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segunda-feira, fevereiro 12, 2018

Jardins infantis na floresta
-- O caso da Dinamarca --



Falo por mim e pelos que vejo aos que me rodeiam: somos muito protectores, achamos que as crianças nascem sem instintos, ensinamo-los a serem medrosos.

E, se ousamos na dose de liberdade que lhes concedemos, ainda que parca a dose, logo andamos com o credo na boca, com medo que se magoem e receando que, se alguma coisa acontecer, a responsabilidade caia inteirinha sobre nós.

Sei o que é. Gosto de deixar os meninos à solta, incentivo-os à descoberta, gosto que sintam que estão a aventurar-se, gosto que sintam que superam desafios. Mas, a cada passo mais afoito que dão ou sempre que correm para longe da minha vista, já me forço a esconder o sobressalto.


Lembro-me bem de, quando eu era pequena, andar durante horas longe da vista dos adultos. É certo que não havia estradas com carros ou que os riscos eram mínimos. Mas a verdade é que, do que me lembro, não eram mínimos coisa nenhuma: podia cair, podíamos perder-nos. No entanto, admito que o que a mim me pareciam espaços imensos, cheios de desníveis e perigos, para um adulto fosse um espaço controlado.

No outro dia, o meu mais crescidinho, nove anos, menino cheio de sabedoria, dizia que, quando era pequeno, achava que a casa aqui in heaven era enorme, quase um labirinto de portas e recantos e corredores e que o espaço exterior era uma coisa quase impossível de abarcar ou de se conhecer em toda a sua extensão -- e que agora percebe que não é bem assim e já conhece todos os caminhos e cantinhos.


E estou com isto porque, agora que aqui estou, sossegada, depois de uma tarde de trabalho a desbastar mato e a podar azinheiras e aroeiras, tarde essa que acabou já de noite, e depois de ter feito um saboroso jantar, me pus a ver os vídeos que o meu amigo algoritmo do YouTube tinha para me mostrar. E, minha alma gémea como é, agraciou-me com uns filmes que me têm encantado.

Partilho convosco um deles. O que se vê é extraordinário. Enterneço-me com o que vejo mas quase me aflijo com o que ali se está a passar. Aquela criança pequena empoleirada numa árvore alta, com ramos que me parecem frágeis, quase me dá vertigens e verdadeiros sustos.


Mas vejam com os vossos prórios olhos, por favor, vejam como as crianças são expeditas, alegres e desembaraçadas.

Kids Gone Wild: Denmark's Forest Kindergartens


Children are running wild in the mud, climbing high into trees and playing with knives, but no one is telling them off. This is kindergarten… Danish-style.




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