Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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sexta-feira, julho 20, 2018

Lisbon Resort Hotel


Só para informar: estou out. Saí de madrugada, foi sempre a bombar e, como é bom de ver, já que o filme se repete esta sexta-feira, I'm not at home. Resumindo: estou sem saber notícias, sem saber coisa alguma. Falei com a família e foi de corrida e se o Bruno de Carvalho já foi cooptado pelo Benfica ou se a Kolinda já foi cooptada pelo Marcelo ou se a dupla de marretas Rio&Negrão já cooptou o Francisco Assis ou se a Alexandra Lencastre já insuflou mais as poitrines e a beiçola ou se a Judite Sousa apareceu de trancinhas, bibe com bordado inglês, botas de Dartacão e capacete de motard a entrevistar uma criancinha perdida da mão no Colombo ou se a Georgina apareceu com a D. Dolores ao colo e os filhos da barriga de aluguer às cavalitas dela e do padastro do CR7 -- juro que não sei de nada. Podem tentar que eu confesse que eu nada direi. Não sei de nada. Juro.

Portanto, escrever sobre a actualidade é coisa que está fora do meu alcance. Desenvolver teorias de cão de caça sobre assuntos altamente é coisa a que o meu exaurido intelecto se recusa. Pôr-me para aqui de asas depenadas a tentar voar, querendo que a minha alma se eleve até àquela camada da estratosfera em que a censura interna não alcança é coisa para a qual me falta inspiração.

Portanto, assim sendo, muito rasteirinhamente deitada num quarto super-hiper e com pena de não poder pôr-me nova no spa, limito-me a espreitar a televisão aqui na parede em frente e a ver os mails dos meus Leitores e amigos.

E, de entre tanta coisa engraçada, eis que dou com um que me traz coisa extraordinária. Pode ser trote. Ou treta. Ou truta. Não sei. Vê-se e não se acredita. Coisa do além.

Não sou de saudosismos, de ter o pé preso ao cimento do chão do passado, não sou de pirar sempre que alguém mexe nas paredes ou nos interiores de edifícios aos quais nunca antes liguei muito mas, confesso, às primeiras fiquei de olhos arregalados quando vi as imagens do Lisbon Resort Hotel. Depois caí na real: mas que diferença faz que seja hotel ou ministério? Que diferença faz que a praça tenha só pedra ou laguinho e repuxinho? Zero. Faz um bocado de falta a estátua, é verdade. Aquele cavalinho ali ao meio com o cavaleirinho em cima faz parte da paisagem e, alguns, os mais letrados e nostálgicos são mesmo capazes de dizer que tirar dali o cavalinho mexe com o imaginário da gente. Mas eu isso do imaginário deixo para lá. E saudosismos eu sacudo como quem sacode pó e extermina ácaro.

Por isso, vendo melhor as imagens, até que acho que o Terreiro do Paço tinha a ganhar com o Lisbon Resort Hotel. Aquilo ali ficaria mesmo supimpa... Não sei é onde é que vão pôr o cavalinho do D. José mas acredito que lhe arranjarão um lugar maneiro.

Portanto, por mim, luz verde.

[Mas, calma, há que ter em atenção o estado em que estou: não garanto que esteja na plena posse das minhas faculdades.]

Cliquem aqui no Lisbon Resort Hotel para entrarem no site.


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Ups...

Ao tentar encontrar uma fotografia para enfeitar o texto, descobri esta aqui acima e vi que saíu no Público e que tudo não passa de uma ideia, de um projecto -- e que as redes sociais, que são maioritariamente conservadores e reaccionárias, ficaram num alvoroço, tudo gente carregadinha de amor pela utilização dos edifícios como ministérios e tudo apegado ao cavalinho ali ao meio. Também pode ser pela história que não querem que se mexa. Pronto. Faz sentido querer preservar a história. Mas, caraças, a história é o que é, é memória, é gravura, é história em livro. E isso mantém-se. Não precisa é cristalizar no tempo. Se mantêm os edifícios todos lindinhos e limpinhos e se embelezam a praça, acho muito bem.

Não é com a vox populi e, muito menos, com os likes de facebookianos politicamente correctos que algum dia se conseguirá chegar a lado algum. Portanto, se o Costa ou o Medina ou o Marcelo -- ou lá quem é que tem que dar o visto -- precisam do meu ok para avançarem para a guerra, estão aqui o têm: ok. Go.

2 comentários:

bea disse...

Uma coisa destas escandaliza-me e enche-me de vergonha. Tanto como os dinheiros de Pedrógão. A primeira é projecto e parvoíce da mais pura e o segundo sem vergonhice do mais nojento que existe, mas aconteceu. Pode que um dia assistamos ao concretizar do projecto. Já tudo é possível.

Anónimo disse...

Do mais nojento que existe.Tem toda a razão, foi isso que senti quando li a notícia:verdadeiramente enojada.