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domingo, dezembro 21, 2014

A beleza das curvas no feminino. 'Curves' por Victoria Janashvili: duas gordas, Denise Bidot e Marina Bulatkina, puseram-se nuas e uma fotógrafa captou a beleza e sensualidade delas. Chegou a hora das gordas saírem do armário?


A minha mãe contava que, uma vez, uma conhecida sua, falando de uma outra, lamentava que essa tal tivesse emagrecido pois, dizia, estava muito 'lisa' e 'uma barriguinha dá tanta graça'. A minha mãe achou piada a isso numa altura em que todas as mulheres lutam para se verem livres da incómoda 'barriguinha'. Barriga, pneu, bundona, coxa grossa, mamonas - tudo um desconforto quando a gente se quer enfiar dentro de calça justa, blusinha cintada ou camisa com alguma transparência.

Contudo, se pensarmos em Marilyn, essa mulher revestida a erotismo de alto quilate, vemos como tinha formas generosas, curvas acentuadas. E, se formos de marcha atrás por esses tempos fora, esse é o padrão de mulher apetecível. Por exemplo, se recuarmos umas centenas de anos, podemos ver as mulheres saudáveis de Rubens, bem nutridas, refegos lustrosos, faces coradas.

Outros tempos.

O meu marido diz que a moda das mulheres magérrimas - bem visíveis nos desfiles em que as modelos parecem anorécticas e em que só as muito altas e muito escanzeladas parecem ter roupa que lhes assente bem - acontece porque os estilistas e demais fauna que circula no mundo da moda são todos umas bichas. Claro que ele não dia bicha mas não reproduzo a palavra que ele usa não vá parecer que ele é homofóbico, e não é. Diz aquilo como uma constatação. Em tempos lidou profissionalmente com um colega que tinha trabalhado na gestão de empresas ligadas à moda e ele confirmava o que se sabe do que se vê, e contava episódios divertidos desses seus tempos. Mas, portanto, diz o meu marido que só tipos que não gostam de mulheres (no sentido em que homens heterossexuais gostam) é que não gostam de mulheres com curvas generosas e boa carnadura.

Contudo, felizmente, aos poucos vêm surgindo modelos L ou XL, aos poucos os fotógrafos começam a captar a sua graça e sensualidade e a carga cómica que as gordas transportavam começa a cair em desuso.

Desta fez foi a fotógrafa de moda Victoria Janashvili que, depois de anos a fotografar top models altas, esguias, sem ancas, sem peito, resolveu pôr de lado os actuais estereótipos de beleza feminina e fotografar mulheres normais, fortes, como, por exemplo, Denise Bidot e Marina Bulatkina, duas mulheres que são o oposto de tudo aquilo.

Para que a nudez não se tornasse demasiado explícita, as mulheres foram pinceladas a branco, aparecendo quase imaculadas na generosidade das suas formas.






Victoria ainda anda a tentar reunir fundos que lhe permitam lançar-se na produção do livro Curves mas, se tudo correr bem, o livro sairá em 2015 e será, certamente, um sucesso.


Curves - o making of pela fotógrafa Victoria Janashvili




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Já agora, duas das gordas acima referidas e uma outra.


Venus ao espelho (1615) - Rubens


Marilyn Monroe (1926-1962)


Já para não falar nas famosas e simpáticas gordas do Botero (nascido em 1932)
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E há as que brincam, riem de si próprias e se divertem à brava. Gordura é formosura e a leveza do corpo advém da leveza da mente, como abaixo se comprova.


Russian Dance troupe the Big Ballet



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Termino com uma outra ilustre formosa, uma que resplandece segurança e graça na sua carne perfeita, toda ela sentimento e talento: 


Anna Netrebko: O mio babbino caro (Puccini - Gianni Schicchi )




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Desejo-vos, meus Caros Leitores, um belo dia de domingo
(e nada de virar a cara aos petiscos natalícios...).

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2 comentários:

Rosa Pinto disse...

Boa tarde e bom domingo.
Seria mais profícuo ser um homem a comentar acerca das formas femininas...mas...sou atrevida! Obrigada pelas imagens.
Bonitas mulheres, com formas!

Anónimo disse...

Concordo com o seu marido, nessa das escanzeladas e os estilistas, uma boa parte deles rôtos. As mulheres querem-se com curvas, um belo rabiosque, um peito que nos encha os olhos, etc. Não tendo que ser necessariamente gordas, preferi-as ás tipo esqueleto e sem peito e sem rabo. Quanto a estas que aqui nos mostra são atraentes. Mais gorditas que o normal? Serão, mas não deixam de ser atraentes! É que importa.
Conheço uma colega que entre outros defeitos, tem a mania das magrezas com dietas tolas e como se não bastasse deve andar pelos solários e anda o ano inteiro bronzeda, o que no Inverno, em minha opinião dá um péssimo aspecto. Já no Verão, quando se exgera a impressão é igualmente má. Agora, numa mulher de 50entas, perder peso aos magotes e bronzear a pela ás doses, dá um efeito de múmia esquelética, que só visto.
Enfim, vivaa as fofas e abaixo as magérrimas!
P.Rufino