Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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sábado, dezembro 27, 2014

José Maria Ricciardi desmente e ataca Marcelo Rebelo de Sousa. Outra vez, e agora já envolvendo Rita Amaral Cabral, a companheira de Marcelo e ex-administradora do BES. O professor é tão esperto, tão esperto, e ainda não aprendeu que uma pessoa não se deve meter com um destravado como o primo 'Zé Maria'? --- E mais outra: António Arnault ofereceu livro a Sócrates mas, vá lá saber-se porquê, o livro não passou no crivo dos serviços de segurança da prisão de Évora e foi devolvido ao remetente. --- E para haver uma notícia boa: grande livro que me está a parecer que é o Stoner de John Williams.


No post abaixo já contei uma piada sobre louras
(que isto eles gostam é das louras mas, depois, para disfarçar, fingem que as acham burrinhas. Tá bem, abelha. 
Se bem que há louras que só dão mau nome à classe como aquela que agora tem andado tão caladinha.)

Mas isso é a seguir. Aqui, agora, a conversa é outra.

Mas, se não se importam, vamos com música.


Yo-Yo Ma no violoncelo
com a Orquestra Sinfónica de Chicago conduzida por Daniel Barenboim
interpreta o Concerto para Violoncelo de Elgar



Hoje, depois de arrumações e de andar horas a mondar as carpetes e a garimpar o sub-solo debaixo de sofás e recantos insuspeitos, descobri vários sinais de trânsito e um pequeno polícia que andavam perdidos, descobri uma caneta de que a minha filha já me disse que levou a tampa e voltei a irmanar peças de lego, de puzzles e outras que andavam tresmalhadas. E revolvi pacotes e sacos a ver se não continham talões de troca ou restos de presentes para, em segurança, os ir colocar para reciclar. E pesquei almofadas transumantes para as devolver ao local onde harmoniosamente devem estar em repouso.

A seguir, devidamente possuída pelo espírito da dona de casa arrumadeira, ainda olhei várias vezes para a minha mesa, coitada, tão em risco de sucumbir, tão vergada ao peso do conhecimento - mas não me aventurei a encetar um processo arrumativo. 

Sempre que enveredo por uma coisa dessas, há uma altura em que a coisa ameaça correr mal. Faço montes no chão por temas, depois por autores, e, às tantas, está o chão pejado e o meu marido todo irritado que quase não há sítio para pôr um pé, depois há que reorganizar as estantes para onde os quero destinar e começo a tirar livros que disponho também em montes e, enfim, tudo se complica. 

Portanto, não deu, desisti dos meus putativos bons propósitos. Qualquer dia tenho que escrever no chão, enxotada por estes meus livros que tudo invadem sem dó nem compaixão e, nesse altura, o meu marido vingativo dir-me-á que é bem feita, que há séculos que me anda a avisar e que isto, aquilo e o outro. Paciência.

Resumindo, em vez de me atirar a essa guerra, resolvi, antes, pegar num livro que andava aqui a namorar: Stoner de John Williams. Reclinei-me no meu sofá, acendi a luzinha de leitura, porque gosto de ler assim, quase às escuras e com uma luz dirigida, e entre almofadas e com uma fofa mantinha cobrindo-me as pernas, iniciei a sua leitura. Ainda vou na página 53 mas, desde que lhe peguei até que agora interrompi, com um pequeno intervalo para um jantar rápido e para fazer o post das louras já acima referido, foi de seguida, tipo shot. E estou desejando ter tempo amanhã para o retomar, nem sei se não terei que acelerar o Expresso para me atirar ao William, William Stoner.


Que livro tão bem escrito, que belíssima caracterização de personagens, que forma fluida e despojada de nos levar pela mão, sem rodriguinhos, sem tiradas arrebatadas ou pseudo-existencialistas, tudo ali na maior limpeza. Que bom escritor aquele John Williams (1922-1994) de quem eu nunca tinha ouvido falar.

