Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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terça-feira, julho 22, 2014

Limpezas in heaven em tempo de trabalho - uma coisa a fazer de conta, a bem dizer


Ora, então, comecemos pelo resumo dos posts anteriores.

A seguir a este, temos anedotas sobre advogados, essa raça de gente mais perigosa, credo.

Mais abaixo ainda, mostro uma quase selfie da Joaquina depois de o meu marido ter tratado da sua higiene. Resolvi que vou ensiná-la a tocar ferrinhos para fazer uma surpresa à família. Quando regressarem dos banhos, nem vão acreditar quando a virem, toda gaiteira. Para a ensinar, vou usar como guru o fofinho do selfie Tozé, mostrando-lhe o vídeo desse grande líder da classe operária e das cassetes piratas em plena actuação pelas terras de Portugal.
Eu, se fosse o Eurico Brilhante ou os outros da entourage do Tozé (quem são?), haveria de tentar para o grande chefe uma coisa ainda mais arrojada. Por exemplo, contratava a Joana Vasconcelos e encomendava-lhe uma obra de arte que o Tozé pudesse vestir quando anda em digressão. Um fato de galo de Barcelos, por exemplo. Feito de pegas. Já estou a vê-lo, todo contente, biquinho afiado, todo colorido, a tocar ferrinhos e a ver se caça mais um votinho. Fofinho.

Bem, mas isto é a seguir. Agora, aqui, a conversa é outra.







Os assuntos que estão em fila de espera na minha cabeça amontoam-se porque eu sou só uma. Alguns acabam desistindo, outros pacientam até que as agruras diárias deixem uma aberta para que eles metam o pé e acabem forçando a entrada. Tenho pena de não poder atendê-los bem a todos. Se eu conseguisse escrever a quatro mãos, desafogava. Assim fazem enchente e, como não tiram senha, eu, que não quero ferir susceptibilidades, não sei por que ordem ir dando vazão.

Por exemplo, tenho na caixa de correio alguns artigos ou anedotas que alguns Leitores, generosos, me vão enviando. Mas gosto de os tratar, embelezar ou, quando são assuntos sérios, gosto de os perceber, de cruzar informação. Mas escasseia-me o tempo e os assuntos vão-se juntando. Depois há os  que nascem da actualidade, estou a ver as notícias enquanto janto e lá me aparece um tema que atropela os outros, salta por cima, vem plantar-se-me na ponta dos dedos. E alguns dos outros, depois, perdem razão de ser.

É o caso. Tenho aqui uma mente mas não sei se faz sentido. Quem me vai ler a uma terça feira, quer lá saber do que eu fiz no domingo... É assunto já de si irrelevante e se, ainda por cima, já for velho, interessa a quem?

Estava in heaven no domingo a fazer a faxina doméstica e, ao mesmo tempo a fazer a reportagem fotográfica, pensando depois falar nisso..

Quando estou no fresco do gabinete, a tratar de assuntos sem graça, não me ocorre mostrar-vos as paredes onde óleos verdadeiros as embelezam ou as paredes de vidro por onde a luz entra sem que o calor do sol me incomode. Tudo me parece inenarrável. Talvez tivesse interesse a quantidade incrível de pessoas que encontro nos grandes elevadores que andam em permanência para baixo e para cima sem que eu antes alguma vez as tivesse visto. Agora, já aparecem as que vieram de férias, mulheres esculturais bronzeadas e vestidas como se fossem para cocktails em Embaixadas ou cavalheiros tisnados e elegantes como se fizesse parte de um filme da Dolce and Gabanna. Ou outras, parecidas, perfumadas da mesma maneira, vestidas também quase da mesma maneira mas numa gama mais baixa (talvez queiram imitar as primeiras) ou homens conversadores e divertidos que falam sobre assuntos incompreensíveis.
Eu poderia pedir autorização para filmar esta curiosa gente que habita o grande edifício onde trabalho e teria, com certeza, a partir daí roteiros para muitas histórias.
Mas, tirando isso, os assuntos são muito específicos ou muito atilados para aqui me referir a eles. Há também o sigilo, claro, mas isso obviamente, está fora de questão pois jamais falaria aqui de assuntos profissionais particulares.
Em família também raramente falo de trabalho. Quanto muito, falo de assuntos de pessoas que lá trabalham. Não acho graça a falar de trabalho nem acho que isso interesse a ninguém tirando aos que lá trabalham comigo. Acho que a grande maioria das pessoas da minha família e amigos não sabe exactamente o que faço. Sabem a designação do meu cargo mas não como lá ocupo o meu tempo.
Contudo, gosto de falar de outras actividades que desenvolvo. Por exemplo, não me importo nada de falar de culinária, arrumações de livros ou limpezas.

Dizia eu, portanto que, no domingo, tinha a ideia de falar das limpezas mas, depois, meteu-se o artigo do Pde. Tolentino Mendonça sobre a carta da Rosa Luxemburgo e, quando acabei, apeteceu-me escrever o outro sobre eu ter nascido sem asas.

