Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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domingo, junho 18, 2017

De ananases
-- ao som de Kiss of fire





Não sei como é que esteve por aí mas, por aqui, esteve um calor marroquino. Uma brasa, um forno. Acima dos 40º.  Até o bebé tivémos que pôr de molho dentro de um alguidar. Se fosse de mostrar fotografias, mostrava-vos. Sentado, os braços apoiados no rebordo, todo consolado.

Tanto calor, tanto, tanto. O resto do pessoal, todo o santo dia, debaixo de água. Ou então cá dentro. A casa, como tem paredes muito largas, conserva-se relativamente fresca.


Mas, ao fim do dia, começou a toldar-se. O céu foi ficando coberto, escuro, cada vez mais escuro. Não do lado da serra que, aí, continuava limpo. Aí, o céu cor de fogo, esplendoroso. Mas do outro lado, a sul, começaram a rebentar relâmpagos e a ameaçar tormenta.

Entretanto, o meu pessoalzinho já chegou a casa e dizem que apanharam tempestade pelo caminho.


Eu não gosto que saber que eles vão pela estrada debaixo de chuvada e trovoada mas estava com vontade que, aqui, caísse uma carga de água para molhar as árvores e a vegetação. Com este calor tenho um medo. Aliás já por aqui passou um helicóptero com um balde, deve ter havido fogo não muito longe. Mas parece que não vai chover.

Depois de todos terem saído -- já jantarados e as crianças supostamente prontas para dormirem que nem umas pedras, tanto brincaram -- fui dar um passeio lá por baixo e estava tudo com umas cores quentes-quentes maravilhosas. Na verdade, um cenário quase irreal. 


Regressámos a casa. A noite foi caindo sobre a serra, debaixo daquele céu on fire. E agora estou com uma ventoinha apontada para mim que é a única maneira possível de estar.

E, como sempre acontece nestes dias, estou cheia de fome. Aliás, mal eles saíram, deu-me a fome. E isto quase a seguir ao jantar. Ao almoço foi a mesma coisa. Acho que, no meio da agitação, o meu cérebro nem dá conta de que estou a comer e dá-me sinal como se fossem horas de refeiçoar (esta do refeiçoar ficou-me da entrevista do outro maluco). Mas já com o meu marido é a mesma coisa. Jantou que se fartou e, quando andávamos a passear lá em baixo, já a querer escurecer, queixava-se que estava cheio de fome. Só visto.

Bem. 

Vou ali agora arrumar mais umas coisas e a ver se é desta que regresso ao meu folhetim. Mas também estou com vontade de ir ler as notícias, ou de ir ler o livro que trouxe. Ou de ir ver o Versalhes. Mas a ver se regresso. Até já.

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(Entretanto, agora que acabei de escrever o post do dito folhetim, acabo de saber da tragédia. Um incêndio brutal em Pedrógão Grande e já 24 vítimas mortais. Que coisa mais horrível. Que coisa mais, mais, mais horrível.


Aliás, vi nas notícias que, este sábado, houve cento e tal incêndios. Os bombeiros exaustos debaixo de um calor inclemente. Que bravos são os bombeiros.

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