Li apenas um quinto do livro mas não hesito quanto a recomendá-lo. Caso tenham recebido de presente algum livro que já tenham, troquem-no pelo Stoner. Ou se tiverem recebido algum livro do Valter Hugo Mãe ou do José Rodrigues dos Santos, mesmo que ainda não os tenham, troquem-nos também, vão por mim. 

Bem. Mas com isto tudo tenho andado arredada das mundanidades. Aliás, das poucas vezes em que calhou conseguir ouvir o início das notícias, logo desisti de prosseguir. É um disparate: começam os noticiários com o número de pessoas que morreram em acidentes. Como se não houvesse nada mais relevante do que isso! Uma contabilidade sinistra que parece fazer as delícias de quem decide o alinhamento noticioso. Ou então meio mundo à volta das anormalidades daquele sujeito estranho que está à frente do Sporting, um tal Bruno de Carvalho, que ainda não percebi se anda sempre com uma laringite ou se é copofónico. Primeiro estava em blackout e agora parece que há um romance qualquer com o treinador, Marco qualquer coisa. Desisto, claro. Quero lá saber de coisas assim. Será que não acontece nada de verdadeiramente relevante no país ou no mundo?

Portanto, agora, querendo perceber a quantas anda o mundo para não vir para aqui fazer figurinhas de alienada, dei um rápido bordejo pelos jornais online e fui dar com uma notícia que me deixou capaz de ir atirar tomates à imaculada parede de entrada da prisão de Évora. Em que raio de país é que eu vivo, senhores?

Transcrevo, não sequencialmente, excertos da obscenidade em causa tal como a li descrita no Observador:

O Estabelecimento Prisional de Évora devolveu ao antigo ministro e ex-dirigente do PS António Arnaut o livro “Cavalos de vento” que ele tinha enviado a José Sócrates. A 10 de dezembro, António Arnaut enviou a Sócrates, por correio, um livro de sua autoria e esta sexta-feira foi “surpreendido” ao receber a encomenda de volta, com a indicação de que tinha sido “recusada pelo Estabelecimento Prisional de Évora”.


Lançado no início de novembro, o livro ‘Cavalos de vento’, que inclui textos de intervenção cívica, contos, ensaio e poesia, pretende assinalar os 60 anos da estreia literária do autor e os 35 anos do SNS.

A atitude da cadeia de Évora “é uma indignidade em democracia”, considerou o histórico socialista, salientando que nem no tempo da polícia política do Estado Novo (PIDE) lhe aconteceu “uma coisa assim, visto que enviava livros” a um seu “condiscípulo moçambicano detido em Caxias”.


Uma indignidade, de facto. Sócrates é alvo de notícias diárias, o segredo de justiça é violado todos os dias com vista a que haja pasto para alimentar a comunicação social, e ele ali tem que estar, em silêncio, sem poder responder, impossibilitado de poder exercer o contraditório, aprisionado, longe da família, a reputação arrasada. E agora isto! Que se chegue ao absurdo de nem lhe entregarem os livros que lhe enviam já me parece uma coisa troglodita, uma violência inadmissível. E que isto não provoque uma onda de indignação geral é o que me admira. 

Poderão dizer-me que poucas-vergonhas destas acontecem a torto e a direito, que é do mais normal que há que se prenda uma pessoa antes de ser julgada como se de assassino se trate, e que se impeça a pessoa de dar entrevistas e, até, de receber os livros que lhe enviam - e que só estou a protestar porque se trata de Sócrates. Aceito. Mas a verdade é que as suspeitas e as intrigas em torno dos outros presos preventivos não andam nas capas dos jornais e, portanto, é coisa que passa despercebida. Mas soubesse eu que você, Caro Leitor ou Leitora, estava sob suspeita de fugir ao fisco ou de ter recebido dinheiro não declarado e que, por isso, ia preso enquanto investigavam para ver se há razão para o julgarem e que, estando preso, via a sua vida devassada nos jornais, mentiras propagadas, e que não pudesse responder e que nem lhe entregassem os livros que os amigos lhe enviavam, a ver se eu não vinha também para aqui armar escarcéu. Claro que vinha! Isto é lá coisa que uma pessoa decente possa aceitar?


