Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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terça-feira, novembro 11, 2014

Rui Massena assume-se. Diz que há tempos que queria isto e que agora chegou a altura: 'Saí do armário', confessou. Aconteceu em pleno CCB. Eu estava lá e ouvi e vi e estou aqui para contar.


No post abaixo já falei da desgovernada ministra Paula Teixeira da Cruz que, para ver se se limpava daquele transtorno do Citius, inventou uma sabotagem (como é que se chama a uma inventona de sabotagem? Sabotona, para aí, não?). Ou seja, a loura da Cruz engendrou uma sabotona mas, coitada, deu-se mal. O processo foi arquivado em três tempos e consta que o despacho vinha com uma adenda: que deixasse de pintar o cabelo de louro, que tentasse agora o castanho, a ver se deixa de dar tão mau nome às louras.

Juntei ainda um vídeo de um tal que se faz passar por muito certinho mas que, segundo as minhas fontes, é um perigoso sabotador pelo que, numa de patriotismo, aqui deixo a denúncia. Tenho esperança que, com casos concretos de perigos nacionais pela frente, a senhora se deixe de inventar maluqueiras que dão muita vontade de rir a toda a gente mas que, enfim, acredito que chateiem um bocado aqueles contra quem ela resolve marrar.

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Mas isso é a seguir. E vou ter que ser breve. Já passa um bocado da uma, cheguei a casa tarde. Como tinha dito, ao contrário do que é costume aos dias úteis em tempo de trabalho, esta segunda feira houve programa.






Chovia que Deus a dava, os faróis rasgavam a névoa de uma chuva persistente, mas, uma vez chegados, junto à sala do CCB onde a coisa ia dar-se, via-se que o ambiente estava expectante. Rui Massena ia estrear-se num concerto com música sua, ao piano. Sala cheia, caras conhecidas, um público heterogéneo.





Devo dizer que estava relutante. O apoio de Rui Massena a Luís Filipe Menezes nas últimas autárquicas chocou-me. Luís Filipe Menezes não é flor que se cheire e não percebi porque andava o Rui Massena colado a ele. Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és - pensei. A meus olhos, o mérito profissional passou para plano secundário face a essa espúria colagem política; e desinteressei-me dele, enquanto músico.

Mas a minha filha convenceu-me: que eu iria gostar, que eu não estava bem a ver, que ele ao piano era qualquer coisa. E lá fui. Lá fomos. 

Ficámos na terceira fila, bem perto. E então ele entrou, o piano ao meio do palco. As luzes apagaram-se e um foco vindo de cima incidiu sobre o teclado. Era uma luz vinda de cima que o iluminava. E como ilumina essa luz vinda sabe-se lá de onde. E ele tocou.

E como tocou.

Rui Massena não é um pianista imaterial, suave. Não, todo ele é corpo, todo ele se confunde fisicamente com o piano, e é um performer, as suas expressões simulam o prazer e talvez não seja simulação, talvez seja mesmo prazer porque prazer parece ser o que ele sente. E entrega-se, mas entrega-se de uma maneira absolutamente física. 


Em duas das músicas um violinista acompanhou-o, ambos em total harmonia, uma empatia enorme, entregues à fruição daqueles galvanizantes momentos de entrega. Não fixei o nome do violinista, Gaspar qualquer coisa, e que foi apresentado como um dos melhores sons da Península Ibérica.

E as peças são melodiosas, suaves, pianíssimas, ou são revoadas imensas, ondas carregadas de vida que submergem o piano, o pianista e a nós que rendidos o ouvimos.

Por vezes os focos luminosos mudavam mas, em geral, havia uma escuridão silenciosa que envolvia a assistência e todo o palco e, no centro, iluminado, ele, o compositor e pianista de cujas mãos parecia nascer, em ondas incontroláveis, uma música emocionante. Emoção é a palavra que me ocorre para descrever o que ali se passou.

Sou leiga, apenas sei aquilo de que gosto. Da música não sei teorias nem técnicas. Não posso pronunciar-me sobre aspectos de que outros falarão. Eu apenas posso falar do que ouvi, vi, senti.

E de uma coisa não tenho dúvidas. Antes eu tinha o Bernardo Sassetti de cujas composições e interpretações eu gostava muito. Havia nele uma luz que, apesar das sombras, o trazia pairando até nós. Quando ele se foi, fiquei como se tivesse perdido alguém muito próximo.




Hoje senti-me feliz. Agora temos o Rui Massena. Não é um ser contido ou lunar como parecia ser Bernardo Sassetti. Tumultuoso, arrebatador, Massena é uma criatura solar. Exuberante. Comovente outras vezes, como os apaixonados o são quando quebram.


No Youtube apenas encontrei o D-Day. Amanhã vou ver se descubro o cd. A quem puder, recomendo o mesmo. Ouçam. Não será a mesma coisa que vê-lo ao vivo mas, ainda assim, acredito que aquela emoção e aquela energia que quase se agarram com as mãos, se deixem sentir.

Quando se despediu, falando com os espectadores, mostrou-se um pouco emocionado. Conhecido sobretudo como maestro, contou que há muito que desejava apresentar-se como compositor, interpretando as suas peças no piano. Riu, 'Saí do armário...' e, com os dedos da mão direita fez umas aspazitas, 'Atenção às aspas'... e riu-se. Tínhamos percebido.

E bem que já podia ter saído há mais tempo e tomara que assim se mantenha, as mãos gozando sobre o teclado, a música circulando no seu corpo, emanando dele, envolvendo quem o ouve. E que a inspiração se mantenha, que a motivação e o prazer não o abandonem.

Rui Massena, maestro e também compositor e pianista  - parabéns pelo belo concerto no CCB no dia 10 de Novembro do ano da graça de 2014.



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O vídeo lá em cima dá-nos a conhecer a música, da autoria e interpretada por Rui Massena, intitulada D-Day.


A primeira imagem é um desenho da autoria de Maria Antónia Siza.

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Relembro: sobre aquela senhora transtornada que parece ter descoberto a sua vocação, criadora de sabotonas, falo no post já seguir. 

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela terça-feira. 
Saúde, sorte, alegria e motivação são os meus votos para todos vós.

(Cá está, uma vez mais resisto à vontade de repetir os meus desejos e formulo antes os meus votos :))



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