Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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terça-feira, abril 15, 2014

'Prudentes' ou 'ousados', tempera ela quando lhe perguntam se a saída vai ser limpa ou com programa cautelar: que 'tem que ouvir os portugueses', imagine-se o descaramento dela...! Pois eu, daqui, respondo-lhe: os portugueses, minha Cara, são uns mansos, uns mansarrões, estão por tudo. Pode ser uma saída lavadinha ou uma porcalhona, que eles aceitarão tudo. E ainda acharão bem que os acusem depois de serem maníacos das limpezas ou badalhocos de todo (consoante a opção que a senhora e o seu chefe e todos os seus outros chefes escolherem). Por isso, minha senhora, faça o que quiser. [E, a propósito ou talvez não, ocorreu-me aquela de haver psicopatas por todo o lado, como diz Jon Ronson. É que, cá para mim, juntaram-se uns quantos no governo]


Eu podia dissertar tanto sobre o que esta gente diz e faz, ó senhores, mas tanto - mas ando sem pachorra para o avacalhamento de que se tem vindo a rodear, e de forma galopante, o exercício do poder em Portugal. Já mais parece uma esquina de má fama onde se juntam os malandros e as galdérias, gente a soldo, sem vergonha.

Hoje, estava a pagar uns livros e atrás de mim estavam três cavalheiros com bom aspecto, daqueles executivos que aproveitam a hora de almoço para, tal como eu, irem comprar uns livros, umas revistas. E então ouvi este diálogo sobre a indexação das pensões à economia e à demografia e ao facto de os cortes provisórios afinal serem definitivos: 'Então o gajo, depois de dizer que era tudo mentira e de quase parecer que ia tirar o tapete ao outro, agora tem a lata de perguntar qual é a novidade e de dizer que a gente já sabia?'. O tom era indignado. Um disse entre-dentes, tom quase ameaçador: 'Um murro das trombas é o que o gajo 'tá a precisar' e outro, com voz de desprezo 'é um porco'.

Tive vontade de me virar, meter-me na conversa e dar-lhes razão, juntar-me à festa. Dizer que não é só porco: é camelo, é burro, é abutre, é um verme.

Mas mantive-me bem comportada. Afinal dar-lhe tanta importância porquê? Não passa de um coelho de aviário.

No carro ouvi as notícias. Do lado do governo mentiras, falta de respeito pelas pessoas, uma vergonha.

No sábado lá estive a catequisar a minha mãe. Está furiosa com toda esta gente, diz que são uns aldrabões, uma gente sem cabeça, sem coração, uns desalmados. E diz que não tem vontade nenhuma de ir votar porque, depois do que se está a passar, perdeu de vez o respeito pelos políticos, que já sente nojo, que não consegue ir dar-lhes o seu voto de confiança.

Então, roguei-lhe: podem não ser uns santos mas há uns piores que outros, pleeeease, vá votar, vote para tirar estes sacanas de lá.

E ela olha-me com ar de dúvida: sei lá! Nunca pensei assistir a uma pouca vergonha destas!

E eu imploro: mas então vote para os tirar de lá. Pleeeeeaase.

Mas voto em quem, se aquele Seguro parece tão fraco? - pergunta-me ela. 

Pior do que estes não é de certeza. Ou então vote no PC, vote no Bloco de Esquerdo, vote num qualquer desses, desde que seja contra o PSD ou o CDS - suplico.

Por fim lá me disse: Pois, se calhar é melhor.

Uffff! Acho que no dia das eleições vou lá nem que seja para a levar à força à assembleia de voto.

Mas fico a pensar: será que as pessoas que mais estão a sofrer na pele se sentem tão desanimadas, tão ofendidas, tão desrespeitadas que até perdem a vontade de manifestar a sua rejeição?

Ó valham-me todos os santinhos. Que povo este que não sabe lutar, que aceita tudo como se de uma punição divina se tratasse.

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Lembrei-me de Jon Ronson que acha que há psicopatas em tudo o que é lugar de poder, nas empresas, na política, gente que não sente empatia pelas vítimas, que com a maior insensibilidade atira com as pessoas para o desemprego, para a pobreza, para fora do país, para a guerra.

O seu livro The Psychopath Test: A Journey Through the Madness Industry é disso que trata.


Se esta cambada ou, pelo menos, alguns deles não são psicopatas então não sei o que é um psicopata. Deviam era ser internados, caraças.



Já agora mostro Jon Ronson a falar da sua investigação.

(Só é pena que tenha os dentes de baixo tão tortos mas, enfim, isso é um pormenor de que nem me fica bem agora falar.)




Transcrevo parte do texto que pode ser visto no Youtube, na apresentação do vídeo: 

An influential psychologist who is convinced that many important CEOs and politicians are, in fact, psychopaths teaches Ronson how to spot these high-flying individuals by looking out for little telltale verbal and nonverbal clues. 

And so Ronson, armed with his new psychopath-spotting abilities, enters the corridors of power. 

He spends time with a death-squad leader institutionalized for mortgage fraud in Coxsackie, New York; a legendary CEO whose psychopathy has been speculated about in the press; and a patient in an asylum for the criminally insane who insists he's sane and certainly not a psychopath.


***

É verdade: para momentos de um outro mundo, deslizem até aos posts que se seguem.

Vão descendo que é do fino, do bom.

(Quanto aos produtos em si não me pronuncio, não conheço)


1 comentário:

Bob Marley disse...

efectivamente, vou votar, para não perder o voto, tenho votado no PCP (sou militante do PSD), mas desta vez vai ter que ser no PS.vou ajudar a ministra das finanças na sua dúvida , vender território ela não teve dúvidas e por ajuste directo, os miró é que têm que ser em leilão, parece, já se houve falar em venda directa, para quem eles sabem

Penso que todos sabemos que eles vão seguir políticas de direita, e que provavelmente vão manter muitas das que estão em vigor.Mas penso que devem ter mais preocupações sociais.E não agarro-me só à figura do débil seguro, é um sistema de merda, pois todos deviam apresentar a equipa governativa a eleições, é um cheque em branco, e vivemos assim felizes.

ontem vi que se gastou milhões a reparar automotoras, que agora vão para abate, porque se comprou novas e não há serviço para todas.ISTO NA CP.

já agora , lembra-se do magalhães que gastou 70 mil no seu gabinete para um altar duma merda qualquer a que ele pertence.

Estamos fodidos com esta gente, e é a todo o terreno