Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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sexta-feira, março 14, 2014

Parem tudo! Atenção! Ouçam Tiago Bettencourt a cantar 'Aquilo que eu não fiz'. Decoremos a letra, façamos eco, gritemos, cantemos. Juntemo-nos. Sejamos solidários, fraternais. Fortes. [A propósito de fraternidade até vou mostrar a incrível amizade e emoção de dois elefantes, Jenny e Shirley, que não se viram durante 22 anos. Uma coisa muito comovente. (O Tiago que me perdoe eu trazer esta história aqui para dentro da sua canção)]


No post abaixo falo de Manuela Ferreira Leite, brava, bravíssima na TVI 24 contra Passos Coelho que, sem saber do que fala (ou sabendo bem demais?), mostra desprezo e falta de respeito por quem assinou o Manifesto dos 70. Falo ainda de Viriato Soromenho Marques, outro dos bravos do pelotão, que defende Portugal com unhas e dentes. E falo de uns insignificantes caniches que não sabem o que dizem. Mas a carruagem passa.

A seguir a esse post, entro na Casa Chanel pela mão do genial Karl Lagerfeld com Geraldine Chaplin quase assustadoramente parecida com Miss Coco.

Mas isso é lá mais abaixo, a seguir. Aqui, agora, a conversa é outra.

*


Música, por favor: Aquilo que eu não fiz



Ia eu de manhã a chegar ao trabalho quando recebo um sms da minha filha a dizer: tens que ouvir a última do Tiago Bettencourt, 'aquilo que eu não fiz'


Ia no carro, consigo ler os sms no painel do carro mas não escrever (claro). Quando cheguei, respondi-lhe de volta: Mas porquê?

Não facilitou. Limitou-se a enviar-me novo sms: Ouve

Não ouvi na altura mas agora, com vagar, fui à procura - e percebi.

Talvez assim os jovens acordem, através de uma canção.

Tem razão o Tiago como temos quase todos: não fomos nós que gastámos mais do que devíamos levando o País ao estado em que se encontra.

Não, não fomos.

Foram os Jardim Gonçalves, os Oliveira e Costa, os João Rendeiro e outros que tais que, através de gestão danosa, impingiram crédito a rodos ganhando com isso, venderam ilusões e alimentaram vaidades próprias e alheias, foram os Berardos e vários outros como ele que se endividaram em milhões para se tornarem accionistas de empresas, dando como garantia acções das empresas que compraram, as quais, ao desvalorizarem-se, deixaram os bancos com dívidas e garantias nenhumas, foram sobretudo os Goldman Sachs ou os Citi ou outros que venderam riscos a preço de ouro.

Foram esses. Em Portugal e por todo o lado. São esses. Sempre os mesmos.

Não é por um pobre Zé-Ninguém comprar uma casa que não conseguiu comprar e que teve que entregar ao banco mantendo a dívida que o País está na situação que está.

Está assim porque o País foi exposto aos abutres e não houve ninguém que o ajudasse. O suposto escudo anti-abutre não existiu. Apenas Mario Dragui actuou mas já tarde demais, numa altura em que Portugal já estava entregue aos abutres e seus dilectos aprendizes (Passos, Gaspar, Portas, Moedas, o finado Borges, etc - mais os papagaios que gostam de se armar em crias de abutres como o José Gomes Ferreira, o João Vieira Pereira, o Henrique Monteiro, o Henrique Raposo, o Marques Mendes e outras figurinhas tristes que por aí andam a pipilar de galho em galho)


Fui à procura de uma fotografia para ilustrar este texto e descobri este apelo do Tiago. Aqui o deixo, desejando-lhe eu que seja muito bem sucedido. Tomara que consiga mobilizar muita gente, especialmente os jovens que tão desinteressados andam de tudo o que se está a passar.




Aqui está a letra para ajudar a fazer coro:

Eu não quero pagar por aquilo que eu não fiz
não me fazem ver que a luta é pelo meu país.
Eu não quero pagar depois de tudo o que dei
não me fazem ver que fui eu que errei 
não fui eu que gastei
mais do que era para mim
não fui eu que tirei,
não fui que comi
não fui eu que comprei,
não fui eu que escondi
quando estavam a olhar
não fui eu que fugi
não é essa a razão
prame quererem moldar
porque eu não me escolhi
para a fila do pão
este barco afundou
quando alguém aqui chegou
não fui eu que não vi 
(Refrão)
talvez do que não sei
talvez do que não vi
foi de mão para mão
mas não passou por mim
e perdeu-se a razão
tudo o bom se feriu
foi mesquinha a canção
de esse amor a fingir
não me falem do fim
se o caminho é mentir
se quiseram entrar
não souberam sair
não fui eu quem falhou
não fui eu quem cegou
já não sabem sair 
(Refrão)
meu sono é de armas e mar
minha força é navegar
meu norte em contraluz
meu fado é vento que leva
e conduz
e conduz
e conduz
*

Parabéns ao Tiago e daqui lhe desejo boa sorte. Tomara que venda este seu novo CD como paezinhos quentes, tomara que toda a gente o cante, tomara que se torne um hino.


