Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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quarta-feira, março 05, 2014

Tomar conta de crianças. O pai toma tão bem conta de um bebé como a mãe? Uma avó é tão competente como os pais? Pois não sei. O que sei é que esta terça feira não parei um minuto (excepto enquanto estiveram a dormir) e agora ainda estou combalida. O Fabio da Porta dos Fundos explica porquê.


No post abaixo mostrei mais três fotografias que ficarão para a petite histoire dos Oscares 2014: são os colunáveis a fazerem-se ao boneco. Alguns, aliás, são quase já uns bonecos (por exemplo, a Donatella está assim a meio caminho entre a Manuela Moura Guedes e a Senhora Dona Lady, a esposa da Rainha dos Carnavais, a auto-proclamada bicha José Castelo Branco.)

No post ainda mais abaixo, alerto para um perigoso vírus que, em Portugal, anda a dar-lhe com força.

Mas isso é a seguir.

Aqui, agora, a conversa é outra.

*

Tirei imensas fotografias, tão lindinhos, tão queridos, uma alegria muito grande. E, volta e meia, estão tão contentes que interrompem o que estão a fazer e vêm, espontaneamente, abraçar-me, um abraço de tipo xi-coração, apertado, doce, amoroso, e dão beijinhos tão bons. São tão meiguinhos. Um abracinho destes justifica uma vida.

Eu devia passar as fotografias para o computador mas não tenho energias para isso, estou a escrever em ponto morto. 

É que uma coisa é estarem os pais (se, por um lado, é mais gente, por outro, os trabalhos estão muito mais distribuídos) - e outra é sermos só os dois e, ainda por cima, com dois canalizadores cá em casa que pensámos que seria por uma hora e foi o dia todo. Todo. Não há explicação. Não conseguiam tirar os pafusos, estavam calcinados. Depois faltava não sei o quê, saíam, depois voltavam e o tempo a passar, uma seca, um transtorno. É que nem deu para irmos com os miúdos para espairecer.

Depois, a questão é que estamos desabituados de uma rotina intensa que mete fazer almocinhos, papas, dar-lhes comida, e lanche a meio da manhã e lanche e meio da tarde, e banhos e fraldas. Mas a questão nem é essa: a questão é que a minha menina mais linda quer que eu participe em cada brincadeira, coisa que naturalmente faço com gosto - mas que me deixa exausta. Agora tu és a filha. Agora vamos fazer uma festa de anos e vais apagar as velas. Agora tenho que te pentear, filha. Ajuda a mãe que o mano desarruma tudo. Vá, anda, vamos ao supermercado, ajuda a mãe. Vá, filha, ajuda a mãe a empurrar o carrinho do supermercado. Vá...! Não posso esperar. Anda, filha.

O dia todo.

E o bebé a trepar por todo o lado. E o bebé a abrir os armários da cozinha enquanto eu preparo as refeições. E a aparecer-me de pirex na mão. Ou a morder a irmã porque quer uma coisa que ela tem e ela, coitadinha, com os dentes da fera marcados no cotovelo. 

Por isso, se por um lado tenho vontade de ver as fotografias e de vos mostrar algumas, por outro, só me apetece ir dormir. 

Além do mais, o dia que me aguarda vai ser dos que pedem que eu os tenha no sítio. Ora tê-los, eu tenho. Mas como deve agir uma mulher com os ditos no sítio num meio em que não é de bom tom mostrar que se os tem? Se nem os homens cabras machos dão a entender que os têm, quanto mais uma mulher? Parte-se a louça num sítio em que a louça nem é tema? Complicado. Vamos ver como me saio das guerras em que me meto. Disseram-me um dia que eu sou conhecida por atirar bombas para cima da mesa. Disseram-me a semana passada que eu causo incómodos. Sei-o bem. Pago por isso. Mas não sei nem quero saber ser de outra forma. No entanto, há lutas que de tão solitárias se tornam difíceis de vencer. Há aquela coisa de se não os podes vencer, junta-te a eles. Mas eu isso não faço.

Podia preparar-me. Premeditar. Planear frases. Mas não consigo. Se eu nem para os exames tinha paciência para marrar, quanto mais para ir para as guerras. Vou de improviso. Toco consoante o momento o pedir. Fio-me na minha capacidade de reacção. Mas garanto-vos: não é fácil.

