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domingo, maio 28, 2017

Uma dança a três





Se quisesse, podia ir tentar descobrir quando anos vive uma ave destas. Mas a verdade é que não sei que ave é. Apenas sei que é uma ave de grande porte.

Desde que me lembro que, de vez em quando, em especial ao fim da tarde, vejo três a voarem em roda, muito alto, lá ao fundo, na fronteira dos nossos limites.

Ponho-me a olhar e é uma dança -- uma sobe ainda mais e as outras esperam, depois sobem também, andam em volta, depois trocam de posição, uma afasta-se mas por pouco tempo porque as outras logo se lhes juntam, depois quase param como se estivessem em formação, depois voltam a deslizar, aproveitam o vento, rodopiam, descem perigosamente e logo sobem, sempre em volta, largas voltas.

Sento-me de cabeça no ar a vê-las. É um movimento encantatório. Hoje tentei fotografá-las. Mas estão muito lá em cima e deslocam-se com alguma velocidade e dificilmente as apanho. Se lhes dou muito zoom para que se perceba mais do que uma pequena mancha logo saem do ângulo de visão. 

Aproveitou-se, e mal, esta que vos mostro.

Mas há uma dúvida que me acompanha: estas três, que vejo há anos e anos a voarem sempre juntas, serão sempre as mesmas? Ou, caso tal não seja biologicamente possível, será que umas vão morrendo e há sempre uma nova apta a juntar-se? E só haverá por aqui três aves destas ou estas são as que gostam de fazer este bailado, juntas, ao fim do dia?

Não sei. Mas isto intriga-me. Melhor: maravilha-me.

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