Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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domingo, setembro 01, 2013

Proibir os piropos? Legislar sobre os piropos...?! E só sobre os piropos de homens a mulheres ou também há que definir quais os piropos que uma mulher pode dizer e que não ofendem a sensibilidade masculina? ---- Ou seja, mais uma brilhante iniciativa do Bloco de Esquerda (que depois de se ter unido ao PSD, ao CDS e ao PCP para derrubar Sócrates, sabendo que a seguir viria o nefasto Passos Coelho, de vez em quando volta a sair-se com parvoíces destas que até parecem de propósito para distrair a atenção do pagode das sacanices que o dito Passos Coelho não pára de aprontar). Pois eu, pela parte que me toca, antes que sejam proibidos, distribuo munições. Podem encontrar aqui vários, desde os piropos tradicionais, aos imaginativos, até a alguns da minha colecção pessoal. //// ----> Texto acrescentado com ALGUNS PIROPOS DIRIGIDOS À MINHA MÃE E À MINHA FILHA


Caso sejam como eu e gostem de ver fotografias de casamentos, então aconselho-vos a não deixarem de deslizar até mais abaixo, até ao meu post seguinte, onde vos mostro as primeiras fotografias disponíveis do casamento do filho de Carolina de Mónaco, o belo Andrea Casiraghi, com a sua namorada de longa data e mãe do seu filho Sacha, Tatiana Santo Domingo.

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Entrámos em Setembro, um mês suave, que abre caminho para as subtilezas do Outono, em que o tempo já não é de calores tórridos mas ainda não é de frios atrofiantes. Conservo-me, pois, ainda despida mas saio da água e recolho-me à penumbra, lá onde a sombra e a luz traçam caminhos na minha pele. As cores prenunciam os encarnados da vinha virgem quando as folhas se começam a incendiar porque é no fogo do carmim que eu me movo melhor. A fotografia é de um dos fotógrafos de eleição do Um Jeito Manso, o norueguês Solve Sundsbo.

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Introdução feita, passo, então, ao tema deste post. 

Quero dizer-vos o que acho da inusitada iniciativa do Bloco de Esquerda que resolveu embirrar com os piropos e que, ao que parece, quer até abrir um debate parlamentar. 






Vi há bocado na televisão uma daquelas mulheres com aspecto intelecto-alternativo, vestido preto escorrido, cabelo igualmente escorrido até à altura do queixo e franja pelo meio da testa, a dizer que não são admissíveis observações sobre o aspecto físico das pessoas. Não admite, por exemplo, que alguém, por um qualquer acaso, lhe diga que é bonita pois não pediu opinião sobre isso. Claro está que eu, se fosse homem e me cruzasse com ela na rua, depois de a ouvir dizer isto com aquela cara de caso, talvez não me conseguisse conter (não sei é se lhe dizia que ela é bonita).

Pois eu, sobre isso, só tenho a dizer que os bloquistas ou são doidos ou estão a alucinar ou não estão no seu estado normal ou qualquer coisa nessa base. E isto porque:

  • Numa altura destas, em que há tantas coisas graves a ocorrer ou em vias disso (desemprego, supressão de direitos e garantias, etc, e tudo condimentado através de uma manipulação descarada da opinião pública - perante a passividade absoluta dos jornalistas que papagueiam acefalamente tudo o que os spin doctors do governo vão debitando para as redacções), parece-me que só gente que ande a planar numa outra dimensão ou que esteja conluiado com o (des) governo de Passos Coelho é que pode vir lançar tamanho disparate para a discussão pública.

  • E também acho que só por mentes a tender para o totalitário é que pode passar a ideia de censurar a expressão de reacções espontâneas (geralmente até de agrado).


Felizmente não tenho a experiência de ouvir bocas desagradáveis, depreciativas ou excessivamente ordinárias. Mas tenho, sim, a experiência de ouvir observações engraçadas, algumas mais brejeiras, outras mais sofisticadas.




Penso que os homens têm cada vez menos o hábito de dizer piropos a quem passa na rua mas considero normal que olhem, que se virem, e que, quando estão em grupo, mais protegidos e mais desinibidos, deixem sair um ou outro piropo. Acho identicamente normal que as mulheres façam o mesmo (embora não tenham muito esse hábito - e estou a referir-me a 'mandarem umas bocas', não a olharem ou virarem-se que isso é uma coisa que pode acontecer quase involuntariamente quando passa alguém que tenha um toque de je ne sais quoi).

Mas se isso é na rua, já em pequeno grupo, em roda de amigos, tanto homens como mulheres podem e devem ser simpáticos. Chama-se a isso confraternizar. Claro que é difícil traçar a fronteira entre uma observação simpática e um piropo mas também não vejo necessidade de traçar essa fronteira.

Vou repetir-me, creio, mas conto-vos na mesma. Tenho um grande amigo, um brincalhão, que se eu lhe disser, quando o encontro: 'estás óptimo', ele, quase invariavelmente, me responderá: 'dizes isso porque não te tens deitado comigo'. E eu farto-me sempre de rir. E ele também se ri por me ver rir.

