Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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terça-feira, junho 17, 2014

Hora de os Leitores de Um Jeito Manso se olharem ao espelho - eis a chave do enigma que ontem aqui vos deixei


Ora então meus Caros Leitores, está prestes a chegar o momento das grandes revelações. Irão ver-se ao espelho, é o que vos posso garantir. Isto, claro está, se tiverem escrito as respostas às questões que ontem vos coloquei. Caso ainda o não tenham feito, sugiro que saltem agora para o dito post e o façam, podendo, então, regressar aqui onde vos darei conta da chave do enigma.

Mas, antes, quero alertar-vos que este é o terceiro post desta noite. 

Comecei com o que me ocorreu depois da abada humilhante dos 4 a 0 que a Alemanha, sempre ela, nos infligiu e expliquei porque é que não ando com fezada nenhuma na nossa participação neste Mundial. Parece-me tudo muito fabricado, muito empolado, uma coisa assim a fazer de potencial quinto milagre de Fátima na pessoa de um rapaz que andava com um problema numa perna e que tem uma namorada russa. Acho que aquela equipa e quase tudo o que a rodeia não batem certo e as coisas que não batem certo parece que não têm grandes condições para darem certo. É como as pessoas que não batem lá muito bem da bola e que, por isso, parece que todos os pontapés (na bola) lhes saem ao lado. Mas adiante que eu para eufemismos futebolísticos não sou lá grande coisa (já para os outros sabe Deus).
Finalmente consegui acabar de traduzir o artigo da Newsweek sobre espionagem na internet e, então, lá cumpri o que andava a prometer: publicá-lo. Trata-se de um bastante revelador artigo sobre o que se passa no braço europeu da NSA e acho que é bom que saibamos como é que as coisas se passam, isto é, por onde andam os nossos mails, sms, posts, etc, - se bem que de uma coisa podemos nós estar certos: o que dizem não deve corresponder exactamente ao que é. Mas, enfim, sempre é melhor que nada.

De qualquer forma, isso é a seguir. Aqui, agora, a conversa é outra.

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Tell yourself, se fazem o favor



[Natalie Merchant interpreta a canção Tell yourself sobre imagens do filme Persona de Ingmar Bergman]



Era para partilhar convosco as minhas próprias respostas àquelas enigmáticas questões mas já é tão tarde que tenho que deixar isso para amanhã ou depois. Vou já direita ao ponto e sem delongas porque já passa das duas da manhã.





Ora, então, cá vai a chave. Pegue, por favor, no que escreveu e releia-o sabendo agora que:


1- A casa ideal que descreveu corresponde ao que você, meu Caro Leitor, é. Ou melhor, ao que pensa de si próprio. 

Por exemplo, se a casa que descreveu é antiga, você é provavelmente tradicional e não gosta muito de mudanças. Se a casa é nova, você será moderno, uma pessoa de mente aberta. Se descreveu uma casa grande, você será confiante e tem-se a si próprio em boa conta. Se é uma casa cheia de luz, você é optimista. Muitas janelas significam que você é aberto e amistoso. O número de divisões refere-se sensivelmente ao número de pessoas importantes na sua vida.


2 - A taça representa a sua ideia de amor. Quanto mais bela e valiosa, mais importante o amor é para si. O que está dentro da taça descreve a sua presente vida amorosa e a sua experiência amorosa até aqui.


3 - A casa na floresta é a sua ideia de religião ou de Deus. Um edifício bem construído e belo significa que você, meu Caro Leitor, é uma pessoa de fé. Um edifício em ruínas é, obviamente, o oposto. Se a casa está ocupada, provavelmente você é um praticante da religião em que acredita.


4 - O jardim que descreveu é a sua ideia do mundo que o rodeia. Se é um jardim cheio de vida, isso significa que você, meu Caro Leitor, está satisfeito com o mundo. Se está coberto de mato, pensa que o mundo é uma confusão, tem ruído a mais para o seu gosto.


5- A parede e a porta representam a morte e a forma como a encara. Tem medo? Avança com despreocupação? Tenta evitá-la? Entra com confiança?


6 - O mar é aquilo que pensa que o futuro lhe reserva. Se descreveu o mar como sendo frio e revolto, então tem dúvidas sobre o que lhe vai acontecer no futuro. Se o imaginou calmo e aprazível, então encara o futuro com confiança. Se entra na água, isso significa que está em condições de cumprir com as suas ambições. Se nem se aproxima da água, então, lamento dizê-lo, não tem qualquer expectativa em relação ao futuro.




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Não apenas já não consigo reler o que escrevi como fui minimalista nas explicações. Por um lado, é muito tarde e tenho que me levantar cedo (e não convém que me ponha a dormir durante a reunião que tenho logo de manhã) como, por outro, cabe-vos agora a vós, Caríssimos Leitores, interpretar o que escreveram, repararem nos pequenos pormenores que se escondem por trás de cada uma das vossas palavras.