A propósito, quando estávamos esta segunda feira à espera para almoçar, perguntei ao meu marido se tinha lido. Respondeu-me: ‘Uma maluquice’. Perguntei de qual é que ele estava a falar já que tinha escrito dois posts. Respondeu ‘De teres nascido sem asas. Está muita gente aqui e eu não me posso demorar’. Interpelei-o, claro está: ‘Pergunto-te se gostaste do que escrevi e despachas o assunto em grande velocidade, mudas logo para outra coisa’. Respondeu-me: ‘Mas claro. Se é uma maluquice, mudo de assunto e faço de conta que não é nada. Ia agora pôr-me a falar de teres nascido sem asas? Não sou maluco.’ Isto para vocês verem o quanto os meus dotes literários são apreciados aqui por casa.

Bem, a ver se me concentro. Limpezas.

Tapetão de Arraiolos feito por moi-même, desenho livre, que tenho aos pés do sofá em frente da televisão


Há coisas de que gosto bastante de fazer. Gosto de varrer, sacudir tapetes, pô-los ao ar, lavar o chão, lavar casas de banho e cozinhas. E cozinhar, claro.

Não gosto nada é de limpar o pó. Fui enchendo os móveis de tralha e depois não dou mãos a medir. Qualquer dia guardo as bugigangas todas numa arca para só ter superfícies lisas para limpar.

E agora acontece um fenómeno.


Onde eu fui dar com a tesourinha... dentro de um dos pratos da balança antiga

Volta e meia os pimentinhas desencantam coisas onde não podem mexer. Então a gente tira-lhes as coisas das mãos e esconde-as onde eles não cheguem. E depois nunca mais ninguém se lembra. Bem se podem depois procurar essas coisas porque nunca estão onde é expectável. Ao limpar o pó é que vou descobrindo coisas onde menos se espera. Por isso, a tarefa de limpar o pó é uma seca ainda maior: é limpar e encontrar novos esconderijos para os objectos que vou descobrindo fora do sítio.

Acresce agora a quantidade de brinquedos que descubro por todo o lado. 


Brinquedos que eram dos meus filhos.
A estes pu-los a ocuparem dois lugares de sofá


Nem sei onde guardá-los pois os pimentinhas, mal chegam, entram a correr à procura do carro da pá, da cama da barriguita, do cavalinho, da casa das chaves. Mais vale as coisas estarem à vista. Eram brinquedos dos pais. Tenho a despensa cheia deles. Vão saindo à cena à medida que os pais se vão lembrando.

Depois, quando saímos, é uma manobra logisticamente tão complexa que não dá para estar com grandes arrumações. A maior parte, a bem da verdade, nem com grandes nem com pequenas. Fecham-se portas e janelas, desliga-se o gás e a água, acciona-se o alarme, e ala que se faz tarde.

O pior é quando se entra em casa na vez seguinte.


Estaca de madeira que ficou assim
depois de a terem andado a revestir de plasticina.
Menos mal aqui, até fica com piada.
O pior é quando encontro nas carpetes,
bolinhas dentro de caixinhas e sei lá mais por onde.

As plasticinas agora estão escondidas mas encontro vestígios por todo o lado. O meu marido aborrece-se, Porque é que tiveste a triste ideia de lhes dar plasticina...? Esconde-a bem escondida antes dos gajos chegarem!


Mas o pior mesmo são as teias de aranha. Não dá para acreditar. Há teias nos cantos das paredes, entre as molduras dos quadros ou dos espelhos e as paredes, debaixo das cadeiras, por todo o lado. A cadeira de balouço por baixo era uma teia de aranha pegada.

Quinze dias sem entrarmos em casa e a bicharada toma-a de assalto. Dos bichos de conta então nem é bom falar. Afasto os sofás ou os móveis e não há apenas pó: há toda a espécie de animais rastejantes. Este fim de semana mais uma: a sala estava cheia de formigas. Eu, que gosto de andar descalça, ia sendo devorada.

Mas são limpezas à pressa. Ao fim de semana, geralmente mal estamos lá 24 horas. Entre chegar, ler o Expresso, descansar e comer e dormir, como fazer uma limpeza como deve ser...? E isto quando estamos só os dois porque, se vai a tropa toda, então, é tentar chegar antes deles para uma limpeza à pressão e acabou-se, porque mal chegam já não há oportunidade para frescuras dessas.

Estou desejando que cheguem as férias para poder fazer uma limpeza mais a sério, lavar tapetes, lavar vidros, pôr cera nos soalhos.

E lá fora...? Desta vez não tive tempo mas há folhas secas que dão para uma semana de vassoura na mão. E o que eu gosto de varrer.


