Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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domingo, junho 22, 2014

Receber o Verão na Casa da Cerca em festa, de frente para Lisboa, a Bela, ao som da música dos The Soaked Lamb. Haja saúde e alegria e que venham daí esses longos e quentes dias de estio.


No post abaixo dou a palavra a uma menina inteligente, a Mariana Mortágua, uma economista de fala clara, limpa, que ali invoca o espírito merceeiro da Dama de Ferro para ajudar a explicar aquilo a que a burrice de uma seita muito esquisita está a conduzir. Não deixem de ler porque é de leitura acessível e todo o texto é muito auto-explicativo.

E tendo falado disto, mergulho, no post seguinte, no verdadeiro mundo dos ricos. Com a minha costela sherlockiana não apenas quase desvendo o mistério do iate ancorado a meio do Tejo, como vos faculto o caminho para os interiores do barquito.

Bem, isso é a seguir. Aqui, agora, a conversa é outra. E vai ser rápida porque são duas da manhã, estou cansada, e este domingo a alvorada é cedo porque vamos de excursão, com mantimentos já meio preparados (estive a cozinhar esta noite e amanhã é só meter tudo na geleira e em sacos - esta é a história da minha vida: andar carregada de um lado para o outro): vamos todos passar o dia ao campo.



Hello, Bang Bang, Goodbye


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Este sábado foi o dia mais longo do ano, o primeiro dia de verão. E nós fomos viver o solstício de verão em festa, pois claro.


O local é dos mais belos à superfície da terra pela vista. E é bonito também em si, isto é, não apenas pela vista. E, quando está cheio de gente, torna-se um local mágico. Refiro-me à Casa da Cerca em Almada, um local aprazível com uma vista soberba sobre Lisboa.


A família reuniu-se lá e alguns amigos juntaram-se-nos. Éramos um grupo grande entre muita gente que, na relva, junto às árvores, com uma vista fantástica, comia, bebia (havia lá imensas barraquinhas com petiscos, bebidas e bolos óptimos) e conversava e, depois, cantava, batia palmas e dançava.

Um good feeling no ar.

Estou agora a falar do concerto ao ar livre, no anfiteatro natural, dos The Soaked Lamb do qual faz parte, entre outros, o escritor Afonso Cruz.

Li que: uma vez que todos os membros da banda exercem outras profissões, as gravações tinham lugar aos domingos. Como o dono da casa preparava, ocasionalmente, ensopado de borrego, foi graças à ementa de domingo que a banda ganhou o seu nome.

A música é deliciosa (tal como seria, certamente, o ensopado de borrego), as interpretações deles um prazer, uma boa onda contagiante.

As pessoas estavam não apenas no pequeno anfiteatro, como espalhadas pelo jardim, deitadas no amplo relvado, e uma senhora ao nosso lado pintava aguarelas, grupos petiscavam, outros conversavam e muita gente dava o seu pezinho de dança (eu incluída, claro).

De todos os pimentinhas, o que me acompanha na dança - mas com uma pinta que só visto - é o bebé.

Que belo pé de dança se está ali a formar. Baixa-se, dança com o corpo todo, faz gestos com os braços, com as mãos, uma pintarola. E sempre a rir, um bacaninho palrador.

Cada vez mais, parece que as pessoas começam a ganhar o gosto em juntar-se, em festejar em conjunto as pequenas coisas da vida, em desfrutar a natureza.

Estar assim, num espaço aberto como este, de onde a vista é maravilhosa, a ouvir música, num ambiente descontraído, junto daqueles por quem sentimos mais afecto, revermos pessoas que não víamos há algum tempo, estarmos à conversa, na boa, sem poluirmos a conversa com temas desagradáveis nem falarmos de gente desqualificada, é do melhor que há.

Quando há pouco abri a caixa de correio tinha uma dúzia de mails com artigos, dicas, links para sites onde se fazem denúncias importantes. Mas a verdade é que a minha cabeça estava mesmo noutra. Tirando o artigo da Marianita, tirando um vídeo que hei-de divulgar amanhã e um inesperado mail de uma Leitora a quem responderei ambém amanhã, não consegui interessar-me por mais nada (nem, uma vez mais, consigo responder: já é tão tarde). Que me desculpem os que tão generosamente me enviam informações, munições, não me levem a mal. Mas há dias em que a nossa cabeça só quer frescura.

Talvez que esta minha reacção tenha o seu quê de alienação. Mas e daí? Há-de uma pessoa estar sempre arreliada, preocupada?

Se está num espaço lindo, a ouvir uma música que nos faz ter vontade de dançar, se está entre família e amigos e estão todos sorridentes, bem dispostos, não é isso uma coisa boa?

Eu acho que sim.

Isto ainda me dá mais vontade de lutar para que a vida seja uma coisa boa e não um tormento. Quando penso nas pessoas que não arranjam trabalho ou que ganham miseravelmente ou que receiam não ter dinheiro que lhes chegue até ao fim do mês e que, portanto, não têm paciência ou ânimo para estar em ambientes distendidos assim, ainda me sinto mais determinada a tudo dizer e tudo fazer para ajudar a que haja uma qualquer reviravolta nesta política perversa que rouba a alegria de viver a tanta gente.

Depois, já o sol se estava a pôr, regressámos. Almada já começava a iluminar-se e na velha Rua Capitão Leitão, cheia, já se assavam sardinhas e febras e já tocava alto a música para os festejos dos santos populares.

Haja alegria. Pelo menos enquanto a alegria não pagar impostos.


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E por aqui me fico. Relembro: abaixo há mais dois posts que talvez gostem de ler. E um alerta: não consigo energia para reler o que acabei de escrever (nem este nem os dois posts abaixo). É mais que certo que haja letras trocadas ou a mais ou a menos, vírgulas saltitonas e outras incongruências. Relevem, sim?

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, um belo domingo. E um bom Verão!
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