segunda-feira, junho 12, 2023

Será que o objectivo dos Professores é dar cabo do Ensino Público?

[Uma vez mais, a palavra ao meu marido]

 

Seguramente a maioria dos professores não apoia nem se revê na forma desrespeitosa como têm decorrido as respectivas manifestações. 

A forma pouco civilizada como os professores presentes no Peso da Régua falaram com o Primeiro Ministro e os cartazes que empunharam revela má educação e falta de civismo. 

No entanto, parece não ser apenas aquela minoria que lá se manifestou. De facto, parece haver bastantes mais professores que agem de forma desrespeitosa e que dão um péssimo exemplo aos alunos.

Gostava de saber se os professores que empunharam ontem e em outras manifestações aqueles cartazes bem como os demais professores que os apoiam têm lata para dizer aos alunos para se portarem bem e respeitarem os outros. Não é possível que tenham dois pesos e duas medidas pelo que seguramente não têm condições para educar os seus jovens alunos.

Só pode ser respeitado quem respeita os outros e manifestamente não é o caso dos professores que se manifestam desta forma. 

Mas também não podem ser respeitados os professores (e os exemplos que vou referir são concretos) que: 
    • fomentam o copianço nos testes de forma que alunos que não percebem nada da matéria têm notas próximas de 100%, 
    • estão de baixa médica vários meses e que, quando é para acompanhar viagens de finalistas a outros países, milagrosamente reaparecem, ou
    • quando não controlam o comportamento dos alunos, os forçam a fazer declarações em que estes se autoculpabilizam.

Para mim também é revelador da falta de maturidade cívica dos professores terem como dirigente do STOP um tal André que fala aos gritos, de forma demagógica e que, para além de matraquear três ou quatro frases feitas, não consegue transmitir uma única ideia com pés e cabeça*. 

[* Será o resultado do doutoramento que fez (provavelmente a expensas dos contribuintes) na Amazónia?] 

Admito que as reinvindicações dos professores podem ser justas mas, sendo assim, isto é, a serem justas, então, todos os funcionários públicos e os todos os trabalhadores do sector privado também teriam que ser ressarcidos dos congelamentos nas carreiras, dos cortes nos salários, das sobretaxas... que ocorreram no tempo da troika -- o que manifestamente não é possível. 

Os professores não são exceção e devem ter o mesmo tratamento que todos os outros.

(A propósito, onde estava o  Sr. Mário Nogueira e os senhores professores quando ocorreram os cortes no tempo da troika? Não os vi em manifestações. Calaram-se, não foi?)

Com tudo o que têm feito, os professores estão, de facto, a dar cabo do Ensino Público, estão a criar mau estar entre os pais dos alunos e estão a desmotivar muitos alunos que, naturalmente, com este exemplo não pensam que estudar seja uma prioridade.

Não me lembro de ver o Mário Nogueira ou o STOP falarem em problemas no Ensino Privado. Corre tudo bem entre patrões e empregados nesse setor?

Senhores Professores, raramente --  quer no setor público quer no privado -- se chega ao topo da carreira. Qual a razão para todos os senhores professores quererem chegar  a "administradores"?  

Não parece que os senhores Professores sejam das classes que mais têm a reivindicar, pois: 

  • ganham um salário que não compara mal com a media europeia, 
  • trabalham menos de metade das horas que normalmente são feitas pelos outros trabalhadores, 
  • têm tempo para dar explicações, bem pagas, que provavelmente não declaram (não seria interessante que este aspecto, ie, o aspecto fiscal associado às 'explicações', fosse investigado?), 

Lutem de forma civilizada pelos V. direitos tendo em conta a realidade do País, defendam a Escola Pública e garantam um ensino e uma educação de qualidade aos V. alunos. 

Se o fizerem serão respeitados. 

Em contrapartida, a continuarem a agir como têm feito até aqui e a defender causas egoístas e desfasadas da realidade nacional, arriscam-se a acabar como uma classe desprezada pelo resto da população.


Nota Final: Continuo, entretanto, a aguardar que o Senhor Presidente da República, sempre tão lesto a comentar qualquer evento, nacional ou internacional, venha demarcar-se veemente da forma de actuar dos Professores que se manifestaram em Peso da Régua e da forma de actuar nas manifestações e greves em que, durante este ano lectivo, fizeram de tudo um pouco para degradar a qualidade do Ensino Público.