Paredes a precisar de pintura
Chão a precisar de ser varrido


Há outros trabalhos mas esses requerem mais mão de obra e mais tempo. Por exemplo, pintar a casa e os muros, já para não falar de bondex nas portas e portadas. Com tanta chuva, o musgo infiltra-se nas paredes e descolora e seca as madeiras. Eu gosto imenso de ver, farto-me de tirar fotografias, acho bem mais bonito assim do que paredes brancas imaculadas e madeiras reluzentes mas, de facto, acho que estaria na hora de pintar tudo. Mas quando? Vamos sacrificar as poucas férias que temos com homens lá dentro, a pintar a casa? Pintarmos nós não dá, é parede a mais para sermos só nós dois. Aí é que as férias não dariam mesmo e acabávamos as férias mais podres do que quando começássemos. Enfim, vamos andando, a casa cada vez mais coberta de patine. Um charme - faz de conta.

Agora tinha ainda ideia de vos contar sobre o almoço de domingo cujo tempero foi feito apenas com ervas que apanhei por lá mas já são duas da manhã e já estou com sono. Fica para outro dia, está bem?


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A música lá em cima é uma interpretação de um pianista fantástico (tantas vezes uso estes adjectivos que qualquer dia vocês não me levam a sério mas que hei-de eu fazer se há tantas coisas e pessoas fantásticas?): Júlio Resende aqui interpretando "Fado" (Gaivota).


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Relembro: para piadas sobre advogadas perigosas e sobre ainda mais perigosos estudantes de advocacia, desçam por favor até ao post já a seguir. Para verem o que eu vou ensinar à Joaquina para ver se ela se torna primeira-ministra, desçam até um pouco mais abaixo. Informo os que não gostam de fofinhos: para além da Joaquina, vão lá encontrar uma coisa ainda mais fofinha que a Jaquina, o docinho do Tozé a tocar ferrinhos.


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E, por agora, por aqui me fico.
Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela terça feira. 
E os que estiverem de férias façam a caridade de não mo dizerem, para eu não morrer de inveja, está bem?


5 comentários:

FIRME disse...

Tenha uma boa semana,para si e para nosso bem !Acredito que as suas asas não serão visíveis;mas que elas vivem e voam,levemente é milagre;nunca se perdem!chegam sempre ao destino!!!

Anónimo disse...

Daquilo que nos vai revelando, de quando em quando, desta sua casa, aprecio, sinceramente, o carácter da mesma, a “patine” antiga, a sobriedade do seu gosto.
E o sítio deve ser encantador, pelo que nos mostra e conta.
P.Rufino

Pôr do Sol disse...

Cara Jeitinho,

Achei o seu post e as fotografias lindas. Com ou sem asas voa bem alto.
Muitos, quase todos, os seus leitores já o têm dito e perguntado até, para quando um livro, tal a sua qualidade.
Quando fala das reações do seu marido, perdoe-me, mas não posso deixar de pensar como serão como casal.
Parecem-me tão diferentes, contudo tão companheiros.
Talvez resida nessa diferença a harmonia, a vossa cumplicidade.
É pena não incentivar a sua veia literaria, ou será que gosta mas não o diz?
Vá escrevendo que nós gostamos.
Um beijinho




Um Jeito Manso disse...

Olá agora em especial e dado o adiantado da hora à Pôr do Sol,

Eu e o meu marido, apesar de muito diferentes, somos inseparáveis. Completamo-nos. Mas não somos lamechas ou coisinhos um para o outro. Eu acho que ele gosta do que eu escrevo, lê todos os dias mas não é de muitas palavras e, muito menos, de louvores.

Mas se sabe que há mais visitas ou se lê algum comentário, depois ouço-o a contar aos filhos.

Mas do que ele se queixa é dos horários que eu faço. Acha que eu deveria escrever menos ou arranjar maneira de começar mais cedo para me deitar mais cedo.

Mas paciência, são os meus horários...

Daqui a nada vou pé ante pé a ver se não o acordo para não ouvir mais um remoque...


Beijinhos e obrigada, Sol nascente!


E um abraço ao Firme e ao P. Rufino também!

Um Jeito Manso disse...

Olá agora em especial e dado o adiantado da hora à Pôr do Sol,

Eu e o meu marido, apesar de muito diferentes, somos inseparáveis. Completamo-nos. Mas não somos lamechas ou coisinhos um para o outro. Eu acho que ele gosta do que eu escrevo, lê todos os dias mas não é de muitas palavras e, muito menos, de louvores.

Mas se sabe que há mais visitas ou se lê algum comentário, depois ouço-o a contar aos filhos.

Mas do que ele se queixa é dos horários que eu faço. Acha que eu deveria escrever menos ou arranjar maneira de começar mais cedo para me deitar mais cedo.

Mas paciência, são os meus horários...

Daqui a nada vou pé ante pé a ver se não o acordo para não ouvir mais um remoque...


Beijinhos e obrigada, Sol nascente!


E um abraço ao Firme e ao P. Rufino também!