Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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terça-feira, maio 12, 2015

Falar da biografia do encosto que dá pelo nome de Passos Coelho...? Era o que me faltava. Vou mas é falar de mulheres nuas. Bem. Também não é bem isso. É mais de uma em particular: Charis Wilson. E de Edward Weston que muito a amou.


Depois de no post abaixo ter escrito sobre Vivian Maier, a mais fantástica e secreta fotógrafa de rua, aqui continuo com fotografia, mas de outro tipo. Falo do amor transformado em imagens, falo de fotografar o corpo de quem muito se ama.







Gosto do corpo das mulheres. Penso que (em termos estéticos) gosto mais do corpo das mulheres do que do corpo dos homens porque prefiro as linhas curvas às rectas. Escrevo isto e recordo Oscar Niemeyer:

Não é o ângulo reto que me atrai, nem a linha reta, dura, inflexível, criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual, a curva que encontro nas montanhas do meu país, no curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar, no corpo da mulher preferida. De curvas é feito todo o universo, o universo curvo de Einstein.

O corpo das mulheres tem aquela suavidade de côncavos e convexos que o torna apropriado para ser percorrido por carícias, pelo olhar.

Um corpo de mulher deve ser apreciado de todos os ângulos e deve ser plástico e a sua plasticidade deve ser explorada, observada, estudada e, a cada nova combinação, o corpo deve ser outra vez apreciado, amado.




Deitada de lado, nua, numa cama. e a anca elevando-se e, depois, logo caindo até ao ponto de onde cresce a linha das costas, ou espreitada de cima, para que um seio se aviste por detrás da linha curva e macia do ombro. Ou sentada, um joelho subido para quase tapar os seios, os braços em volta da perna mas à altura devida, na proporção certa. Ou os pés e os braços como um véu, o rosto escondido, o pudor que é malícia e convite.




Ou a cabeça descaída para trás, o queixo subido, o colo nu, os braços cruzados sobre os seios. Ou sob os seios. Ou deitada de bruços, uma perna levantada, talvez tombando sobre a outra.

Ou vestida.




Ou vestida e a alça da blusa descaída. Ou sentada, a saia justa quase subida, a liga de renda quase à vista, os saltos altos, uma mão que ajeita a meia.

Ou nua depois do banho, uma toalha ou um roupão sobre os ombros, o braço mal cobrindo os seios, o ventre, o sexo a recato.




Qualquer posição. O corpo de uma mulher é sempre belo e assim deve ser visto, como um corpo belo.

Seja um corpo magro, quase sem curvas, quase sem seios, seja um corpo com curvas generosas, seios pesados, seja um tronco largo como de uma velha árvore, seja um corpo trabalhado, cuidadosamente desenhado - todos os corpos de mulher deveriam ser adorados por aqueles que delas gostam. Pintados, fotografados, olhados, tocados, desejados.




[Claro que se a relação for estritamente de artista/modelo alguma distância é capaz de ser necessária pelo que a parte dos corpos ‘tocados’ e ‘desejados’ talvez possa ser suprimida.]

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As fotografias mostram Charis Wilson fotografada por Edward Weston



Vem tudo isto a propósito de um texto, O nu eloquente de Charis Wilson 
- e passo a transcrever  uns pequenos excertos:



Charis Wilson foi uma jovem marcante, de beleza sem igual e com ideias avançadas para seu tempo. Nas fotografias tiradas por Edward Weston (1886 - 1958), quando despudoradamente apaixonados, é possível sentir a energia incandescente do amor. E ela é tão intensa que irradia das imagens e nos banha com um delicado calor repleto de êxtase amoroso. Não há palavras para descrever esse efeito. 


Hoje as fotos de Charis clicadas por Edward são consideradas obras primas da fotografia.


Em 1934 ela foi apresentada pelo irmão Leon ao fotógrafo, ao sair de um concerto. Ela o descreveu como o homem de olhar mais vívido que já conhecera e atribuiu-lhe um poder de enxergar o que qualquer outro não enxergara nela antes.

Ela tinha 19 anos, ele 48. Charis ficou encantada depois desse primeiro encontro e procurou o fotógrafo em sua casa dias depois, contudo ele tinha viajado. Quem a recebeu foi a amante de Edward, a também fotógrafa Sonya Noskowiak. Sonya convenceu-a a voltar e posar para ele.

A primeira sessão aconteceu em 22 de abril de 1934 e de acordo com ela durante as sessões fotográficas, Edward fez-la sentir-se totalmente consciente de si mesma. “Ele foi além do mero exibicionismo ou narcisismo, levou-me a um estado parecido com o de uma hipnose induzida ou meditação”.

Após as sessões iniciais de fotografia Weston ficou completamente cativado por Charis e ela por ele.

Em seu diário Edward escreveu “Depois de oito meses, estamos mais próximos do que nunca. Talvez C. seja lembrada como o grande amor da minha vida. Alcancei com ela patamares nunca alcançados com nenhum outro amor".


[Texto completo na Obvious Magazine]


Edward Weston


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Amos Lee, lá em cima, interpreta Arms of a Woman

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Relembro que, descendo um pouco mais, encontrarão outra fantástica fotógrafa, Vivian Maier.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela terça-feira. 
E, se puderem, cherchez la femme
(mesmo que, no caso das mulheres, seja apenas procurarem la femme que há em vós)

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