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segunda-feira, janeiro 12, 2015

Coragem e liberdade. Mikhail Khodorkovsky desafia o urso imperial. Putin que se cuide?


Não sou capaz de tecer considerações sobre geo-política pois não tenho competência para tal mas sei que muito do que se passa no mundo se desenha nos bastidores de cimeiras, em encontros não divulgados, em comissões que discutem assuntos não assumidos. Sei também que muito do que se passa se articula no difícil equilíbrio entre blocos de grande influência geo-estratégica. A velha Europa, os poderosos EUA, o capitalismo exuberante da China, o imperialismo Russo são, certamente, alguns dos parceiros de um jogo em que as peças não têm nome, são meros grãos, pequenos seres invisíveis - nós.

Não conheço a Rússia mas a sua imensidão a os ecos que me chegam do que lá se passa levam-me a temê-la. Há na ambição imperial de Putin e na forma como roda entre lugares de modo a estar sempre presente e há na corte que o cerca qualquer coisa que me faz intuir que aquilo tem tudo para não acabar bem. Bem, intuir não será a melhor palavra para usar já que é mais do que sabida a forma implacável e digna de filmes de suspense e terror como são tratados os adversários políticos do regime e de Putin, em particular.

Por isso mesmo, devem ser louvados os que, tendo sofrido as agruras da perda da liberdade como punição para uma visão diferente para o seu País, continuam a afirmar as suas convicções com valentia.



Mikhail Khodorkovsky é uma dessas pessoas. O The New Yorker pergunta: Can an exiled oligarch persuade Russia that Putin must go?




O artigo é interessante e merece bem uma leitura. Começa assim:

It has been a year since the guards at a prison camp just below the Arctic Circle told Mikhail Khodorkovsky, a former oil tycoon and once the richest man in Russia, to pack his things. They put him on a plane to St. Petersburg; there they handed him a parka and a passport and put him on a flight to Berlin. Since that day of release and exile, Khodorkovsky has been living outside Zurich and travelling to capitals throughout the West, making speeches, accepting awards, and hinting broadly at a return to Russia. He will tell anyone who asks that, after a decade in various prison camps, he would not mind displacing the man who sent him there—Vladimir Putin.

Interessante é também o vídeo que há poucos dias Mikhail divulgou e que, até à data, poucas visitas recebeu. Contudo, penso não me enganar muito se disser que, em breve, as suas palavras passarão a ser tidas em consideração por muita gente. Estes tempos de petróleo a valores tão baixos e com a moeda russa a pregar sustos aos grandes agentes económicos e financeiros, são tempos propícios a que o reinado de Putin comece a ser olhado coma futura coisa do passado.


A Video Message from Mikhail Khodorkovsky, the founder of Open Russia, one year after his release from prison. 20 December 2014


 

Mikhail Khodorkovsky tem um site e, consultando-o, percebe-se que não brinca em serviço.

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1 comentário:

Anónimo disse...

Minha cara UJM,
Embora Vladimir Putin não seja propriamente uma flor se cheire, a Rússia encontra-se melhor desde que ele assumiu os seus destinos, do que com o seu antecessor (um líder fragilizado e alcoolizado). Mais forte económica e politicamente. “Por tradição”, a Rússia nunca foi um país que abraçasse a noção que temos no resto da Europa de Democracia. Tradição essa assente em razões ou causas históricas. Todavia, não creio que – hoje – homens como Obama, Merkell, etc, nos devam merecer mais respeito ou consideração do que Putin. Vou mesmo mais longe. Creio bem que, a verdadeira ameaça ás nossas sociedades civilizadas europeias vem dos EUA e não da Rússia. São os EUA que tem, actualmente, capacidade para destabilizar economias (incluindo europeias), instrumentalizar organizações internacionais (FMI, Banco Mundial, ONU, Nato e até a UE, OCM), manipular os sistemas financeiros (através da agências de rating), manipular os preços da energia (como o petróleo), instigar, alimentar e manter guerras, como no passado e hoje, no Médio Oriente, controlar o comércio (ou tráfico) de armas a nível global e tudo em nome dos Direitos Humanos, da Democracia, da Liberdade, da Livre Iniciativa, etc. Só falta arrastar-nos (a nós europeus) para um qualquer conflito irresponsável, de grandes dimensões, contra o tal “inimigo russo”, um dia. Ditadas pela sua fragilidade económica escondida e por um qualquer ímpeto político de querer destruir Moscovo, para melhor manter o seu domínio global. Por muito que custe a uns tantos, julgo ser da maior importância, quer para a Europa, quer para o resto d Mundo, que a Rússia se mantenha um país forte económico, politica e sobretudo militarmente. Um Mundo unipolar, com uma avassaladora influência norte-americana seria uma tragédia, acredite. Os russos estão, historicamente, habituados a sofrer, a lutar, a resistir – e a saírem depois vencedores. Desde há séculos. Basta ler com atenção a sua história (já a li). Em momentos de crise, acabam por se unir. Putin teve um papel importante na restauração da Rússia moderna. À maneira russa. Um dia destes sairá de cena (constitucionalmente), de vez, mas irá deixar os alicerces necessários para que quem lhe suceder não se deixe intimidar e saiba resistir a ameaças, boicotes e ataques à sua soberania. A Europa sabe, mas não o quer publicamente reconhecer (por estar de joelhos perante os EUA), que precisa de uma Rússia forte aqui ao lado. E a Rússia nunca tomará uma iniciativa beligerante contra uma Europa que admira e respeita culturalmente. A não ser que fosse empurrada irresponsavelmente por terceiros. Por mim, durmo descansado e acredito que nós europeus só ganhamos em manter um relacionamento institucional normal com o “urso russo” – do ponto de vista económico, político, cultural, tecnológico, científico, etc. E até no combate ao terrorismo.
P.Rufino