15 comentários:

Carlos Pimentel disse...

Falta de respeito é esta merda deste blog. Fascistoide, de uma pequeno-burguesa que
se acha superior aos outros e que anda de azul, e amarelo, a apoiar um bando de corruptos que nos quer levar para o inferno. Está visto que nunca teve de ir a um hospital público, nunca foi professora numa escola TEIP, não sabe o que é ter o tempo de serviço congelado, a sua profissão constantemente desonrada. Quer mais, ou prefere que lhe faça um desenho?

Maria disse...

https://www.google.com/url?sa=t&source=web&rct=j&url=https://escolapt.wordpress.com/2023/06/09/no-reino-unido-abandono-em-massa-da-profissao-docente

Anónimo disse...

Dos senhores professores presentes na manifestação, quantos dão aulas? Estou convencido que são muito poucos, já que na prática estão isentos por serem delegados sindicais.
Não obstante, continuam a auferir o seu vencimento como se lecionassem, vencimento pago por todos nós. E um dia destes, a julgar pela quantidade de anos em que os conhecemos a exercer actividade sindical, vão acabar reformados/aposentados com uma média de 2.800 euros mensais sem praticamente terem lecionado.
Basta ver a lista mensal dos reformados/aposentados para se auferir o valor.
Talvez venha daqui alguma da preocupação com os certificados de aforro, inclusive por parte de quem tanto, tanto defende os trabalhadores ..

https://files.dre.pt/2s/2023/05/087000000/0006500080.pdf

(a partir da página 10)

Pôr do Sol disse...

Meu Caro Senhor,

Revejo-me inteiramente no que escreve. Eu, e felizmente mais uns milhares de portugueses. Seguramente.

Acontece o mesmo no sector da saude, transportes e outros serviços publicos. Esta direita vazia e incompetente e a dita esquerda maldosa e vendida, querem a todo o custo destruir o que nos ultimos anos se conseguiu.

Sou utente dos SNS e tenho netos em escolas publicas, onde não sendo um mar de rosas, se cumpre.

Nem tudo é perfeito. Pois, mas onde e em que país existe um governo e governantes perfeitos? Onde há só "governados" que cumpram as leis e que não olhem só para o seu umbigo?

É pena que a democracia não permita pedir a identificação aos inqualificaveis que provocaram Antonio Costa com aqueles cartazes, cujo autor cinicamente se diz só um artista.

Serão todos professores cumpridores? Exemplo para alguém não são.

Haja paciencia

Os meus cumprimentos.

Anónimo disse...

Pimentel, se ser professor é isso, então há que procurar nova profissão. Quem está mal muda-se!

ccastanho disse...

Caro Senhor.

Estou totalmente de acordo, logo, subscrevo.

Do que conheço dos professores, a maioria não tem dificuldade nenhuma em se juntar a qualquer movimento ou partido ainda que tresande a fascismo, desde que, a reivindicação seja, chegar à reforma dos 2800 € independentemente do seu desempenho.

Como o Senhor Meu Caro muito bem diz, o horário dos professores nada tem a ver com o privado. Eu digo mais, os professores, a partir dos cinquenta anos de idade dão meia-dúzia de aulas por semana, não dão mais, garanto. Nos doze meses do ano, dão aulas sete meses e meio. É fácil verificar o tempo de aulas para quem tem filhos ou netos no publico para perceber a veracidade do que afirmo.

Estes "Pimentéis" alapados no estado, sem fazerem um concurso ao nível nacional para justificar as competências na entrada para a função publica, querem a reforma aos 53 anos!, como reivindicava a sindicalista da FENPROF ao Primeiro-Ministro no 10 Junho. É isto que esta gentalha quer.

E a hipocrisia do "grande educador Nogueira", ao demarcar-se do STOP, quando ao longo do seu trono sindical, tem feito, e utilizado, tanta ou ainda muito mais arruaça que estes descerebrados do STOP. É preciso ter cara de pau, e desonestidade intelectual, para vestir a pele de raposa em vinha vindimada. Falta de vergonha deste sindicalismo que só existe para defender a função publica, porque o privado, alça a perna e mija-lhes para cima desta canalha politica.

