Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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quinta-feira, dezembro 11, 2014

Ricardo Salgado, Amílcar Morais Pires, Joaquim Goes, mais uns quantos Espíritos, o PQP, a família de José Guilherme em peso, gostam tanto de Cavaco Silva porquê? O que é que o Cavaco tem para lhe terem dado tanto dinheiro para a campanha eleitoral? Só dos lados do Zé Grande das Caçadas (aquele amigo generoso que ofereceu 14 milhões ao primo Ricardo) foram 100.000 euritos. É obra! Enquanto isto, andam as irmãs do Ricardo Salgado a fazer bolos à noite para venderem para restaurantes e o PQP a gozar com o veneno que anda a destilar por aí.





Claro que eu não estava lá para ver nem ando a xeretar as contas desta gente mas parece-me óbvio que os donativos para a campanha do Cavaco não saíram do bolso deles, não é? Deve ter sido dinheirinho contabilizado nalguma empresa como despesas confidenciais ou coisa assim. Dividiram em tranches para ficarem dentro do máximo permitido por lei e toma lá, ó Cavaco, que a gente confia em ti.

Do lado do Ricardo Salgado e súbditos leio que a coisa não se ficou por menos de 25.000 cada.
Aguenta-te ó BES!, que o dinheiro tinha que dar para tudo e para o resto. 
Assim por alto uns 150.000€ para a eleição do Cavaco!

E dos lados do José Guilherme, também conhecido por Zé das Caçadas ou Zé Grande, a coisa era no mesmo comprimento de onda:

Leio: Mas na lista de donativos há uma família cuja história se cruza também com o BES: Guilherme. O empresário que deu uma prenda a Ricardo Salgado de 14 milhões de euros que está a ser investigada pela justiça deu à campanha de Cavaco em 2011 25 mil euros. Mas não foi o único da família a fazê-lo. A mulher, Beatriz da Conceição Veríssimo deu o mesmo contributo de 25 mil euros, o filho Paulo Jorge Veríssimo Guilherme também e Ilda Maria Veríssimo Guilherme Silva Alberto, uma familiar que é gestora da empresa de José Guilherme doou também 25 mil euros.


Vejo isto e fico arrepiada e tanto mais arrepiada quando penso que, às tantas, esta mesma gente dá dinheiro a quem quer que lhes cheire que vai ganhar as eleições. Para além de Cavaco nas presidenciais, com quem mais foram assim tão generosos nas legislativas? Estou curiosa. Pelo que leio no mesmo artigo, nestas presidenciais o Manuel Alegre ou o Nobre receberam mixuruquices e o Francisco Lopes do PCP népias - para quê? era carta fora do baralho - e Manuel Alegre, então, com a campanha, até ficou endividado até à medula.

Isto de facto é um mundo perverso, estúpido, aberrante. O dinheiro que gastam - em cartazes, em almoços, em bandeiras, em alugueres de salas de hotéis, em carros, carrinhas, agências de comunicação e sei lá que mais - tem que vir de algum lado. Mas, ó caraças, tem que ser da ordem dos milhões e para ser gasto em coisas improdutivas, que viram lixo no dia seguinte? E o que é que essas campanhas dizem sobre o que vão os candidatos fazer se ganharem um lugar? Nada. Tudo aquilo é encenação. Contratam a peso de hora brasileiros especialistas em tornar o refugo apetecível e isso é pago com donativos que vamos ver se não é dinheiro de sacos azuis ou dinheiro 'desviado' das empresas. E é em fracas figuras levadas ao colo por esta gente do dinheiro que os eleitores votam.

Porque é que Cavaco ganhou estas eleições? O que é que ele já fez? Se não fosse todo este apoio, uma campanha com um ar tão vitorioso, o povo teria votado nele na mesma?

Que coisa miserável.

Já em tempos aqui falei do Zé das Caçadas, amigo de Cavaco Silva, amigo dos Espíritos e de todos os que queriam aparecer para serem vistos, para se porem a jeito para oportunidades.

