Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

sexta-feira, maio 19, 2017

Franchising da Geringonça
-- com aplicação imediata onde houver carência total de governação --
[EUA, Brasil -- por exemplo, dado o impeachment iminente de Temer e Trump]


Tenho que admitir: hoje estou num daqueles dias em que o sono me vence a cada minuto que passa. Pode ser que, com o andar da noite, consiga despertar mas não garanto. Portanto, relevem, se fizerem o favor, qualquer falha que detectem seja na linguagem seja na elaboração do raciocínio.

O que sei é que, enquanto, há pouco, estive, por momentos, acordada, vi com pena o que se passa no Brasil e nos Estados Unidos. O ponto a que a degradação política chegou assusta. Países enormes, países com influência de vária natureza e a passarem por situações tão humilhantes. Assiste-se ao que ali se passa e mal se consegue acreditar.

Nos EUA, depois de um Obama que (não obstante alguns óbvios 'deslizes' à imperialista americana) exerceu a presidência com dignidade e denodo, os americanos escolheram um inacreditável Trump para lhe suceder: um parvo, um donald, um palhaço, uma anedota, um perigoso embuste. A cada dia que passa o mundo pasma com a extensão dos desmandos, do descontrolo, do total desatino -- em suma, com a anormalidade que por ali campeia, à rédea solda


No Brasil, num caldo de corrupção que mina por dentro a democracia e em que parece que poucos lhe escapam, assiste-se a uma situação de descalabro que, se fosse no meu país, me deixaria envergonhada e assustada. Corruptos, corruptores, gente que grava as traficâncias, gente que denuncia os cúmplices e entrega gravações, empresários, deputados, governantes, tudo envolvido, tudo conspurcado, tudo, tudo.

Pior: em qualquer dos casos, olha-se à volta e dificilmente se antevê nas redondezas e a curto prazo, solução que dê garantias de sucesso.

Foi pensando nisto, antes de cair num sono consolado -- de que agora parece que consegui despertar (mas apenas relativamente) -- que me ocorreu que se poderia fazer franchising da Geringonça. A Geringonça é uma daquelas apostas win-win que todos gostariam de ter parido. Pariu-a o Costa, tendo como cúmplices da paternidade o Jerónimo e a Catarina, e sendo abençoada pelo Marcelo que a enaltece e valoriza aquém e além mar, conseguindo todos, com a sua boa onda (e competência!) atrair a boa sorte. 


Qual ovo de Colombo, a coisa dá frutos após frutos: ganha-se no Euro do futebol, no Mónaco com um treinador português, com o Ronaldo que não pára de marcar golos, na Eurovisão com o Salvador, nas Nações Unidas com o Guterres, no crescimento económico acima da média, no abaixamento do défice para níveis antes nunca vistos e do desemprego. Mas o ano tem trazido mais boas notícias. O Papa veio a Portugal. A Monica Bellucci comprou casa em Lisboa e o filho da Madonna treina no futebol do Benfica. E quando tudo se conjuga desta forma virtuosa opercebe-se que, com a Geringonça, o céu é o limite. Provavelmente iremos também ganhar a Miss Mundo e as estrelas Michelin cairão do céu sobre mil restaurantes portugueses. E resta saber se o Nobel da Economia ou das Finanças não virá cair sobre o Centeno e se o Euromilhões não passará a sair todas as sextas-feiras em Portugal.


Portanto, acho que há que encarar com alguma seriedade a oportunidade. Eu, se fosse ao Marcelo e ao Costa, arranjava rapidamente alguns candidatos a quem se daria formação para que pudessem replicar a solução onde fosse necessário. Um franchising da Geringonça.

Para garantir o sucesso rápido, num primeiro momento, até terem equipa bem oleada, iriam eles mesmos assegurar a implementação e o arranque. Marcelo e Costa para a frente dos Estados Unidos. Quando tudo a correr já sobre rodas, iriam pôr o Brasil na ordem. Por cá ficariam alguns dos actuais membros do Governo que já assimilraram bem o espírito da coisa e que, facilmente, continuariam a boa qualidade do que se tem estado a fazer.

Podem pensar que estou a brincar mas não estou.

Soluções felizes são soluções ganhadoras e espalhar a felicidade pelos países mais carenciados de soluções e ansiosos pelo restabelecimento da dignidade e da felicidade é ideia que deve ser acarinhada por todos.

Portanto, agora que alea iacta est, Caríssimos e Estimadíssimos Marcelo e Costa faites vos jeux.



Acham impossível?
Medo de arriscar?
Parece solução ousada?
Perante o descalabro, preferem ficar laparamente agarrados ao passado?

Que nada.

E, se acham que de mim só vêm ideias muito à frente, sigam, então, o conselho de Bono


(de Bukowski, "Roll the Dice")

______________

Um dia feliz a todos quantos por aqui passam

____

1 comentário:

Anónimo disse...

Enquanto outros se afundam, num descrédito total (EUA e Brasil), por cá as coisa avançam, a economia dá sinais vitais importantes, a confiança de quem investe, exporta e consome aumenta, graças à política da genial "geringonça" (embora subsistam aspectos a limar, como na justiça fiscal, com uma nova grelha fiscal que vá mais longe a quem tem mais, se acabe com os recibos verdes de uma vez por todas, se melhore as condições sociais de quem mais padece, etc. Mas, com jeito vai, como diz o brasileiro). E a oposição (PSD/CDS) desacredita-se num discurso gasto e rançoso. O país, sobretudo algumas localidades e regiões, não tem mãos a medir para absorver tanto turista. Ainda bem (embora haja necessidade de se controlar os excessos ambientais). E não tenho dúvidas de que teremos "geringonça" para mais 4 anos a seguir a 2019.
P.Rufino