Quanto ao Presidente Marcelo. Meu Caro Senhor. Vai esperar sentado, porque coragem não é decididamente o forte , nem pode ser, de um politico incapaz de sustentar o que diz, senão, veja o que Marcelo no espaço de horas, desdisse do que tinha afirmado com a questão da poda dos galhos mortos. Afinal....Não! A poda, é para o futuro, para o novo ciclo politico, e não agora... Meu Caro Senhor, eu muito esperto e muito inteligente, acho que não sou, mas burro, também acho que não sou assim tanto, ao contrario do que o PR me tenta fazer.

Célia disse...

"trabalham menos de metade das horas que normalmente são feitas pelos outros trabalhadores, " com esta é já a terceira vez que leio neste blog esta afirmação. Fico absolutamente paralisada pelo espanto e pela ignorância demonstrada. Devo ser um study-case......sempre trabalhei 40 a 50 horas semanais. Preparei milhares de alunos do 10° ao 12°anos e durante vinte e um anos fui corretora de exames nacionais. Com 60 alunos e turmas de diferentes níveis no mesmo ano letivo. Ainda tive funções no Conselho Executivo, Diretora de Turma, coordenadora de Grupo disciplinar, Orientadora de Estágio, responsável por vários projetos na area da saúde nas escolas...
Ler esta atoarda populista? Após dezenas de anos de serviço faz doer tanto pela injustiça que comporta
Licenciatura de cinco mais dois anos de estágio.
Estou reformada. Em boa hora
Não sei qual a sua formação académica nem a da sua esposa, nem atividades profissionais, mas pelo que fui lendo teria um lugar de chefia numa empresa, multinacional, ou algo de destaque. Deixo aqui um desafio: escrevam
o valor das vossas reformas e eu prometo escrever o valor da minha
Saturada de tanto populismo inconsequente e generalizações tontas.
(Não revi o texto! Se houver gralhas, ou frases menos conseguidas, paciência )

Carlos Pimentel disse...

Atenção,
Os professores trabalham que se fartam, Em todas as profissões há excelentes profissionais, bons, assim assim e profissionais que cumprem as metas. Quanto a isso dos 2800 euros, é falso
Deixo aqui um testemunho pessoal.

Fui professor durante 10 anos. Afastei-me da profissão porque quase tive um “burn out”, tal não era a pressão a que estava sujeito. Feriados e fins de semana a corrigir testes, dias de trabalho na escola de 10 horas. Fui ganhar a vida de outra forma, mais simples, mais dinheiro, menos dores de cabeça. Agora, vejo o senhor primeiro-ministro a dizer que uns cartazes à la George Orwell são “racistas”. Vejo o senhor Mário Nojeira, perdão, Nogueira, alegado chefe dos sindicalistas dos professores, a dizer que sim, que concorda com o senhor primeiro-ministro. Eu não concordo. O que está a ser feito a professoras e professores é nojento. Caso não se saiba, quem forma os filhos de todos são professoras e professores. E as professoras e os professores também são mães e também são pais. Alguém acha que eles protestam só porque sim? Não. Protestam porque querem reconhecido o seu esforço, a sua dedicação, o seu amor às crianças, aos adolescentes, aos jovens. Se António Costa os acusa de racismo, então ele que se f***. É agora ou nunca, basta de gozar com quem educa os filhos de todos, reconheçam o trabalho, o esforço, a dedicação, o amor, que professoras e professores lhes dão.

Maria disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Um Jeito Manso disse...

Caros,

Em nome do meu marido:

- Agradece os comentários que são sempre muito bem vindos desde que não ultrapassem as regras da boa educação, o que não aconteceu com o Leitor Carlos Pimentel.

- Para que conste, aqui em casa fomos ambos professores e a minha mãe foi professora toda a vida. Apoiamos incondicionalmente o Ensino Público (frequentado por 2 dos nossos netos) bem como o SNS que já muitas vezes foi usado pela família. Não trabalhámos em multinacionais nem isso tem a ver com o tema da luta egoísta e insensata dos professores.

- Acresce que ambos trabalhámos para cima de 40 anos, geralmente mais de 8 horas por dia, por vezes, quando necessário, 10 ou 12 horas, muitas vezes à noite ou fim de semana, tendo de férias cerca de 22 dias por ano, sujeitos a stress e a toda a espécie de dificuldades. Mas como isso é a vida real, nunca nos passou pela cabeça andar pelas ruas com cartazes ofensivos, a pedir que fossemos respeitados ou a prejudicar a vida aos outros, tal como os professores andam a prejudicar a vida aos alunos e aos pais dos alunos. O respeito conquista-se por merecimento. Não se reivindica através da chantagem como a que estão a fazer aos alunos.

