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sábado, setembro 13, 2014

Vítor Bento e equipa de saída do Novo Banco (banco que, na prática, ainda não deve estar a funcionar). Citius, o sistema informático dos tribunais, não funciona nem se sabe quando vai voltar a funcionar. O que têm em comum estes dois assuntos? O amadorismo de quem os conduz.


Dado que se trata de uma competência da maior utilidade, no post abaixo já vos deixei com uma aula teórico/prática sobre sedução.

De resto, esta noite, com a criançada finalmente a dormir - e daqui a nada a acordar - e com o dia que me espera que inclui uma jornada de tipo Amish, não estava para temas bicudos, tinha resolvido poupar-me a tormentas

Mas eis que, quando me preparava para prosseguir no mesmo comprimento de onda, tive a confirmação daquilo que vinha temendo. Vítor Bento nem chegou a aquecer o lugar. A borboleta parece que nasceu enguiçada.


Ainda ontem o meu marido me dizia, Estou a estranhar o Vítor Bento andar tão calado e eu lhe respondia, O que ele pode fazer é uma coisa, o que lhe pedem que faça é outra completamente diferente, que não é exequível...


Desde o minuto zero que venho alertando: da forma como a coisa foi concebida, dificilmente funcionaria em tempo útil.

No caso do BES, o que deve estar a funcionar só pode ser o BES, o mesmo de sempre. A empresa Novo Banco há-de ter nome e pouco mais.

Construir um sistema informático que suporte toda a movimentação de um banco e a respectiva contabilização e estabelecer os procedimentos e a organização inerentes a uma nova empresa (ainda que idêntica a outra) é projecto para meses e isto se o assunto for conduzido por gente solidamente experiente (estou a repetir-me, eu sei). Bem podem dizer que este activo vai para este banco e aquele fica no outro. Boas intenções. De facto, cá para mim, a esta hora ainda tudo deve estar onde sempre esteve: no BES.

Tentar fazer crer o contrário ou é incompetência, ou estupidez ou aldrabice ou é saber fazer golpes de magia.

E estou a falar apenas em dar-lhe corpo e pô-lo a mexer porque se quiser falar em recuperar a confiança e rentabilizà-lo, tornando-o apelativo para clientes, accionistas, etc, então terei que falar num mínimo de 2 a 3 anos.

Ou seja, querer vender um banco que, na prática ainda não deve ter nada dentro, nem sei o que é. Se a ideia de Carlos Costa - que me parece, desde sempre, um nabo encartado, já posto a ridículo pelo Financial Times, por quem tenha olhinhos e dois dedinhos de testa - é vender rapidamente o Novo Banco (intenção compreensível mas apenas no plano das utopias), só pode não estar bom da cabeça, digo eu. Já existe empresa Novo Banco com movimentação contabilística? Ele que explique, preto no branco, o que é hoje a empresa Novo banco. Ele que mostre a sua contabilidade, balancetes, extractos, essas coisas. 


O que teria sido possível fazer de forma imediata era outra coisa, era pegar no lixo tóxico e isolá-lo contabilistica e operacionalmente dentro do BES. Isso era rápido e sem drama. Só que isso não permitiria sacar o valor das acções para deixar os accionistas depenados, como se fez. A menos que tivessem nacionalizado o banco. Mas não o quiseram fazer. Nem quiseram fazer simplesmente um empréstimo como no caso dos outros bancos ajudados na altura da troika. Ora, como não fizeram nada de lógico ou normal, inventaram uma coisa da qual não sei como se vão desembrulhar.


A equipa de Vítor Bento embarcou numa aventura de doidos, já que o que se ouve na opinião pública é uma coisa e, na prática (se ele não sabia na altura, já o deve ter percebido agora), é uma mão cheia de nada. Por isso, naturalmente Vítor Bento e toda a equipa saem do Novo Banco já que não devem ter como pôr em prática a maluquice na qual o outro os e se meteu.


Não deve ser apenas por isto de que falei que a equipa de gestão do Novo Banco sai pois os doidos só fazem doideiras por onde passam e o caldo deve estar entornado de uma ponta a outra. Mas, seja exactamente pelo que for, que esta notícia é muito preocupante, lá isso é. Volto a dizer: alguém deveria assumir o controlo desta situação. Carlos Costa já demonstrou não ser a pessoa mais adequada para o fazer.



Inexperiência, nabice, leviandade que também pode ser vista no que se está a passar com o sistema informático dos tribunais, o Citius. 