**********

E agora, embora não venha muito a propósito, mas apenas porque o vi e me apetece partilhá-lo convosco e porque, pensando bem, temos que ser fortes, amigos, unidos, solidários, como o são os animais, aqui vos deixo o filme que me emocionou: dois elefantes antigos conhecidos que se perdem de vista e, surpreendentemente, se reconhecem 22 anos depois. A alegria, o afecto deles é uma coisa surpreendente. Como eles demonstram o carinho e a alegria por poderem estar próximos, que emoção tão genuína. Os animais emocionam-me. São tão inteligentes, tão boa gente. E a amizade verdadeira de pessoas por animais também me emociona. Sei o que isso é, sei muito bem, sei as saudades imensas que se podem sentir por um animal (mesmo muito tempo depois de ele ter partido).


Dois elefantes que não se viam há 22 anos reencontraram-se num santuário para animais em Hohenwald nos EUA e provaram que a memória de elefante existe mesmo.


Jenny e Shirley trabalharam juntas num circo no final da década de 80. Depois foram enviadas para jardins zoológicos distintos, mas não se esqueceram da existência uma da outra.


O encontro aconteceu, 22 anos depois, e segundo o diretor do santuário, Carol Buckley, foi «dramático».

«Nunca vi nada com esta profundidade de emoção», comentou Buckley. Os animais entrelaçaram as trombas e começaram a passear juntos entre brincadeiras.

Quando se conheceram, Jenny era ainda uma cria e Shirley tinha cerca de 20 anos.





****

Relembro: por aí abaixo há mais dois posts de hoje. São díspares entre si mas eu também sou díspar dentro de mim. Se eu fosse uma expressão numérica seria um conjunto de números primos, movidos a música e dizendo poesia. Na volta sou uma extra-terrestre, olha que bom.


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Bem, vou-me deitar que já não estou a dizer coisa com coisa.

Desejo-vos, meus Caros Leitores, um belo POET's day, isto é uma boa sexta feira.


3 comentários:

Olinda Melo disse...


Ora aqui está um jovem que intervém na sociedade, através da palavra e da música. Achei interessante o pedido de fotos para ilustrar o seu trabalho, o que mostra que ele canta virado para o cidadão comum, comungando das mesmas preocupações.

Há tempos, talvez há um ano mais ou menos, postei uma canção de um grupo hiphop, 'Mundo Escuro', que falava de 'Saudade', da tal saudade que já, na altura, se tinha instalado por via da vaga de emigração verificada. Eles ilustraram o trabalho com fotografias de anónimos, que se ofereceram para tal. Quando os oiço, fico com os olhos marejados de lágrimas.

http://www.youtube.com/watch?v=Uv55mKL5RHI

Há uma outra canção dos 'Mundo Escuro', 'Filhos da Pátria', que é de tirar o fôlego. Arrepia!

http://www.youtube.com/watch?v=8qX03oSwK1Q

Vejo que ainda não passou a sua indisposição quanto à garganta e tudo o que lhe vem associado. Isto das gripes é assim...entram depressa e saem muito devagar, infelizmente.

Quanto a mim, estou bem graças a Deus. Uma constipação, ou outra, que vai sendo debelada com chá de limão e mel. Muito obrigada por se interessar.

Bjs

Olinda

Anónimo disse...

Olá jeitinho,
Um beijinho de E.T para E.T.
Gosto muito da canção do Tiago, está lá tudo.
Não nos façam de parvos.
Beijinhos Ana

Anónimo disse...

UJM,
Estive a rever este belíssimo documentário dos elefantes. É comovente. Os animais surpreendem-nos de forma extraordinária! E, ao contrário do que muitos pensam, têm sentimentos, á sua maneira, mas têm e, quem sabe, até, porventura, mais profundos do que imaginamos.
Um belo documentário que adorei rever!
P.Rufino