Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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quinta-feira, março 06, 2014

Mesmo no meio do lixo nasce, por vezes, uma flor, uma toada, um sopro de esperança. O fantástico exemplo da 'Orquesta de Instrumentos Reciclados Cateura'. Acredito muito em milagres assim.


No post abaixo, a propósito da falta de educação democrática do despalavrado Primeiro-Láparo e da cena do amuo com Catarina Martins, já dei conselhos às deputadas e aos deputados solidários com as colegas que são tratadas abaixo de cão pelo dito. Tomara é que a disfuncional frustracional soft-power inconseguida mental não lhe dê para a embirração e não os proíba de se apresentarem como eu ali aconselho.

Mas, enfim, isso é a seguir, abaixo do que agora vou escrever.

*

1 - Aqui, agora, a conversa é outra. Como temia, o meu dia foi dos longos. Cheguei ao trabalho muito cedo e saí muito tarde. Pior: foi um dia escuro como uma noite das facas longas. Roma não paga a traidores? Geralmente não mas muitas vezes, por delicadeza, prefere pagar a assistir a confrontos. 

Dizem-me os amigos que eu não devia abrir mais que uma guerra em simultâneo, que andar com duas e logo das complicadas em simultâneo é um desgaste que não vou aguentar. Talvez. A questão é que não sou eu que as procuro. Agora, apercebendo-me delas ou passando elas ao meu lado, como fingir que não as vi? Ou como marchar alinhada com quem me parece ir a marchar no sentido errado?

Mas, para o Leitor que me recomendou que me sentasse num lugar central para impor algum respeito, digo que: 
A primeira batalha da primeira guerra passou-se mal cheguei e em volta de uma mesa redonda. Éramos quatro e, portanto, não se pode dizer qual era o lugar do meio. 
Essa guerra foi retomada através de uma outra batalha umas horas depois e aí a mesa era oval. Éramos oito em volta da mesa e, portanto, também não é fácil dizer qual o lugar do meio. Mas, enfim, talvez eu estivesse num dos quatro lugares do meio, sim. 
  • Penso eu que, nos dois casos, entre mortos e feridos, talvez eu tenha ganho as duas batalhas mas, nestes casos, apenas canto vitória no fim da guerra. É certo que vencer batalhas anima mas temo sempre pela pancada pelo que me mantenho em guarda e pronta para os ataques cobardes e as jogadas de artista que, nestes casos, são expectáveis.
A segunda guerra é mais complexa e abrangente. As sucessivas batalhas desta guerra travaram-se entre mails, conference calls e reuniões de preparação para mais duras refregas. Não sei se ganhei alguma delas mas as coisas estão movimentadas e, enquanto escrevo, tenho estado a receber mails e meeting requests. Neste caso, até ao lavar dos cestos é vindima. Temo não conseguir travar o que gostava mas, se conseguir conter alguns danos ou se conseguir que, ao menos, não volte a repetir-se, já me darei por (relativamente) contente. Contudo, tão alto estou a jogar e tão limitadas as minhas armas, que não sei qual o desfecho disto. Pode acontecer que, estando em minoria e dado o contexto, quem se trame seja eu. 
Mas isso não me assusta pois estou a agir de acordo com a minha consciência e, quando isso acontece, levo o mundo à minha frente, se necessário for. É que nem as meço.

Como geralmente acontece, sou uma mulher e vários homens, o que, como é bom de ver, não me aquece nem arrefece. Isso não me confere nem vantagens nem desvantagens. Só agora que estou a escrever isso vem à baila. Lá nem me ocorre tal coisa até porque, de resto, sempre assim foi. Alguns estão contra mim, outros estão do meu lado mas acontece que, quase todos, especialmente os que estão do meu lado, talvez por educação ou meio social, nem sei, temem os confrontos. Temer não será a palavra, talvez seja mais correcto dizer que lhes causa repugnância. E, por isso, mesmo quando seria caso para haver para alguns duras consequências, prefere-se, muitas vezes, fazer de conta que não se dá por nada.

Acontece que essa não é a minha maneira de ser e fazer. Quando seguimos em caminhos paralelos, ainda posso fechar os olhos (ainda hoje me diziam: sozinha não vai mudar o mundo. Bem o sei e, por isso, tantas vezes opto por questionar e criticar mas pouco mais que isso). Agora quando os caminhos se cruzam ou coincidem com os meus, aí a coisa torna-se complicada. Há coabitações que são impossíveis.

Ao longo da minha vida profissional muitas guerras complexas travei. Muitas ganhei. Outras perdi. De entre elas, destaco uma que perdi e perdi bem. Infelizmente o futuro veio a mostrar que eu estava do lado certo mas, nisto, é tudo muito relativo. Eu tenho a minha consciência e a minha leitura dos factos. Do lado de quem ganhou estão pessoas que, de facto, destruíram por onde passaram para depois se afastarem de bolsos cheios. Na contabilidades dessas pessoas, ganharam elas e ó se ganharam.