Não conheço bem o assunto mas, do que tenho ouvido, parece-me que é outra do mesmo género. A ministra deve ter achado que fazer a reforma é mandar umas bocas, escrever uns papéis, fazer umas apresentações, enfrentar a rejeição dos afectados. Ora não é.

Para além do aspecto político há depois o lado operacional. Tudo isto assenta em plataformas informáticas. Tal como nos bancos há interfaces com multibancos, internets, tudo a funcionar em todo o lado e a toda a hora e tudo a ser contabilizado automaticamente (pelo que sem uma máquina informática a funcionar, nada funciona), também nos tribunais tudo gira sobre sistemas informáticos.

Ora os sistemas informáticos não têm cabeça humana. Se as coisas mudam e os processos vão de um lado para o outro, e os acessos têm que ser redefinidos, etc, tudo isto tem que ser alterado informaticamente. E, para ser alterado, alguém tem que explicar muito bem explicadinho aos informáticos o que é que os sistemas têm que passar a fazer. Não é de um dia para o outro e com a reforma a ser ajustada em cima do joelho que se consegue que, no dia D, os sistemas informáticos funcionem como se tivessem nascido ensinados.


Entretanto, na quinta-feira, o Sindicato dos Oficiais de Justiça solicitou ao Presidente da República a convocação do Conselho de Estado, justificando que o “Estado de Direito encontra-se suspenso” por alegada “inoperância dos sistemas informáticos e falta de preparação dos decisores políticos”.
O SOJ observa que, decorridas duas semanas de suspensão na prática do Estado de Direito, com as falhas ocorridas na plataforma informática Citius, que serve os tribunais, o que se verifica é que “os decisores políticos continuam sem assumir as suas responsabilidades e, pior, nem sem dignam a dar explicações ao país”.

Coisas de responsabilidade são tratadas com uma ligeireza que assusta: se a coisa deixa de funcionar e as bases de dados ficam baratinadas, os acessos baratinados, tudo baratinado, como é que os tribunais vão funcionar? 

O voluntarismo leviano, a inexperiência, a incompetência, tudo isso consegue ser relativamente inócuo durante algum tempo mas inevitavelmente acabará por dar barraquinha e pode chegar ao dia em que a barraquinha seja uma barraca de todo o tamanho, um verdadeiro arraial.


Não sei como é que estas coisas vão acabar. Em tempos havia, numa das empresas onde trabalhei, uma contabilista que, quando via coisas assim, feitas com os pés, sem ponta por onde se lhes pegasse, dizia: 'Nem quero tocar nisso para não me sujar, isso o que é, é uma grandessíssima javardice'. E é o que me ocorre perante estas notícias e perante o que se vai sabendo: uma javardice.


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Relembro: caso vos apeteça mudar de horizontes e ouvir falar de sedução pura e dura, desçam, por favor, até ao post seguinte.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, um belo sábado.


2 comentários:

FIRME disse...

Bom dia!Não sou detentor de qualquer dom de adivinhação,mas desde o princípio deste sarilho nacional ,fiquei desconfiado!Só por aqui encontrei análise cautelosa,séria e acertiva! CLARO,que estou a falar do VELHO/NOVO BANCO.Há minutos ouvi um tal de Raul Vaz,sobre este caso que há muito tempo eram conhecidas profundas divergências entre Vitor Bento,o governador? do B.d Portugal e até com o governo! CHARLATÃO ! Na estação em que lhe pagamos,nem ele nem nenhum outro,tal alvitraram...tudo estava a funcionar ,dentro das previsões deste governo de pichotes,agarotados,com a conivência do sr Aníbal O CITIUS,em estado de sítio ,segundo a peixeira da cruz,era limpinho...E agora? Cheira-me que este velho bando,quer dar o salto !Só falta o jerónimo dar o mote :DEMISSÃO! Com o P.S.NESTA SITUAÇÃO,o sr silva está a esfregar as mãos dizendo prá maria:É AGORA !!! Vamos lá fazer história! ONDE ISTO CHEGOU...

Anónimo disse...

Este País, com este governo, começa a ficar perigoso. Sem controlo. É o BES, a Justiça, a situação económica no marasmo do costume, as irresponsabiliddes de decisões, o PR a dormir na forma, a oposição ausente, virada para si, os próximos cortes a reduzirem o consumo, e ainda está para sabermos no que vai dar o BES. Se ainda o vamos pagar.
O fim de semana tem sido tranquilo, mas o futuro do país está cada vez mais cinzento.
P.Rufino