Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

quarta-feira, outubro 30, 2013

Paulo Portas e o seu Guião da Reforma do Estado: a história de uma relação de dois anos e meio em que, finalmente, coube ao vice-primeiro ministro dar à luz. E o nado, afinal, não passa de um conjunto vazio. Ou melhor, um conjunto de medidas gerais, sem datas, sem responsáveis, sem objectivos quantificados, sem coisa nenhuma. Dá ideia que são as bases gerais, muito gerais, para um futuro programa de governo. Mas para que governo? Para o próximo? O do PS? Conclusão: está tudo doido. Uns gaiatos. Uns incompetentes. Uma palermice pegada tudo isto.


Ora bem. E depois de ter dito isto, o que mais posso dizer daquela tristeza a que assisti?


Como dissertar sobre um conjunto vazio? 

Claro que poderia invocar aqui as minhas memórias sobre estas matérias mas, meus Caros, um conjunto vazio não tem elementos. E está, basicamente, tudo dito.

Aquilo de que Paulo Portas falou ao apresentar o famoso Guião da Reforma do Estado são vulgaridades, intenções, evidências, coisas que já deviam ter feito, comprovantes de que ainda não fizeram nada, de que não sabem por que ponta pegar, ideias avulsas, desconexas, fiapos de conversa fiada. Zero. Bola. Nada.



Claro que poderia falar das palermices mais concretas que ele referiu como, por exemplo, a que vão formar uma comissão para baixar o IRS (depois de o terem feito disparar agora, pelos vistos, mesmo que o queiram baixar - coisa que não corresponde à verdade, mas enfim - já não o sabem fazer, têm que formar uma comissão, mais uma comissão) ou a de vender as escolas aos professores (coisa que, dita no meio daquele amontoado de banalidades, soa a piada, talvez piada do dia das bruxas).

Podia falar, claro que podia. Mas para quê se nada daquilo é para levar a sério?

Aquilo foi uma macacada que o macaco do coelho estendeu ao Portas para ele se andar a espalhar ao comprido, em público, ao longo de um ano inteiro de falsos sinais de parto.


Por isso, meus Caros, desculpem o meu linguajar, mas o que se me oferece dizer é que o Portas e o Passos bem podem limpar o c.. ao guião. 

[Será que é de ter estado dois dias e meio no Porto que só me ocorre linguagem vernácula para falar das aberrações que este governo sucessivamente deita cá para fora? 

Ó senhores... isto parece que é um mal que está a dar em toda a gente. Até a Maria do Rosário Pedreira, sempre tão certinha, escreveu sobre isso: que sobre esta maltosa só consegue referir-se a eles como gajos e dizer palavrões.]


Assim sendo, para ver se fujo aos palavrões, vou antes dar alguns exemplos do que é o conceito Conjunto Vazio para melhor ilustrar o que é o Guião da Reforma de Estado dada à luz pelo Paulinho da Banha da Cobra.




  • Imagine-se um conjunto formado por palermas e um outro conjunto formado por sapatos. O que é que há de comum entre os dois conjuntos? Nada. Ou seja a intersecção dos dois é um conjunto vazio.

  • Ou imagine-se um conjunto formado por cães com pulgas e outro por gente inteligente. O que há de comum entre os dois conjuntos? Nada. A intersecção é outro conjunto vazio.

Podia continuar mas acho que já deu para perceber. Um saco vazio é um saco vazio e ponto.



Conclusão: ora batatas. Estamos nós a aguentar um governo destes...! Só porcarias sem nexo, um desfiar de medidas de gestão corrente. É que nem uma porcaria de um plano sabem fazer.

Se bem que, nesta altura do campeonato, aí o Prof Marcelo tem razão, isto já não é um plano: isto é um testamento.


Caraças!

Ao fim de dois anos e meio aparece aquela criatura (já agora: devia cortar o cabelo, está com umas patilhas que parece um campino) a dizer nada. Nada.