Já que falei no Sporting, uma foto do primo Ricciardi
na sua vertente de leão

E, de seguida, dei com outra. Ricciardi deu novo troco ao Marcelo e, uma vez mais, não foi meigo. Quando, no domingo passado, ouvi o Marcelo a responder ao primo Zé Maria armando-se em superior e a dar-lhe lições, pensei cá para mim: Ai levas, levas, que o primo não é de levar desaforo para casa e ainda te vais arrepender de andares, aqui na televisão, a provocá-lo

Disse o Prof. Marcelo que conhece bem o outro e que, portanto, não esperava estas reacções. Pois é. Marcelo já por mais do que uma vez mostrou que não é aquela inteligência que se pensa. Então se conhece bem o outro ainda não tinha percebido que mais valia não o cutucar com vara curta e logo aos ecrãs da televisão?


Transcrevo do Expresso (com destaques meus), excertos da looooonngaa carta que o advogado de José Maria Ricciardi enviou, prosseguindo o louvável e higiénico hábito de lavar roupa suja:


20.  É caso para dizer que o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa só assimilou em 21 de Dezembro de 2014, tendo embora conhecimento directo da forma como a gestão era executada no Grupo Espírito Santo, aquilo que toda a gente, sem excepção, tinha apreendido pelo menos seis meses antes. 
21.  Esta situação é tanto mais inexplicável quanto é certo que a companheira do Prof. Marcelo Rebelo de Sousa, Dr.ª Rita Amaral Cabral, era administradora do Banco Espírito Santo e ainda integrava a Comissão de Partes Relacionadas, criada internamente pelo Banco de Portugal, para assegurar o "ring-fencing" entre o banco e as restantes empresas do grupo, cujo desempenho se encontra sob investigação.  
22.  Para além de administradora do Banco Espírito Santo, a referida companheira, ilustre advogada, prestava serviços jurídicos ao grupo, tendo até ditado para a acta na última sessão do Conselho de Administração ainda presidida pelo Dr. Ricardo Salgado, um rasgado elogio ao seu desempenho e deixado um registo da sua gratidão em ter servido tão ilustre personalidade. 
23.  Não admira que o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa tenha apoiado com entusiamo e defendido no seu comentário, em Junho de 2014, a solução preconizada pelo Dr. Ricardo Salgado de integrar o Conselho Estratégico do BES e de designar como CEO o Dr. Moraes Pires, interveniente directo em graves operações financeiras que estão a ser objecto de investigação. 
24.  E não admira que também em comentário produzido no seu programa, o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa haja declarado expressamente, na esteira do afastamento compulsivo do Dr. Ricardo Salgado, que nenhum membro da família Espírito Santo haveria de sobreviver ao colapso do grupo. 
25.  Fica assim por compreender, em função do relacionamento histórico e das múltiplas fontes de que dispunha, a reviravolta operada no espírito do Prof. Marcelo Rebelo de Sousa no domingo passado, sobre as responsabilidades do Dr. Ricardo Salgado, que não encontra explicação plausível, a não ser a resultante de mais uma habilidade destinada a demonstrar a sua súbita equidistância em relação ao personagem. 
26.  Por último, o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa tem o desaforo de fazer recomendações públicas, com desajustado paternalismo, sobre qual devia ser o comportamento do Presidente de um banco, o que, não lhe tendo sido questionado, é pelo menos sinal de que se atribui a si próprio demasiada importância. 
27.  Ao meter a foice em seara alheia, o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa põe-se a jeito para receber a advertência de que não lhe fica bem desvalorizar ou diminuir os atributos que são exigíveis a um comentador, com capacidade para influenciar a opinião pública. 
28.  A verdade é que os factos expostos não deixam dúvidas de que o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa não reúne as condições de imparcialidade, isenção e de objectividade que lhe permitam uma avaliação séria e ponderada das responsabilidades de quem está envolvido no colapso do Banco Espírito Santo. 
29.  A bem da credibilidade e do rigor, melhor fora que se abstivesse de comentar este tema, em que lhe sobra apenas a mágoa, como confessa, de não poder partilhar no Brasil a convivência com o seu grande amigo Dr. Ricardo Salgado.


