Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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sábado, agosto 30, 2014

Mais duas razões para eu continuar sem assinar o Expresso Diário: 1ª - O Gomes Ferreira a dizer que agora é que é bom negociar a dívida com o FMI. Que carinha de pau, hein...? 2ª - 'Câmaras à rasca'? Que lindo português, hein...? O Expresso está a ir por muito maus caminhos, ah está, está.


No post abaixo já mostrei a sessão fotográfica de Annie Leibovitz com Meryl Streep: dois espíritos brilhantes.

A seguir, mostrei Mario Testino em Londres e em Nova Iorque a fotografar a gente que melhor se veste.

Não deixem de ver pois a qualidade das imagens e os locais valem bem a visita.

Hoje está a dar-me para isto.

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Mas faço agora um intervalo. 

Desde o início do lançamento do Expresso Diário online que eu, leitora militante do Expresso semanal, uma verdadeira D. Inércia do Expresso em papel, sinto aversão a alistar-me. E, salvo, honrosas excepções, vejo quase todos os dias razões para me manter firme neste meu propósito.

Hoje então a razão é dupla. 



Primeira: papagaios aprecio mas se tiverem uma bela plumagem e se souberem cantar ópera






O inteligente jornalista que gosta de se armar em economista ao serviço de Passos Coelho, José Gomes Ferreira, aparece a dizer que agora, sim, é altura para negociar com o FMI. 


Só consigo ver a introdução do artigo mas só o que vejo ali me confirma que, a bem da minha sanidade mental, felizmente que não posso ver o resto. Quando gente com cabeça e conhecimento de causa avançou e assinou um manifesto a favor da negociação da dívida, o inteligente JGF tomou as dores do Governo e escreveu uma arengada qualquer a dizer que nem pensar, nem por cima do cadáver dele. Agora que lhe soou que o Governo se prepara para renegociar as condições contratatas, qual papagaio de serviço, salta a terreiro e vem defender o mesmo, enroupando a pirueta com argumentos de faz de conta. 

Transcrevo só para ter a certeza de que não li mal:

A política financeira de austeridade seguida em Portugal, conjugada com as declarações do presidente do BCE no sentido de admitir a compra de ativos em mercado secundário, isto é, de atribuir estímulos à economia da Zona Euro, tornaram sustentável a descida das yields da dívida portuguesa. 

As coisas que ele vai buscar para mais uma das suas acrobáticas coreografias. Não há pachorra para esta criatura que gosta de se armar em primeiro-ministro de brincadeirinha, não há mesmo pachorra nenhuma. Mas parece que quanto mais são assim, mais apreciados são: na televisão a toda a hora para dar a sua piruética opinião - sempre com aqueles olhitos arregalados de quem tem muitas razões para se indignar mas que, qual cortesã, à proximidade de Passos Coelho, ajudantes do governo, empresário da corte ou quejandos, todo se desfaz em vénias - e agora também no Expresso. Livra.



Segunda: se eu quisesse ver cenas 'rascas', comprava o Correio da Manhã ou a a TV Mais 




Câmaras à rasca...? Disse: à rasca?


Pois não gosto. Sei que há muito quem o diga, sei que é do mais popular que há. Mas eu, quando leio um jornal como o Expresso, espero um português escorreito e de salão, não de viela ou taberna.

Eu já tinha percebido que o Expresso estava a descer do tacão. Quando lá vi o Duarte Marques como cronista vi o que nunca esperaria ver. Quando deixa de haver mínimos, está tudo perdido. É certo que lá há gente de qualidade mas, caraças, uma pessoa correr o risco de dar de caras com um texto de um Duarte Marques ou de um Gomes Ferreira é coisa que está para além dos limites do suportável. E agora, sem que uma pessoa esteja psicologicamente preparada, um título destes...?

Podem anunciar que a app do Expresso diário é muito boa mas se o conteúdo apresenta manchas de qualidade mais do que duvidosa e se o português escrito se vai abastardando em nome de um populismo rasca, então, só posso prever que, não tarda estejam enrascados. And sorry for my french.


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Permitam-me: sessões fotográficas para a Vogue e para a Vanity Fair com fotógrafos e fotografados de mão cheia é já aqui abaixo.


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2 comentários:

xilre disse...

It comes full circle: a geração rasca como chamou Vicente Jorge Silva metamorfoseou-se em jornalistas que escrevem de forma rasca no jornal de onde, há tantos anos, saiu o Vicente para fazer o Público.
O Expresso merecia melhores títulos, de facto.

Pôr do Sol disse...

Há muito que deixámos de comprar jornais diarios, por outras mas tambem por esta razão, falta de respeito pela língua portuguesa.

Já falhámos alguns Expressos mas somos uns animais de hábitos...

Esta nova linguagem será uma tentativa de se "aproximar" do povo?

Cada vez mais um povo culto incomoda um governante ignorante. Mas até quando se vai nivelar tudo por baixo?

Haja paciencia!