É que nem o memorando da troika foram capazes de implementar. Do que lá constava não fizeram praticamente nada. Nem isso foram capazes de fazer. Ao longo dos dois anos e meio que levam disto, a única coisa que souberam fazer foi roubar as pessoas, retirar-lhes direitos, vender o país a retalho. E nem agora, para fazer de conta, foram capazes de ir ler o memorando e tentar reproduzir algumas coisas.

Não têm competência para nada. Nada.

Este governo está morto. De que é que o Cavaco está à espera para o enterrar, senhores?!?


*

Este texto continua. Caso queiram constatar a vacuidade da coisa, lendo o documento 'Um Estado melhor' na íntegra, e caso queiram saber quais os meus conselhos a Paulo Portas para melhorar a governação e para ver se conseguem convencer os mercados, por favor cliquem aqui


Além do mais, vou já avisando, esse é um post com brinde. E não é presentinho envenenado alusivo ao Dia das Bruxas. Não senhor, é um presentão a sério.


3 comentários:

Maria Eduardo disse...

Olá UJM,
Também ouvi PP a dar a conhecer o seu Guião da Reforma do Estado e fiquei escandalizada!... Concordo inteiramente consigo e subscrevo a sua revolta!
Um beijinho

Anónimo disse...

Olá UJM!
O “guião” de Portas, esse saco-de-vento, é como diz uma vacuidade absoluta. Um patético “testamento” de um político medíocre, ambicioso, deslumbrado pelo Poder, vaidoso, mesquinho, vigarista político, demagogo, fantasista, teatral, em resumo a imagem dele próprio. O guião é uma porcaria de sargeta! A que ninguém, a começar pelo PSD e por Passos (que se deve estar a rir perante semelhante pastelada)interessará. Diz-se aqui que Portas é inteligente. Não acho, nem nunca achei. Portas é, tão-só, esperto, espertalhão. Sabe aproveitar certas ocasiões e momentos e no meio da mediocridade, sobretudo da actual, acaba por parecer que brilha. Mas não, é apenas reflexo de luz. Os “sound bites” em que se especializou servem para baralhar os tolos e alguns "media" e desviar as atenções para o seu vazio intelectual. Aquela do “antes ser celta que grego” só demonstra isso mesmo. Pouca inteligência, porque é acintoso e de falta de sentido de Estado. Um político e sobretudo ex-MNE deveria ser mais cuidadoso com as palavras. Foram insultuosas para com um parceiro da UE (e berço da nossa civilização). Este guião, ou lá o que “trampa” seja, vai de encontro ao pior deste miserável governo: à sua politica neo-liberal de extrema direita, de joelhos perante os “mercados”. E é falso. Aquela do “menos funcionários públicos mas mais bem pagos” é para enganar quem? Ficou igualmente claro o que Portas pensa da saúde – e aqui, das Seguradoras, dos reformados, da educação. Do Estado que diz querer reformar e do Privado que quer promover da pior forma. Um documento que, embora tenha extensão para desempenhar as funções de papel higiénico, nem para isso o utilizaria! Uma provocação mal substanciada. E, entretanto, ficámos a saber, pela voz do PR, que o mesmo se demitiu das suas funções, ao apoiar despudoradamente este governo, e passou a ministro sem pasta de Passos. Que já não é “Coelho” sob pena de ainda a Cristas o mandar abater, pois animais daquele tipo não são permitidos no Conselho de Ministros, segundo uma “alínea” da proposta da “porquinha”. Tenho amigos e familiares a viverem situações muito difíceis. Por causa da esterqueira política que se impôs ao País desde há 2 anos e meio. Num caso, um casal que sempre viveu bem e trabalhava honestamente, teve de voltar a viver com os hoje idosos pais, eles com 60entas e os outros com 80entas! Ao que se chegou! A única esperança que nos resta , já que não temos PR, é o TC – que Portas e Passos gostariam de abater. Mas não conseguirão. Daqui a ano e meio estão na sargeta. Corridos!
P.Rufino

jrd disse...

Eles estão nas mãos um do outro e ambos nas mãos de quem lhes paga para destruírem o Estado Social.