Talvez daqui por uns anos eu conte umas histórias. São histórias que envolvem nomes muito conhecidos. Há pessoas que agem como se fossem imortais, como se tivessem até aos duzentos anos para usufruir de tudo o que ganham. Gentinha.


2 - A vida na economia real é isto. Por vezes há acalmia, outras há turbulência com desfechos imprevisíveis. Mas não me deixo abater nem consumir. Nem penso muito nisso. As minhas convicções e princípios de vida são fortes e auto-alimentam-se, fornecendo-me a força que, por vezes, poderia querer esmorecer.


3 - Adiante. Tempo de, por agora, dar um pontapé no assunto. Li no Obvious Magazine: VIOLINOS E VIOLONCELOS DE METAIS e fui atrás.


Transcrevo o texto que acompanha o vídeo no Youtube e por preguiça e cansaço deixo ficar em inglês porque estou exausta e é quase uma da manhã:

Orquesta de Instrumentos Reciclados Cateura (2006, Cateura) is a youth orchestra that is transforming lives. 


It is unique in its ingenious use of humble local resources and a beacon of pride and hope for the local community. Six kilometres west of Asunción, Cateura is built on top of a landfill where more than 1.5 tonnes of solid wastes are dumped every day. Most families here, including children, work as garbage recyclers to earn a meagre living. In this difficult context, Favio Chávez, a former music teacher working as an environmental engineer, started giving music lessons to the children.

At first the budding musicians played on Chávez's own instruments but as the number of students increased there was need for more instruments but no funds to buy them. Chávez, with the help and the genius of community members, searched and found waste materials that they could fashion into all the different musical instruments: bottle caps as keys for a saxophone; galvanized pipes for flutes; old cans for sound boxes. 

Today the 30 teenagers who make up the Orquesta de Instrumentos Reciclados Cateura proudly play Mozart, Latin American or Beatles music on their fine cellos, clarinets, trombones -- every instrument that a quality orchestra has.

The orchestra gives an average of one performance a week in Paraguay, as well as playing in regional concerts and international festivals. More than 120 children now take part in free music classes and aspire to join the orchestra, and many community members are involved in its activities. 

Orquesta de Instrumentos Reciclados Cateura is honoured for bringing music and joy to many people; for their innovative and communal collaboration in using the resources at hand to create possibilities and transcend their difficult circumstances; for engendering self-esteem, community pride and social cohesion through musical expression; and for showing that culture is a human necessity and that material poverty need not be an obstacle to a life rich in culture.


The film was directed by Annette de Bock and produced by Brenninkmeijer & Isaacs.



Um maravilhoso exemplo de esperança, força e superação.

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Relembro: Sobre o Láparo,  Cognome o Pasteleiro que queria ser Cantor, e sobre a minha sugestão para as deputadas que despertam nele o direito à indignação é favor descerem até ao post baixo.

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Vou desligar isto sem reler porque estou mesmo cansada. Já sabem: o costume quanto às gralhas.

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E, sendo assim, vou-me. 
Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela quinta feira. 
Não sei se também é de cinzas que pouco sei de liturgias. 
Aliás nem sei também quando é que é a Páscoa este ano. 
Tomara que esteja bom tempo a ver se aproveito para ir uns dias laurear.

5 comentários:

Bob Marley disse...

"Alguns estão contra mim, outros estão do meu lado mas acontece que, quase todos, talvez por educação ou meio social, nem sei, temem os confrontos", Têm CAGANÇO, pode considerar essa amostra como representativa , e com um intervalo de confiança de 95% para o continente.

ahh, e a justificação é tipo , tenho mulher e filhos e por vezes a sogra

Tive o Azar ou sorte, de ver isto com os meus 18 aninhos.Daí eu funcionar como os Bancos , só com garantias.E não conte muito com esse apoio.

não é à toa que existe a figura do fuzilamento para quem saí da frente de combate, a alternativa tem que ser igual, se não, ninguém respeitava

Bob Marley disse...

está aqui tudo, só falta desenvolver - http://www.youtube.com/watch?v=FhpvM2U2I8w

Bob Marley disse...

mas é reacções destas, do sem abrigo, logo depois de receber o prémio, que ainda acredito - http://www.youtube.com/watch?v=4Lki_IeM6bQ

Bob Marley disse...

O Passos estava habituado a ser lambido, ontem foi comido - http://www.youtube.com/watch?v=rARrvC0y8zc


Neste aspecto, o Sócrates, elevou a fasquia, bom, também não se pode ser mau em tudo-))

Bob Marley disse...

e não se esqueça que muitos apoios , são infiltrados, vulgo "Bufos", que no caso Português, dado o tempo de ditadura, deu para entrar no código genético.