E a coisa é ainda mais divertida quando a coisa se passa com um amigo (homem, portanto) que lhe faça o mesmo cumprimento pois leva, quase se certeza, com a mesma resposta.

E tem algum mal isto? Qual de nós disse um piropo? E algum de nós disse o que não devia?

Ora...

Poderia pôr-me a puxar pela cabeça para exemplificar piropos ou 'bocas' que ouvi ao longo da minha vida mas não tenho grande paciência para elaborar pensamentos ou repescar coisas da memória. Mas, assim de repente, lembro-me, por exemplo, de uma vez, grávida até mais não poder, passar ali na Castilho e estar um grupo de homens perto do Castil a olharam para mim, sorridentes, e um deles me dizer 'puseste-te a brincar com o zezinho... olha no que deu'. Achei piada. Segui como se não tivesse ouvido mas certamente a esforçar-me para não me rir.




E lembro-me também de uma vez (talvez também já o tenha contado e, se assim for, as minhas desculpas pela repetição) eu estar adoentada e, ao assomar ao gabinete de um colega, lá estar também o presidente da empresa. Quando me viu, este perguntou-me como é que eu estava. Respondi: 'Engripada'. Ele virou-se, com ar surpreendido para o meu colega: 'O que é que ela disse? Engraçada...?!'. Corrigi-o: 'Engripada'. Ele então desatou-se a rir: 'Ah... Percebi que você tinha dito engraçada. Estranhei. Não é que não esteja, ou que não seja, mas não costuma dizê-lo'.

Uns dias depois, estava já eu completamente recuperada, entrei na sala de reuniões ligeiramente atrasada, já estavam todos sentados à volta da enorme mesa ovalada, o presidente na cabeceira. Sentei-me. E então o presidente, sorridente, ar malicioso, olhou para mim e depois virou-se para o tal meu colega em cujo gabinete tinha decorrido o equívoca acima relatado, e disse-lhe: 'Ela hoje está mais do que engripada. Diria mesmo que está com uma grande pneumonia. Que é que você acha...?'. O meu colega desatou-se a rir e eu também. Claro que os restantes ficaram a olhar uns para os outros sem perceber nada. 

Foi um piropo? Ah pois foi. So what? Deveria eu ter ficado arreliada? Ora...

¨¨

[Volto a este texto para acrescentar mais alguns piropos, alguns envolvendo a minha mãe.



  • Conta ela que uma vez ia a passar, louríssima, um cabelo naturalmente louro, quase platinado, quando ouviu uma voz apreciadora: 'Está ruça mas ainda está boa...'. Quando conta isso, ela ainda se ri.


  • Recebeu também uma vez um piropo em forma de poema da parte do Sebastião da Gama, professor numa altura em que ela era aluna, que lhe entregou um papelinho que dizia:

O cabelo é de ouro
para que vejam bem
que o coração
é de ouro também

  • E lembro-de uma vez, estando eu a entrar na adolescência e ainda não acostumada a estas coisas, e indo eu e a minha mãe a passear na Baixa, uns sujeitos passarem por nós e olharem com ar interessado, e um deles dizer: 'Abençoada mãe que tal filha deitou a o mundo'. Lembro-me da minha surpresa e do ar de certa forma orgulhoso da minha mãe, e de como nós duas nos rimos.


  • Voltei a ouvir esse piropo várias outras vezes, nas suas diversas variantes mas, voltei, sobretudo a sentir o agrado inicial quando, indo eu com a minha filha, ouvi o piropo mas agora dirigido a ela.]


¨¨¨¨

Que mal fazem os piropos? Nenhum. Quando são simpáticos até fazem bem ao ego. 

Mas se, em vez de serem assim, forem ordinarices, que também já as ouvi (fazia-te, acontecia-te e sei lá que mais)? Pois, aí pode ser desconfortável, reconheço. 




Mas, se houvesse uma lei que proibisse as bocas foleiras, o que se deveria fazer? Desatar a correr até encontrar um polícia e convencê-lo a ir prender o infractor? Que parvoíce, senhores.

Eu o que recomendo é o seguinte e parece-me suficiente:
  • ou se faz o mais comum: ignorar, seguir como se não se tivesse ouvido,
  • ou, avaliando-se que não há riscos -, nomeadamente se se for acompanhada e se se perceber que do outro lado está um gargantas e pouco mais - também se pode parar, olhar o valentão de frente e dizer-lhe: 'Tem a certeza? Duvido. Ora veja-se ao espelho'. E depois seguir em frente. Garanto que o valentão vai ter vontade de se enfiar pelo chão abaixo.


Por estas e por outras é que o Passos Coelho, por mais porcaria que faça, ainda lá está - e ainda há quem não tenha percebido a criatura funesta que ele é. Com uma esquerda onde há partidos destes, que em vez de se concentrarem no que interessa, se entretêm a inventar baboseiras e manobras de distracção, de que é que se está à espera?