Da parte que me toca apenas posso acrescentar que espero que tenham ficado a conhecer-se um pouco melhor... e que, sobretudo, sintam que bate certo. Se não bater, pronto, não sei o que vos diga, excepto, nesse caso, pedir-vos que não me batam a mim. O que posso ainda dizer-vos é que, no meu caso, a coisa assentou que nem uma luva e que, segundo o meu amigo me descreveu, nos demais casos de que ele tem conhecimento tem sido igualmente surpreendente. Explicações para isto? Não tenho. Provavelmente o nosso cérebro processa no mesmo sítio e da mesma maneira os conceitos descritos. Mas não faço ideia.

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As belas  fotografias são de Bertil Nilsson

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Relembro: por aí abaixo há um artigo interessante sobre espionagem na web e uma esperta crónica de futebol sobre a charutada da Alemanha nos tugas que, apesar de terem uma super-estrela na sua equipa, acabaram rendidos sem que uma estrela os tivesse guiado (é que o futebol, cá para mim, não deve ser bem o reality show em que a selecção nacional deixou transformar a sua ida no campeonato).

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela terça feira!


6 comentários:

Anónimo disse...

Olá, UJM,

Este enigma, de facto, está muito interessante. Eu escrevi numa folha as respostas e fiquei surpreendida com o significado das perguntas. Quanto à primeira pergunta, é natural que reflita a própria pessoa: uma casa pode ser tudo (minimalista, moderna, clássica, tradicional, etc.) pelo que se uma pessoa gosta de um certo tipo é porque se enquadra bem nesse ambiente. Para mim, é preciso é muita luz natural, imensa, e depois ser num último andar de um prédio moderno, mas com um toque clássico, com uma vista maravilhosa para o rio (como na primeira casa em que vivi, junto ao castelo de S. Jorge) e simples, com poucos bibelôs e muito espaço.
A da parede e da porta (nº 5) também faz sentido. E a nº 6. Só tenho algumas dúvidas quanto à n.º 3 relativa à religião: então se uma pessoa encontra uma casa na floresta, por que não há de imaginá-la toda arranjadinha, de madeira, com fumo a sair pela chaminé, com um aspeto quentinho, num dia frio de inverno, a convidar-nos a entrar... É que se tem fumo, está habitada... E eu nem batizada sou, quanto mais praticante!
Mas é daquelas coisas... eu sou sagitário e acho que o signo me assenta como uma luva. Mas a minha irmã é balança e ela é o oposto: muitíssimo alegre, impulsiva, intuitiva, um bocadinho dada à teatralidade.

Um abraço,
JV

lidiasantos almeida sousa disse...

Dizem que o atual Castelo de São JORGE FOI MANDADO CONSTRUIR POR SALAZAR, EM CIMA DAS RUÍNAS DUMA MESQUITA ÁRABE, ou pelo menos naquilo que restava.

Esta informação é verdadeira? Ainda não vi no Google por estar em relaxe depois de fazer colagens como uma louca.

Onde pára o ALFORRECA? Estará com um ataque de nervos (pera ser simpática)herdado da parte da família materna.

O Portas deu à costa para disfarçar? a prometer o maior investimento de sempre. QUE GANDA MENTIROSO.

A TOUPEIRA MARIA LUIZ ALBUQUERQUE foi fazer uma visita-propaganda ao Refugio Aboim do PSD QUE RECEBE Milhões para albergar meia dúzia de crianças dos filiados. diz ela com o seu ar seráfico: Deixai vir a mim estas criancinhas, porque para as outras estou-me c.............

Um Jeito Manso disse...

Olá JV,

Fico contente que se tenha revisto no que aqui lhe transmiti.

Quanto à questão da religião, permita-me que eu lhe chame a atenção para que eu não falei em religião católica. Religião cada um toma a que quer (ou não toma). Eu, do que a conheço por aqui, diria que a acho do mais religioso que há, fiel, devota, praticante e muito, o que queira. Pelo Benfica.

Que me diz? Faz-lhe sentido?

Um Jeito Manso disse...

Olá Lídia,

Com que genica anda...! Fico espantada com a sua produção - e não me estou a referir apenas aos comentários mas, sobretudo, aos mails e foto-montagens. Anda inspirada, com uma pedalada que só vista!

Não tenho conseguido ver notícias praticamente nenhumas. O que aqui me diz é novidade.

Anónimo disse...