Contudo, podia ser bem pior. Se estivesse desempregada seria pior. Se estivesse doente, seria pior. Se estivesse longe dos meus, seria pior.

Por isso, venham eles! 

E adiante, que não vos quero maçar com coisecas minhas. 

Voltando aos meus amorzinhos mais lindos, que eu adoro e me enchem de felicidade: há este vídeo da Porta dos Fundos que mostra o desatino que pode apoderar-se de nós quando há mil coisas a fazer, mil cuidados a ter - e é o que o meu marido diz, 'já estamos destreinados, é o que é'. 



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Relembro: por aí abaixo há mais dois posts.

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E, assim sendo, por agora nada mais. Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma boa quarta feira!

6 comentários:

Bob Marley disse...

"Se estivesse longe dos meus, seria pior." Quando ouço falar nos "meus", lembro-me sempre da malta que anda a arrastar os joelhos em Fátima.Quando entrevistados, disparam, venho aqui pedir para mim e para os meus, à Nossa Senhora.

ainda criticam a Miss Mundo, na tomada de posse, pelo menos pede para a humanidade.

Bob Marley disse...

daí eu pensar que os "record" do banco alimentar ser um caso de estudo.

é que dou sempre mais crédito ao subconsciente

Bob Marley disse...

isto dura 1.35 min, a pergunta é , aguenta a pedalada em 8 horas - http://www.youtube.com/watch?v=V4wRQOhM9Zs

Aplica-se ao mundo laboral, um fazendeiro, tira a sachola da mão de um empregado , e diz, é assim que se cava (freneticamente).E o empregado, responde, será que pode exemplificar durante 8 horas com esse ritmo.

Bob Marley disse...

nas reuniões,não se esqueça de se sentar no meio - http://www.youtube.com/watch?v=AvvxCrHXUpQ

jrd disse...

Na minha geração, reconheço, os pais estavam longe de ter a competência das mães para tomar conta dos filho(a)s.
Na actual não vejo qualquer diferença.
O "homem" evoluiu...
abraço

Anónimo disse...

Pegando na palavra de JRD, diria algo diferente: na geração de meus pais e avós os “pais (homens)” estavam longe de ter a competência e capacidade de tomar conta dos filhos. Já na minha geração, que imagino ser a de JRD, – dos que hoje têm uma idade compreendida entre os 50-60 anos – nós, homens já tinhamos essa competência e capacidade, naturalmente, que não era extensiva a todos. Quer eu, quer meus irmãos, quer hoje cunhados, quer amigos meus tivemos essa capacidade e essa competência. Sabíamos mudar uma fralda, dar um biberon, vestir o bébé, dar-lhe de comer, tomar conta dele, ir ao pediatra com ele, etc. Eu fiz isso tudo. Meus irmãos também, meus cunhados também. E amigos também. No meu caso, tive a sorte de a minha vida profissional, na altura dava ainda os primeiros passos como advogado, me permitir ir buscar "o", e depois "os" filhos a casa dos avós e levá-los para nossa casa e ali dar-lhes banho, dar-lhes de comer, deita-los, mudar-lhes fraldas, etc, visto minha mulher ter então uma actividade profissional que, embora começasse mais tarde, acabava muito mais tarde também, do que a minha. Assim, não acho, rigorosamente nada, que os actuais jovens sejam minimamente melhores do que nós já eramos há 30 anos. De forma nenhuma! Muito longe disso. Mais, muitos de nós não tínhamos apoio de mulher-a-dias, pois a vida não era fácil e hoje vejo sobrinhos, filhos de amigos que têm essa ajuda externa. Nós, naquele tempo, até aspirávamos a casa (no meu caso, tudo o que era "trabalho pesado" era eu o responsável, como aspirar, por ex.), cozinhávamos, etc, porque não havia quem o fizesse por nós se as nossas mulheres tinham empregos com horários bem diferentes dos nossos, como, no ínicio das nossas vidas sucedeu connosco, mas igualmente com meus irmãos, amigos, etc. A malta nova hoje se tiver de chegar a casa e fazer tudo, até preparar o jantar para a mulher, quando ela chegar a casa ás 10 da noite, cansada, o que faz? Depois de ter estado a a tomar conta das crianças (banho, fraldas, comida, adormece-las, etc)? Não conheço nenhum caso próximo, pois têm empregadas, ou uma sogra para o fazer, mas se calhar existe, quem sabe!
P.Rufino