- Temos ambos vários amigos professores e colegas com mulheres professoras que são os primeiros a comentar a rica vida que levam os docentes, com poucas horas de trabalho o que lhes permite acumular com outras tantas de explicações (das quais seria interessante que alguém apurasse se são tributadas como qualquer rendimento de trabalho deve ser). Dou o exemplo de um colega que diz que a vida da mulher é ir de manhã para o café dizer mal do Ministério, depois vai dar duas ou três aulas e o resto do dia está no ginásio ou, de novo, com as colegas a dizerem mal do Ministério.

- Espera-se que, se o autor dos cartazes ainda for professor, os pais dos alunos não o queiram ter juntos dos seus filhos pois é até perigoso ter uma pessoa cínica com discurso ridículo e cobarde que acha 'fofinho' furar os olhos com lápis perto de crianças.

- Quanto à invasão da Ucrânia pela Rússia, é lamentável que haja pessoas com uma visão suficientemente destorcida ao ponto de acusarem as vítimas e não os soezes agressores, os quais têm cometido sucessivos, inqualificáveis e cruéis crimes de guerra. Apoiar quem age assim diz muito sobre quem apoia.

Da minha parte e do meu marido, ao dispor.

Um Jeito Manso disse...

Caros,

Em adenda ao anterior:

Estamos ambos convencidos que parte significativa dos professores não se revê nesta forma absurda de luta nem na procura por condições que os restantes trabalhadores do País não têm. Aliás, estamos convencidos que muitos professores sentirão até vergonha de cada vez que vêem os disparates e as arruaças com que alguns têm poluído o espaço público em especial no corrente ano lectivo.

Estamos ambos convencidas que a função de Professor é nobre e, se exercida com brio, decência e competência é das mais meritórias que há.

Estamos ambos convencidos que ser funcionário público é uma honra e motivo de orgulho -- desde que exercida igualmente com brio, dedicação e competência.

Tudo o que neste blog é dito por mim e pelo meu marido a propósito dos professores tem a ver com os que se desonram a sua profissão e que não se respeitam nem a eles próprios nem à sua profissão.

Carlos Pimentel disse...

Boa noite,
Se a senhora e o seu marido acharam que os meus comentários ultrapassaram os limites da "boa educação", não os deveriam ter autorizado. Que considerei o seu post inicial ofensivo, sim, considerei. Fiquemos por aqui, porque o que interessa é salvar o Ensino Público, coisa que este e outros governos têm, do meu ponto de vista, vindo a destruir.

Um Jeito Manso disse...

Caro Carlos Pimentel,

Publicámos o seu comentário pois ilustra bem a (falta de) educação, (a falta de) o civismo e (a ausência de) os valores de integridade e humanismo de quem apoia a actual forma de lutar dos sindicatos dos professores.

Só por isso.

batata disse...

Boa tarde
Isto foi retirado do seu texto: "quando não controlam o comportamento dos alunos, os forçam a fazer declarações em que estes se autoculpabilizam." De toda a ganga que tenho lido, cartazes de mau gosto, que não vou querer comentar (por que há muita culpa do lado dos professores, verdade verdadinha...), apenas não consigo perceber onde quer chegar, com a história do mau comportamento dos alunos, acima dita. Há muitos que não conseguem controlar os alunos, apenas porque a estes ninguém pode insinuar que são mal educados e agir em conformidade. Têm as costas quentes por pessoas que pensam que tem que se ser preso, tenha-se ou não cão. Eu ainda pensava que os mal educados podiam culpabilizar-se por isso, mas aparentemente não. Como dizem as novas luminárias da educação, os culpados da indisciplina são sempre os professores.

Fernando Proença

Um Jeito Manso disse...

Caro Batata,

O que escreve não tem a ver com o que está escrito no blog.

O caso em apreço refere-se a uma situação em que, fora das instalações escolares, os professores deixaram os alunos à solta (crianças, não nos esqueçamos), sem controlo, e perante a perspectiva de terem praticado algum disparate, os levaram, de forma praticamente coerciva, a escreverem declarações em que se auto-incriminavam (e, mesmo os que não tinham feito qualquer mal, perante a indicação dos professores, obedientemente fizeram o que lhes mandaram).

Isto é os professores darem-se ao respeito?