Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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domingo, outubro 08, 2017

Não há problema. Se não há candidatos, fabricam-se.


Isto é tudo muito bonito mas mais bonito ainda é olhar a coisa de fora -- pensarão, por estes dias, os alegados, os putativos e os hipotéticos.

Salvo alguns pontuais epifenómenos mais dignos, uma anedota pegada a história do PSD.

Já tivemos um doente que, depois de andar 30 anos dentro dela, dizia que política não era com ele. Chegou ao cúmulo de se gabar de não votar. Um cínico alienado no corpo de um pacóvio ressabiado que um dia esteve presidente de Portugal. Todos temos nódoas no nosso passado e esta é uma nódoa colectiva que todos temos na lapela. Aguentar tantos anos um limitado destes não é nosso mérito: é mancha no nosso CV.

E, agora que o filho político da múmia percebeu que por mais passos que desse ia sempre bater com a cabeça no muro que se ergueu à sua volta e anunciou que não contem com ele na próxima rodada, o partido vê-se à deriva, sem rumo, sem comandante. Na retranca ainda vão uns quantos pobres coitados, aqueles que, nestas coisas, ainda tentam orientar a coisa apesar de ao leme e à genoa já não haver vivalma -- mas já se contam pelos dedos de uma mão.

Carlos Abreu Amorim é um desses. Pau para toda a obra. Seja qual for a situação, deixa que o espírito da coisa desça nele e não se nega. É para a peixeirada? Pois não há varina mais varina do que ele. É para a missa cantada? Pois não há latim mais apurado que o dele, alma compungida mais dorida que a dele, viúva mais chorosa que ele. É para a sarrafada? Pois não há sarrafeiro mais sarrafeiro do que ele, pontapé na genitália que até ferve. Enche uma casa. De resto, a debandada é geral. Ainda subsiste o Hugalex que vai balbuciando umas baboseiras para alegrar o padrinho, mas pouco mais.

Um a um, os grandes estrategas e patronos laranjas vão fazendo as contas e, claro está, inventam aquilo dos motivos familiares. Deputados ($), advogados ($), comentadores ($), soma e segue -- e a caixa registadora a tilintar. Umas verdadeiras alternadeiras. Iam lá abrir mão disso para andarem por aí a limpar a porcaria que o láparo deixou, caganitas por todo o lado. Iam, iam.

O macaquinho ambulante Rangel, o joker-face Montenegro, o (quem é?) Pedro Duarte, o estranho que O-vai-estudar-ó Relvas quis ver se pegava ... e vamos contando. Negas, negas e mais negas. E o Garganta-Funda Mendes na SIC, conselheiro de estado em ponto pequeno, a tecer considerações sempre muito espertas e isentas. Uma tropa fandanga digna de Fellini. Só lá falta do Assis e, para falar verdade, nem sei se não o deveriam contratar para figurante neste filme dos putativos, alegados e hipotéticos.



Entretanto, com aquele seu ar de ancião podre de sábio, Santana Lopes faz a rábula: faz-se desejado. Chovem-lhe mensagens, quiçá algumas até eróticas. Não desvenda para a coisa criar ainda mais suspense. E finge que agora está a desenvolver raciocínios. A retocar o programa que estava já muito datado, vintage sem patine. Está, pois, numa de programático -- a fase que precede a de pragmático. Com um ordenado aconchegante, sentado em cima de uma pipa de massa misericordiosa, ele sente o apelo da coisa mas parvo não é. 


Aparecerão ainda alguns, os que gostam de palco, os que apreciam o carnaval avant la lettre, os que, fazendo as contas, acham que algum canal é publicidade à borla para os seus negócios, os que não gostam de ciganos, admiram Trump e almejam por uma melania e um twitter dos verdadeiros. Nada digno de registo. Uma coisa pífia. O grande partido dos barões entregue aos porteiros e aos bichos-de-conta.


Os comentadores avençados qualquer dia nem vão ter matéria digna de comentário. Um deserto ideológico, uma laranja espremida que já não entusiasma ninguém.


Há ainda, há sempre, há anos que há, Rui Rio. Rio. Um cinzento que anda ao retardador. Calculista, medroso e tecnocrático. Rio a quem Costa dará um fácil abraço de urso. 


Sobra mais o quê? 

Sobra talvez a possibilidade de se fabricarem candidatos. Não é nada de mais. Também parecia difícil fazer carneiros voadores e fizeram-nos.

Aqui fica o vídeo inspiracional.

Monty Python e os carneiros e as ovelhas voadoras


(vede como sou cuidadosa nisto de género)


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As imagens provêm da mais fabulosa arca do tesouro: We Have Kaos in the Garden

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E queiram deslizar para verem que pode ser pior -- pode sempre ser pior. Cães, ratos e trumps.

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