Olá!
Ah, que preguiça! Depois de uns dias de encantar, ainda me está a custar retomar a rotina. Fui reler Posts anteriores desde que desapareci, mais os comentários e permita-me que deixe aqui algumas observações: aquelas do ministro de economia de calções de banho e cruz ao peito (e carago, que cruz, um tamanhão! Com o Paulito Portas atrás, de alcinhas) e do porco com sapatos e meias de senhora estão impagáveis! Há malta assim, nas praias e por aí fora. Um tipo outro dia, anafado, com ar de cretino, a fazer-se de engraçado, andava, mais coisa menos coisa, assim despido/vestido, como o porco. Devia ser do calor, ou então era bicha exibicionista. Adorei – aliás, sou fã nº 1 ! – os vários comentários de Lidia Santos Almeida Sousa! Que mulher! Um espanto! Uma genica! Que frontalidade! Sem papas na língua! E feminina! Tenho cá umas receitas, mas como metem vinho à mistura não me atrevo a enviar-lhe, pois, se a memória não me falha, vinho não – e olhe que era sobre um Gaspacho diferente, de Verão! Aquele Tango que HSC comentou tem que se lhe diga. Outro dia dancei (lá naquele “encanto”), mas não foi um tango, nem valsa, mas uma coisita menor, comparada com aquelas. E gosto igualmente da nossa JV. Rapariga que pensa com a cabecinha bem assente sobre os ombros. Cuidado, todavia, com algum excesso de auto-confiança. Não sei se é o caso. Mas, essa de gostar de vencer e coisas assim ás vezes dá para o torto. O importante é, sobretudo, tentarmos não perder, mas se tal suceder, sabermos “reciclar” a derrota e depois de percebermos os porquês e partir para uma vitória. Aprende-se mais perdendo do que ganhando. Ganhei muitas vezes mais na vida, mas das poucas que perdi, ganhei mais confiança e experiência e saber, para evitar outras derrotas. Uma vitória depois de uma derrota conforta-me mais do que duas vitórias seguidas. Esta vida está recheada de trastes, em todos os cantos: amoroso, profissional sobretudo, pessoal, etc e tal. UJM, acho um espanto esse seu romance dos 20 até hoje! Assim é que é! Concordo! Quanto á Política, gostava de conhecer a tal Teresa L. Coelho. Aqueles lábios, aquelas pernocas com meias pretas! Conheci um tipo, militar, há muitos anos, que me dizia: “sabe, você conhece fulana? (disse-lhe que sim) é que ando a pensar fazer-lhe um lance!” Ou seja, em linguagem vernaculo-militar, atirar-se á criatura. Entusiasmei-o. Que fosse avante. Foi. Mas aquilo correu mal. Mas, nunca mais esqueci a palavra “lance”. Se um dia o reencontrar, proponho-lhe um lance à dita Coelha. Hoje o noticiário das 7 da tarde na rádio, no carro, era sobre as coxas do Coentrão e outro. E eu a pensar: quero lá saber! Agora se fossem outras coxas, como as da Irina e outras, ficava mais preocupado. E Portugal futebolístico no Domingo? Muito cuidado! Ando algo desligado desta tragédia que é o que estes matrecos do governo nos vão fazendo. Tenho de arrebitar. Dançando, ou bebendo um Bafarela 17, ou coisa assim. Se cruzarmos os braços eles agradecem. E gostei igualmente dos comentários sem cerimónia do Bob Marley! Ciao e tenham uma bela e cálida noite!
P.Rufino


Anónimo disse...

Tem toda a razão, UJM, sou fervorosamente religiosa, então!

P. Rufino, isto da autoconfiança funciona por ciclos: quando há muita, é certinho como o destino de que vem aí uma paulada para nos fazer regressar à realidade. Mas também sem ela, não dá para arriscar. Quanto à vontade de vencer, é mais uma luta comigo própria do que outra coisa. É sempre possível fazermos mais e melhor, independentemente do que os outros fazem. No ano passado, fui fazer uma prova oral para melhorar a nota de Economia. E não subi. Foi a única vez até agora que isso aconteceu. Fiquei aborrecidíssima, porque as orais são seguidas e leva tempo preparar cada uma delas, se não se sobe, é um puro desperdício de tempo que se podia ter usado para preparar melhor as outras. Não é por nada, mas o Professor era um parvalhão: estava a dizer que a Alemanha não tinha salário mínimo e tal, e ele pergunta-me: já foi à Alemanha? Respondi que não. E ele disse: Então não fale sobre a Alemanha. Apeteceu-me dizer que o Kant nunca tinha saído da terra natal, Königsberg, e não era por isso que o conhecimento não chegava até ele. De qualquer forma, fui super desmotivada para a minha última oral e tive uma nota estrondosa, não estava nada à espera. No meio disto tudo, não há concorrência, digamos assim, não posso impedir ninguém de fazer melhor. Num jogo de futebol pode-se sempre tentar tirar a bola ao adversário, uma empresa disputa clientes com outras empresas, os advogados das partes em litígio querem os dois ganhar o caso. Na fase em que me encontro não há nada disso. Ainda estou em fase de germinação.

Abraço,
JV