemos fazer corresponder os ensinamentos de Mateus.
...

Desejo-vos, meus Caros Leitores, um belo sábado, feliz, tranquilo.

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3 comentários:

Rosa Pinto disse...

Em tempos sobre - saber ou não cozinhar - comentei com um cozinheiro de profissão que nunca seria boa cozinheira pois faltavam-me ferramentas.
Resposta - não!!! As ferramentas na cozinha são como o estojo de maquilhagem para uma mulher bonita - ajuda mas....

Ora temos aqui uma mulher de fibra - a beleza ajuda mas...

Anónimo disse...

Matsuo Bashõ, um grande poeta japonês do séc. XVII, disse um dia que só se vive duas vezes, a primeira quando se nasce, a segunda quando se enfrenta a morte e dela se sobrevive. Não sei se terá sido essa a situação de Sharon Stone, mas são casos destes que nos fazem reavaliar a vida. Muito recentemente, tive ocasião de seguir dois casos próximos, um familiar, outro de um amigo, que, inesperadamente, se depararam com um cancro. As operações, ao que sei, terão resultado bem, embora fique sempre a eventual ameaça de uma hipotética recorrência. Ou talvez não. Mas, aquilo permitiu-lhes repensar a vida – de uma forma diferente. Depois de terem ultrapassado um caso desse tipo. Um amigo, já há alguns anos, tendo passado por uma situação semelhante, dizia-me, um dia, enquanto desfrutávamos um bom “branco seco”, antes do jantar, a ver o sol a pôr-se, lá em casa: “não fazes ideia de como sou hoje capaz de retirar prazer deste pequeno bocado, deste momento. Nunca sei se, um dia, o poderei gozar assim. Vivo a vida, embora sabendo que estou recuperado, dia a dia, nem mais, nem menos. E fico feliz de cada vez que acordo e me encontro vivo.”
E de facto estas coisa dão-nos que pensar.
P.Rufino

Rosa Pinto disse...

É realmente assim P.Rufino.
Quando em redor existem casos de doença prolongada/morte sentimmos cada minuto da vida como se fosse o último. Sem pânico. Apenas sabendo que um dia acaba.