Não digo que o BE seja sempre o partido dos disparates pois o Miguel Portas era um humanista, aberto, culto, civilizado, sensato, e Francisco Louça era um brilhante parlamentar que fez grandes intervenções, Ana Drago também progrediu a olhos vistos (e agora que estava madura, sai - o que é uma pena), João Semedo é um homem sensato que se ouve com interesse. Mas, de uma forma geral, ainda andam a patinar sem perceberem qual o seu espaço de actuação e quais os objectivos da sua intervenção e, talvez por via dessa indefinição, há espaço para o surgimento de aberrações como esta de aqui falo. 

Embirrar com os piropos? ... A que propósito isto agora? Ora esta.




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Permitam que vos relembre: se são cuscos como eu e gostam de ver fotografias de casamentos, no post abaixo podem ver as primeiras do casamento do filho mais velho de Carolina de Mónaco, Andrea. Mostro também uma fotografia da despedida de solteira da mulher dele, Tatiana Santo Domingo.

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E nada mais por hoje. 

Resta-me desejar-vos que entrem em Setembro com o pé direito, que este domingo seja muito bom.

E espero que se virem alguém giro não deixem de demonstrar o que acham. 
Um piropo à maneira, uma flor, um sorriso, um poema cantado ou decantado, um piscar de olho, um assobio (you know how to whistle, don't you?, volto a perguntar): tudo coisas que se recomendam.

6 comentários:

JOAQUIM CASTILHO disse...

Olá UJM!

Parabéns pela "piquena" azebrada que colocou no topo dos seus posts.Mas não sei se é branca com sombras escuras ou se é escurinha com reflexos brancos... Mas que importa !! Até dá gosto dar cabo da vista a olhar!!!!

Um abraço

Anónimo disse...

Dizia-me um amigo, a propósito desta patetice do B.E: “ás vezes é por causa deste tipo de coisas que um tipo muda o seu sentido de voto!” Realmente!
Só demonstra uma ausência de focus nas prioridades daquele Partido. O que é mau. E ainda poderá ser usado pela Oposição ao B.E para risota geral, com efeitos desgastantes, durante a campanha eleitoral.
Voltando aos piropos, minha mulher dizia-me que há uns 40 anos, quando saía na sua Solex, ainda adolescente, com a saia um pouco para cima dos joelhos, para poder montar aquele “triciclo motorizado” (como eu o designava), choviam piropos, ou melhor, umas “tiradas” que ou a faziam rir, ou a incomodavam, se exageravam. Outros tempos.
Um amigo meu, aqui há uns anos vários, contou-me que num país estrangeiro que visitava como turista, não resistiu e, numa mesa de almoço, numa esplanada, resolveu piscar (cá para mim deve ter piscado em excesso, só pode ter sido) o olho a uma garota bonita, sentada noutra mesa (ambos, ele e ela, a pequena, acompanhados, o que demonstra a sua ousadia). Passado algum tempo, quando a rapariga bonita se levantou para se ir embora, passou na mesa dele, parou e olhando-o com ar divertido, atirou-lhe: “você tem algum problema com a sua vista direita? Se tem, o melhor é dirigir-se a uma famácia e comprar alguma coisa que evite esse piscar de olhos!” O pior foi explicar essa reacção à sua companheira, que não se tinha apercebido da situação.
Um dos meus filhos contou-me que hoje, já sucede serem as raparigas a dizerem piropos, como lhe sucedeu com ele. Mudam-se os tempos, e ainda bem.
P.Rufino

Anónimo disse...

Esqueci-me de dizer que acho o new look muito sensdual!
P.Rufino

Pôr do Sol disse...

Pois é Querida Jeitinho, só pode ser das altas temperaturas que se têm feito sentir. Pifaram! (que me seja permitida a palavra, pois já não ha paciencia).

Os neurónios dessas mulheres, o tico e o teco deixaram de comunicar e acharam que não havia no País nada mais util para fazer.

Ou então é a revolta de algumas delas por nunca terem ouvido um piropo que as fizesse sorrir e envaidecer.

Vou juntar ao grupo Leonor Beleza, por quem até tinha uma certa simpatia, até ouvi-la dizer para os nossos jovens, não emigragrem mas irem lá para fora(?)ganharem conhecimentos e voltarem para aplicá-los. Porquê?

O que se ensina nas nossas universidades não presta?

Não saberá que as nossas faculdades estão internacionalmente muito bem cotadas? Ou será para fazer uma boa equipa com P coelho? Hoje ouvi-o dizer, perante um vasto auditorio, uma serie de anormalidades, que motivaram muitas gargalhadas e longa salva de palmas.
Estamos perdidos.

GL disse...

Há, cada vez mais, coisas (que outro nome lhes dar?) que nos deixam boquiabertos.
Mas que ideia é esta? Aliás, que gente é esta?
O país - ou grande parte dele - com problemas gravissimos e discutem-se palermices?
Apetece dizer a esses "iluminados" que talvez não fosse má ideia terem um pouco de respeito por todos nós.

Abraço.

jrd disse...

Um piropo dirigido às ministras que temos.
"Balzaquianas de segunda apanha"
:)