Não deveria pois admirar-me mas a verdade é que me admiro. 100.000 euros? Mas que dinheiro é que este homem ganha para se poder dar ao luxo de dar presentes de milhões, donativos da ordem dos cem mil euros, esbanjar dinheiro de uma forma tão ostensiva? E tem pago impostos sobre todo o dinheiro que tem ganho? Não faço ideia: apenas pergunto, intrigada que fico com tamanha generosidade.

Este Cavaco sempre teve amigos endinheirados e sempre beneficiou, voluntária ou involuntariamente, desses dinheiros. O dinheiro fácil que ganhou com as acções do BPN ou SLN, nem sei, ou a permuta do casal da Coelha (ou lá como é o sítio da nova vivenda Mariani), cenas que nunca se percebem bem e agora sabemos destes donativos, cabazadas de dinheiro... Que coisa incomodativa, esta.

E este Pedro Queirós Pereira - que agora ali na Assembleia da República, em tom chocarreiro, denuncia o ex-sócio Ricardo Salgado, espetando facas no peito, na barriga, no pescoço e tudo em tom que mais parece de chalaça - também contribuíu para a eleição do Cavaco. Também sempre metido em jogadas palacianas, em esquemas, e agora armado em santo, que offshores nem vê-las e que as irmãs de Ricardo Salgado até fazem bolos à noite para vender para restaurantes... e todo ele é desdém, superioridade.



Fazer bolos para vender, em si, nem tem nada de mal e conheço várias senhoras da mais alta sociedade que têm empresas de eventos, de catering e mais não sei o quê (e que fazer, fazer, até nem são elas que fazem mas, enfim, orientam, supervisionam) e, verdade seja dita, sentem-se umas gestoras e umas trabalhadoras e, enfim, de certa forma até o são. Portanto, quando o PQP diz que as manas Salgadas fazem bolos de noite, provavelmente nem é coisa que deva ter leitura literal - mas fica a nota de desprezo insidiosamente instilada, fica-lhe o veneno a escorrer-lhe pelos cantos da boca.

Tenho que dizer: em qualquer circunstância, acho inaceitável se a gestão das empresas estiver capturada por interesses particulares, por incompetências, por leviandades; e, em minha opinião, o que houve no Grupo Espírito Santo foi um pouco de tudo isto, tudo temperado pelo sentimento de inimputabilidade que a corte de advogados e assessores de toda a espécie transmite aos senhores a quem servem. Anos de poder e influência e o sentimento de superioridade que advém de um nome com muita patine fazem perder a noção dos limites. E, quando se perde o pé, a fuga para a frente passa a ser uma forma de sobrevivência.

A Queda dos Anjos Rebeldes, Pieter Brueghel

Muita gente beneficiou ao longo de anos desta forma de estar na vida.

Agora que o grande navio dos Espíritos colapsou, os ratos fogem deles a sete pés (sendo que o colapso, há que dizê-lo, foi precipitado e tornado inevitável pelo Governo e pelo BdP - o que continuo a achar uma decisão perigosa já que a recapitalização do BES poderia ter sido possível e inócua para os contribuintes; e, assim, arranjaram para aqui um imbróglio que não sei se algum dia se irá desensarilhar)


Se há coisa que aprecio é o porte digno em qualquer circunstância e outra que, pelo contrário, não aprecio nem um bocadinho é ver rir, cuspir e pisar em quem, por algum motivo, caíu.

O Ricardo Costa do Expresso e outros tantos, na terça feira, apressaram-se a condenar o porte altivo de Ricardo Salgado, censurando-o por não ir para ali armado em coitadinho, pedir desculpa, rebaixar-se. Como se isso fosse possível numa pessoa como Ricardo Salgado. E como se isso resolvesse algum problema, fizesse aparecer o dinheiro desaparecido ou curasse algumas feridas.

Pois a mim choca-me mais os que vão para ali tripudiar, gozar, achincalhar, denunciar de forma quase folgazona, do que o Ricardo Salgado que tem a única atitude digna que poderia ter.