A ver como reage agora o Marcelo. Melhor fará se ficar calado.

Pelo menos a ver se, para distrair as massas, não lhe dá para encenar mais um número como o da semana passada em que resolveu criar um facto para disfarçar o seu embaraço: pôs-se a chorar ao falar no Natal de Judite de Sousa, deixando-a, até, apalermada. Se aquilo era assunto para trazer para ali, à frente de toda a gente, mesmo um apelo primário à lamechice. Se queria recordá-la da perda do filho e da tristeza que ia ser o Natal dela, fazia-o em privado, não ali em público. Que o Marcelo é um artista já todos muito bem o sabemos. Mas, enfim, escusava de usar os sentimentos de uma mãe que perdeu um filho.
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Enfim, para acabar bem, deixem que partilhe convosco um pouco da leitura de Stoner.




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E, assim sendo, fico-me por aqui não sem antes vos desejar, meus Caros Leitores, um belo sábado.

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3 comentários:

Vitor disse...

Assim mesmo !
Disse MUITO BEM, estimada UJM !
Melhores Cumprimentos
Vitor

João Roque disse...

Longo mas saboroso post. E sim, Stoner é mesmo um livro bom!

Anónimo disse...

Esse tal “Stoner”, do J.Williams, nunca ouvi falar. Lá fui procurar saber quem é e do que consta, mas, ao que vi, está longe de ser algo que me interesse. Talvez o folheie um dia na Fnac, ou Bertrand, para ver melhor. Em princípio, é um género de livro que não procuro, mas hei-de dar uma olhada, como disse. Mas, lá está, cada um/a tem as preferencias que bem entende. Respeite-se!
Quanto ao Marcello, acho que está a levar nas trombas do Riccicardi. Já vai em 2 a 0. É um tolo, este Marcello. Não há pachorra para a criatura!
E, por falar nisto, fiquei com a impressão que o Bruno do Sporting terá reflectido melhor e reconsiderado, mantendo o tal Marco Silva, que embora esteja a ter algumas dificuldades com a equipa, tem potencial para levar o Sporting a conseguir bons resultados. Dou-lhe o favoritismo para a Taça das Taças.
O “Observador” é uma imundice de Direita, embora, por vezes, haja quem ali publique coisas que se podem ler sem repugnância, mas é raro. Tem por lá cada avantesma desta Direita adoradora deste governo do “Coelho Passos” que só visto!
No caso de Sócrates, talvez por defeito profissional, acho que ele deveria ter uma postura mais discreta, deste modo não dando azo a que as hienas (“media”) se deleitassem em denegrir na sua imagem, já de si crítica, dado estar a viver uma situação complicada do ponto de vista judicial. Quanto menos “aparecer”, mais depressa o esquecem e menos a Justiça se abespinha contra ele. Enfim, é uma opinião. No lugar dele, teria tido uma postura totalmente diferente – o mais discreta possível, trabalhando na minha defesa com o advogado, no silêncio da minha cela e do gabinete dele. Mas, quem sabe, se razões lhe assistirão, para assim proceder. É que, quando se cai nas malhas da Justiça, querem lá saber se fulano foi isto ou aquilo antes da situação em que se encontra de momento.
P.Rufino