Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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sábado, fevereiro 07, 2015

Aicep go go go - All You Need Is Love - Agora não me tocas //// Paulo Portas esteve numa de treta motivacional junto de jovens que vão estagiar para fora do País e, portanto, mostrou-se no seu melhor, todo fashionable e cheio de mixes. --- [Sai da minha vida, Portas, go, go, go]


No post abaixo falei do que estava a ver na televisão: um senhor com ar de quem não sabia bem qual a sua função a exibir o que é um erro de casting. Estamos bem entregues... A saúde de um país nas mãos de uma criatura daquelas... Diz que é secretário de estado da saúde (e as minúsculas não são um erro) mas só pode mesmo é ser estafeta da doença.

Mas isso é a seguir. Contudo aqui, agora, a desgraça continua.




Digam-me que não sonhei quando li o que abaixo transcrevo:


Batem com as mãos nas pernas, no peito, agitam os braços, fazem a onda, gingam as ancas e gritam “Aicep go go go”, às ordens de três figuras no palco. Os 300 jovens do programa de estágios Inov Contacto completam assim – com uma equipa motivacional - o segundo dia de formação antes de partirem para um estágio no estrangeiro.

A imagem é desconcertante: Não parece, mas pouco passa das nove da manhã e espera-se pelo vice-primeiro-ministro num circunspecto auditório da faculdade de Economia da Universidade Nova. Paulo Portas viria a dar uma espécie de aula de economia, também ela motivacional, mas já com a sala em silêncio.

Os mais de 40 minutos de sessão motivacional, com muita linguagem corporal, acabaram com uma selfie improvável (tirada do palco para o auditório e uma moldura kitch de luzes verdes e vermelhas intermitentes) tirada pela equipa de animação contratada, ao som de All You Need Is Love e muitas palmas da plateia.

Minutos de descontração que fazem arrancar o segundo dia de formação destes jovens – a média de idades é de 25 anos – que só ao final desta sexta-feira vão saber qual o seu país de destino do estágio proporcionado pelo programa apoiado pelo Aicep (Agência de Investimento e Comércio Externo de Portugal). Pode ser Estados Unidos, Brasil ou Moçambique. 

Mas levam algumas lições de Paulo Portas que conseguiu calar o ânimo da sala, depois de entrar ao som de um êxito de Anselmo Ralph: ‘Agora não me tocas…’.


(...)

O discurso [de Paulo Portas] prosseguiu com os recordes nas exportações e o “espectacular comportamento do Turismo”. Portugal está “fashionable” e explica com um “mix” o porquê: “Que país próximo tem sol, oceano, praia, golf, gastronomia, natureza, património, boas vias de acesso – a dívida serviu para alguma coisa [risos na sala] – facilidade em línguas e espantosa hospitalidade?”.


Mas bom, bom é o filme. Uns fulanos com ar de trogloditas a fazerem uma dança boçal, os jovens, armados em carneirinhos totós, a reproduzirem aquelas estranhas palhaçadas, o Portas a lamber-se enquanto espalha o seu inesgotável charme, um jovem com ar de promissor executivo, tudo uma coisa que só vista. Vê-se e não se acredita. Poderia ser uma daquelas cenas das Igrejas Evangélicas, IURDs, coisas dessas. Mas não, é mesmo coisa patrocinada pelo Estado. Vejam, por favor, aqui.

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Era para escrever sobre outra coisa mas esta noite é atípica: tive um dia do catano (and pardon my french), saí tarde e apanhei um trânsito não menos do catano, cheguei a casa tarde e más horas, depois tive que ir ao supermercado, depois tenho cá a dormir dois dos pimentinhas (há bocado um começou a choramingar e vamos ver como vai ser o resto da noite), e este sábado é dia grande, all four little pimentinhas e, portanto, já não tenho energia e inspiração para me atirar a uma peça de resistência como a que tinha em mente tanto mais sabendo que daqui a nada começam os galinhos a cantar.

Por isso, ciao my friends, por aqui me desbaldo.

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Relembro: um senhor que parece trabalhar numa repartição de finanças da província mais recôndita vai aparecer no post já a seguir e vai mostrar como é fácil dar cabo da saúde de um país.

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Desejo-vos um belo sábado
(e aqueles que forem capazes de dizer amo-te a quem de direito que o digam porque é capaz de ser agradável a quem diz e a quem ouve. Eu cá a mim não me dá jeito, há ali uma sílaba muda que engole a outra e mais me parece conversa de peixes.)

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2 comentários:

Anónimo disse...

A manipulação e demagogia deste traste que é Portas , numa cena de Igreja Maná!
E os do palco, naquela pífia figura, a balançar o corpanzil, aquilo é de arrepiar de ridículo!
E no final, Portas, com aquela sua voz de falsete, a entusiasmar e a falar aos meninos e meninas. Com o sorriso beato, de “Democrata-Cristão”, com que vende demagogia em troca de votos.
E tudo isto como se o problema do desemprego ficasse resolvido com fantasias deste tipo.
Portas e Passos surpreendem-nos com novas invenções para sossegar o pagode. Para nos distrair do desastre em que nos meteram.
P.Rufino
PS: sigo com imensa curiosidade a saga de Ana Gomes sobre o caso dos submarinos. Só espero, sinceramente, que – finalmente – venha a fazer-se justiça, mesmo que tardiamente.

Rosa Pinto disse...

Quando se pensa que já se viu tudo...eis algo irrevogável...

Beijinho e BFS