terça-feira, outubro 25, 2022

Cair na risota

 


Quem por aqui me acompanha saberá que gosto de me rir. Sou de riso fácil. Pior: se me dá para rir, o difícil é parar.

No outro dia acordei a rir à gargalhada e depois fiquei na cama a conter-me para não continuar a rir não fosse o meu marido acordar.

Mas antes quero explicar uma coisa. Esta nossa fera cabeluda tem um hábito: quando algum de nós se afasta, certamente naquele seu instinto de cão pastor de não querer que nenhuma ovelha se tresmalhe, quer apanhar-nos com os dentes. Não morder para magoar. Nada disso. Agarra-nos a roupa e faz barulhos, como se estivesse a zangar-se por queremos sair do rebanho ou do seu redil. Quer prender-nos, quer que fiquemos onde estão os outros. Se não estamos para esses números, alguém o segura pela trela para que quem quer afastar-se se afaste em paz. Aí, ele fica num stress, não se quer ficar, põe-se a dar saltos, reviravoltas no ar, e a dar freneticamente aos dentes, fazendo autenticamente o barulho de castanholas, tudo para ver se consegue alcançar a pessoa que está a ir para longe do seu alcance.

Vou já avisando que o sonho foi parvo, naquela base de surrealismo que costuma enformar muitos dos meus sonhos, e acredito que, para quem leia, vai parecer destituído de graça. 

Mas, caraças, o que me ri. Tive que me levantar e ir à casa de banho para me rir à vontade.

Mas, então, foi o seguinte. Conto.

Estava eu e umas pessoas da minha família, num local que não identifico, a discutir como fazer um trabalho complicado, montar umas estantes que eram elaboradas, com uns torneados, uns pés trabalhados, umas portas rebuscadas. E eu não fazia ideia de como fazer e as pessoas também hesitavam, diziam que era preciso cuidado para não estragar a talha. Uma dizia que era como o peixe, se se fizesse muita força a madeira ficava moída. E então a minha filha disse que estava para chegar uma pessoa, e disse o nome, e que ele se calhar podia ajudar. Toda a gente franziu a cara e abanou a cabeça, rindo com um certo desdém. E um disse: 'Esse nem um caroço consegue enterrar!'

E, então, toda a gente se desatou a rir, a rir, a rir. Uma gargalhada pegada.

E eu ria-me e pensava que era isso mesmo, um anhuca aselhudo que nem um caroço conseguia enterrar. 

Só que, de repente, um conjunto de mulheres que ninguém conhecia, meio velhas, vestidas de cinzento escuro de alto a baixo, pareciam gémeas, sentadas como se estivessem na assistência, desataram também a rir mas com os dentes a bater castanholas, faziam tal e qual o mesmo barulho que o nosso urso amalucado. Todos nós nos virámo para perceber o que era aquilo, quem eram aquelas, e elas riam que nem malucas a bater os dentes, iguais, desatinadas, sem compostura.

E foi aí que desatei a rir desabaladamente e que acordei a rir. Mesmo agora que estou a escrever estou a rir, só de rever mentalmente aquela situação.

O meu marido está muito admirado e eu até estou com dificuldade em explicar-lhe. Concluiu o de sempre: 'És maluca'.

Se calhar sou. Mas fazer o quê? Acho que nada, acho que sou um caso perdido de maluquice. Mas, pelo menos, sou uma maluca bem disposta, uma maluca malaluca gargalhuca.

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E foi também a minha filha que me enviou, no outro dia, um vídeo com imagens captadas pelas câmaras que algumas pessoas têm à porta de casa. Para aqui colocar fui ao Youtube e há inúmeros vídeos, cada um mais suculento que o outro. Escolhi este vídeo apenas porque é mais curtinho que os outros. Bom para rir.


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Um dia bom
Saúde. Riso. Paz.

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