Por algum motivo que ainda estou para perceber, os deputados gostam de se armar em inquisidores mesmo em assuntos como este em que, da Comissão de Inquérito, não irão nunca sair as consequências que se exigem, mas, enfim, se ali estão, o que se espera é que exijam que, quem ali vai, não minta (alô, alô pinókia!), não se mostre folgado ou não vá ajustar contas pessoais.

Assim, vendo-os (à Meireles castigadora, à Mortágua com ar de professora implacável, ao Miguel Tiago querendo ser tão mau como elas mas todo ele tendendo para o charme, ao enxundioso Amorim querendo parecer uma fera mas, com o passado que arrasta, só dando vontade de rir, ao rapaz do PS que, por muito que queira, tem um ar de bom rapaz e pouco mais), ali, com as televisões transmitindo as sessão em tempo real, todos fazendo perguntinhas, convencidos que estão a ter dos momentos altos das suas carreiras de políticos, o que me parecem são figurantes ou assistentes de um teatrinho de aldeia, em que, à vez, os artistas convidados vão fazer a sua representação: ora o funcionário atarantado (Carlos Costa), ora a mulherzinha abusada (Maria Luís Albuquerque), ora o fidalgo arruinado que acha que deve manter a pose até ao fim (Ricardo Salgado), ora o primo que tem cara de gostar de uma boa esbórnia e que fala revirando os olhos para o além (José Maria Ricciardi), ora agora este figurão que vai para ali gozar com o fidalgo e com as suas pobres manas (Pedro Queiroz Pereira).


Tudo uma tristeza, uma democracia infantil, frágil, demasiado frágil, assente em cima de uma economia quase inexistente, tudo servido por uma moral também muito frágil. Uma grande tristeza isto tudo.
___

Ricardo Salgado, o Banqueiro

- está ele tal como aqui poderia ter a fotografia de Jardim Gonçalves, João Rendeiro, António Guerreiro 

ou até Oliveira e Costa (que, ao pé destes, quase parece um pé rapado)


A vossa atenção, por favor

Pela segunda vez no Um Jeito Manso: O BANQUEIRO





The Banker


Hello, my name is Montague William 3rd
And what I will tell you may well sound absurd
But the less who believe it the better for me
For you see I'm in Banking and big industry

For many a year we have controlled your lives
While you all just struggle and suffer in strife
We created the things that you don't really need
Your sports cars and Fashions and Plasma TV's

I remember it clearly how all this begun
Family secrets from Father to Son
Inherited knowledge that gives me the edge
While you peasants, people lie sleeping at night in your beds

We control the money that controls your lives
Whilst you worship false idols and wouldn't think twice
Of selling your souls for a place in the sun
These things that won't matter when your time is done

But as long as they're there to control the masses
I just sit back and consider my assets
Safe in the knowledge that I have it all
While you common people are losing your jobs

You see I just hold you in utter contempt
But the smile on my face well it makes me exempt
For I have the weapon of global TV
Which gives us connection and invites empathy

You would really believe that we look out for you
While we Bankers and Brokers are only a few
But if you saw that then you'd take back the power
Hence daily terrors to make you all cower

The Panics the crashes the wars and the illness
That keep you from finding your Spiritual Wholeness
We rig the game and we buy out both sides
To keep you enslaved in your pitiful lives

So go out and work as your body clock fades
And when it's all over a few years from the grave
You'll look back on all this and just then you'll see
That your life was nothing, a mere fantasy

There are very few things that we don't now control
To have Lawyers and Police Force was always a goal
Doing our bidding as you march on the street
But they never realise they're only just sheep

For real power resides in the hands of a few
You voted for parties what more could you do
But what you don't know is they're one and the same
Old Gordon has passed good old David the reigns

And you'll follow the leader who was put there by you
But your blood it runs red while our blood runs blue
But you simply don't see its all part of the game
Another distraction like money and fame

Get ready for wars in the name of the free
Vaccinations for illness that will never be
The assault on your children's impressionable minds
And a micro chipped world, you'll put up no fight

Information suppression will keep you in toe
Depopulation of peasants was always our goal
But eugenics was not what we hoped it would be
Oh yes it was us that funded Nazis!

