Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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domingo, maio 17, 2015

Noite dos Museus em Lisboa - Jantar no Jardim do Museu de Arte Antiga [1º de 5 posts]


Este sábado à noite foi a Noite dos Museus. Visitei o Palácio da Ajuda e o Museu de Arte Antiga, ambos amores de sempre, em especial o segundo. Fiquei admirada por haver tanta gente. As pessoas gostam de cultura, assim se sintam convocadas. 

Não têm conta as vezes que visitei estes dois espaços ao longo da minha vida. O meu marido, na brincadeira, disse que devíamos ter levado 'as crianças' para ser uma visita igual a tantas às quais foram sujeitos quando eram pequenos em que, a certa altura, já só queriam eram pirar-se dali para fora. 

Nem têm conta, também, as vezes que estive no maravilhoso jardim sobre o Tejo, onde há uma pequena esplanada, onde se pode almoçar, onde se pode preguiçar o olhar, deixar que se espraie pelo rio, pela outra margem.

Esta noite, ao ar livre, foi aqui que jantei depois de ter visitado, mais uma vez mas sempre com igual prazer, descobrindo tantos aspectos novos, o Museu de Arte Antiga.

Se eu gosto de tomar as minhas refeições ao ar livre, muito mais gosto de esplanadas with a view ou assim, num jardim tão bonito como este. Numa noite quente como a que estava, uma brisa suave a subir do rio, as luzes, as estátuas no jardim, tudo tão agradável, estava-se tão, mas tão bem. Podia ter ficado ali até ser madrugada, a olhar as luzes do rio, a escuridão das árvores, a sentir a aragem, a pensar em coisas boas.




A luz que vem das pedras, do íntimo da pedra, 
tu a colhes, mulher, a distribuis 
tão generosa e à janela do mundo. 




O sal do mar percorre a tua língua; 
não são de mais em ti as coisas mais. 




Melhor que tudo, o voo dos insectos, 
o ritmo nocturno do girar dos bichos, 
a chave do momento em que começa o canto 
da ave ou da cigarra 
— a mão que tal comanda no mesmo gesto fere 
a corda do que em ti faz acordar 
os olhos densos de cada dia um só. 




Quem está salvando nesta respiração 
boca a boca real com o universo? 




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O poema é A luz que vem das pedras de Pedro Tamen

Catrin Finch interpreta Clair de Lune de Debussy

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, um belo dia de domingo.

Que se sintam felizes é o que muito sinceramente vos desejo.

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1 comentário:

Anónimo disse...

Já tenho andado por aí igualmente. E a vista dali é muito bonita, com o Tejo como pano de fundo. Lisboa possui hoje, sobretudo ao fim da tarde e á noite, locais espantosos para a desfrutar, ou em bares e restaurantes no topo de edifícios, que nos proporcionam vistas encantadoras, sobre a cidade, para o rio, para a ponte 25 de Abril, para a zona antiga, etc. E andar pela cidade durante esses períodos, sobretudo á noite, com a iluminação que a capital tem é de facto uma beleza. Infelizmente, só ocasionalmente desfruto disso, pois dá-nos uma preguiça imensa de nos metermos no carro e vir para Lisboa, ao fim de semana, Mas ás vezes sucede, para jantar algures. Fico quase sempre por Cascaias, Sintra, etc. Mas, ainda recentemente lá andámos a namorar por Lisboa á noite e vale a pena. E tem uma vida alegre! E come-se bem.
P.Rufino