But as long as we own all the media too
What's really happening does not concern you 
So just go on watching your plasma TV
And the world will be run by the ones you can't see


Interpretado por Mike Daviot
Escrito, realizado e produzido por: Craig-James Moncur



____


Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma boa quinta-feira

...

8 comentários:

Anónimo disse...

Tudo isto me deixa deprimida. Quem é esta gente que controla o destino da país? Será que vivemos em democracia ou é apenas uma ilusão porque temos direito ao voto?
Acabei de ler a entevista do Presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos dada à Visão e acho isto tudo assustador http://visao.sapo.pt/operacao-marques-tudo-indicia-aproveitamento-politico=f803605
MCarmoMarcos

Um Jeito Manso disse...

Maria do Carmo, bom dia,

Tenho as mesmas dúvidas, sinto as mesmas perplexidades.

Irei ler o artigo que me enviou.

Muito obrigada!

Anónimo disse...

a 40 anos a fazer informação ( só não dá para ver se está a abanar o rabo) - http://expresso.sapo.pt/o-mexilhao-e-as-noticias-apressadas=f901933



http://www.dn.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=4284483&seccao=Dinheiro%20Vivo


Bob Marley

Vitor disse...

MUITO BEM, estimada UJM !
Absolutamente de acordo .
Melhores Cumprimentos
Vitor

Anónimo disse...

Actualissímo este “The Banker”. Cada vez mais. Oportuna reprodução.
Quanto ao caso BES, na A.R, é caso para se repetir o velho adágio popular, “zangam-se as comadres, contam-se as verdades!”
Até o verniz já começa a estalar.
Ricardo Salgado, entretanto, numas declarações que fez, ao que ouvi hoje no Rádio, enquanto conduzia, só veio confirmar aquilo que já se sabia, ou seja, que as audições no Parlamento não têm qualquer relevância e ele também não lhes atribui nenhuma, pois sabe tão bem como todos ali, que do ponto de vista judicial aquilo é o mesmo que vento. Lá referiu a certa altura, mais coisa menos coisa: “Meus Senhores, ou Senhores Deputados, peço desculpa mas não posso responder a essa pergunta, como compreenderá, etc e coisa”.
O homem, agora “a vítima disto tudo”, está-se bem a ralar para o espectáculo. Vai lá, porque enfim tem de lá ir, mas não só aquilo é uma perda de tempo para ele, como uma imensa chatice (até pelo facto de se vir a saber que as manas fazem e depois vendem umas tantas doçarias. Serão boas, já agora?).
E anda o país entretido com estas pantominices. E ainda há uns tantos tolos a comentar e perorar sobre aquilo tudo. E pior ainda há quem os oiça, ali sentados frente ao plasma! Jesus Senhores!
Agora, aquilo que importa verdadeiramente ao Ex-DDT é ter sido constituído arguido e ter de dar contas a quem interessa: a Justiça. Oxalá essas contas venham a ser bem feitinhas, é o meu desejo.
P.Rufino


Anónimo disse...

Gostei de ver “The Banker”, e o que penso sobre isto?
Bem, a mim parece-me que este vídeo pretende transmitir uma mensagem anticapitalista.
Normalmente associo este tipo de mensagem á “batalha” ou “luta” se quisermos, anticapitalista.
Tem todas as características:
Tenta difundir um sentimento de que existe um sistema oculto, que sub-repticiamente controla as pessoas. Estas são vítimas inocentes nas mãos destes pérfidos “magnatas”, que nos exploram conduzindo as mentes inocentes, tornando-as incapazes de pensar pela própria cabeça.
Mas no fundo num sistema capitalista é o povo que decide quem “merece” enriquecer por exemplo. O que é que pode ser mais democrático que isto?
Eu acredito no livre arbítrio.
Será que a maioria das pessoas não acredita?

Cumprimentos

Rui Silva

Mar Arável disse...

Pai é pai

padrinho é padrinho

lino disse...

Circo em directo, só com palhaços!
Beijinho