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terça-feira, março 21, 2017

Doidas, doidas, doidas andam as galinhas
para tirar a Caixa lá do buraquinho.
[E ainda o fatalismo da Ana Lourenço, a prostituição da Fátima Campos Ferreira (salvo seja, claro) e o apicultor na rua da minha mãe].





Não tenho novidades do Stephen Hawking. A verdade é que, mal acabei de escrever o post sobre quem parece fadado para não conseguir experimentar a felicidade, caí para o lado. Deve ter sido a profundidade do tema que me deixou arrasada.
(e eu devia agora incluir aqui um smile, três eheehehe e mais um lol para ter a certeza que todos percebem que estou a gozar -- senão ainda ficam a pensar que sou parva, como se acreditasse mesmo que aquilo que escrevi tivesse alguma profundidade). 
Adiante.

Acordei com o meu marido a levantar-se do sofá, meio a dormir, e a ir para a cama. Mas ele tem razão em estar assim pois madrugou e, antes, ainda foi fazer uma caminhada. (Não estou eu já farta de confessar que gosto de malucos?) Mas, portanto, lá acordei. Arrastei-me até aos comentários para agradecer e agora, ainda patati-patata, apeteceu-me voltar a abrir uma página em branco.

Não que tenha alguma coisa para dizer porque não tenho. 

Não tenho paciência para as cenas da CGD. Parece que fica tudo maluco quando o tema é CGD. Como é que é possível que alguém consiga gerir uma empresa, que é coisa que se rege por princípios racionais, com meio mundo a meter o bedelho? Era a mesma coisa que eu, lá no meu estaminé, fazer as contas para ver como manter lá uma cena qualquer equilibrada e saltarem-me em cima as temíveis manas Mortágua, o walking dead Láparo, a Cristas enxertada em kiwis, o Carlos César a reboque, e, pasme-se, até o ubíquo Marcelo -- todos a alvitrarem isto, aquilo e o outro. Havia de ser giro.


Está tudo mas é passado, oh caraças.


Manter um banco vivo e de boa saúde passa por geri-lo com seriedade, com sentido de inovação, e com os pés na terra (e as mãos, que se querem limpas, sempre à vista). Não passa por sujeitar cada decisão a plenário nacional. 

Se há actividade que maior reconversão sofreu e há-de ainda sofrer é a da banca. De negócio de proximidade passou, sobretudo, a negócio virtual. E isto tem que ser encarado com pragmatismo. É assim e cada vez há-de ser mais.

Claro que nas aldeias, nas vilas, em lugares de população envelhecida, isso não existe, o que existe é o balcão e a pessoa que se conhece e em quem se confia. Então não vejo pela minha mãe? Ou somos nós que tratamos de alguns assuntos pela net ou é ela que vai ter lá com a amiga da CGD. 

Só que a verdade é que não faz sentido manter um balcão em cada canto e esquina só para movimentar meia dúzia de contas e atender uma pessoa de vez em quando. Mais vale haver lojas de cidadão com pessoas disponíveis para ajudar na utilização de meios informáticos e que apoiem na consulta a saldos ou a fazer levantamentos ou depósitos.

E o que faz ainda menos sentido é esta histeria colectiva em que mergulham os políticos (de A a Z) de cada vez que o tema é Caixa.


Tirando isso não sei de mais nada. No telejornal, durante o bocado que vimos, só se falava de mortos, quer de mortos por acidente, por briga ou por doença. Depois ouvi a Ana Lourenço a perguntar sobre o aumento de capital já nem sei de quê, devia ser da CGD: 'e o que é que pode correr mal?. Parece que toda a gente se viciou na desgraça. Sobre um tema destes, um aumento de capital, a pergunta que lhe ocorreu foi aquela. Se eu estivesse lá e a pergunta me fosse dirigida acho que poria o meu ar mais sério e diria: 'pode vir uma onda maior e levá-lo' ou outra parvoíce qualquer que cheirasse a tragédia.


Mudámos logo de canal. Depois passei para a prostituição na RTP 1 mas, ou porque já estivesse com sono ou quiçá até mesmo a dormir, pareceu-me que a única que disse coisas interessantes foi a profissional do sexo. Os outros nem percebi bem quem eram. Isto do sexo ser discutido por gente que parece que nem sabe bem o que isso é nunca pode dar grande coisa. 


Depois a televisão desligou-se e, embora tenha o comando ao meu lado, não me apetece ligar. Gosto é de ver programas sobre bichos raros do fundo do mar, ou expedições a aldeias perdidas no meio de inóspitas montanhas, ou entrevistas a pianistas ou pintores. Coisas assim.

Uma coisa engraçada que tenho para contar é esta: ontem, quando estava à porta a despedir-me da minha mãe, vi um vulto do além a fazer-lhe adeus e a dizer-lhe 'tudo resolvido, já as tenho aqui comigo, vou levá-las à serra' e apontou para qualquer coisa dentro de um jeep.

A minha mãe contou-me, então, que de tarde, um vizinho tinha visto vir pelos ares uma nuvem escura, uma coisa estranha, e que essa nuvem tinha ido para dentro do quintal duma outra vizinha. A medo e já suspeitando, o vizinho foi espreitar. Eram milhares de abelhas. Por sorte, sabia de um apicultor. E era esse apicultor, todo coberto, que eu ali tinha visto. Só tinha visto antes na televisão e nunca esperaria ver um ali, na rua da minha mãe. Chapéu, máscara, colete, mangas, luvas. Achei graça a ele dizer que as tinha apanhado a todas e ia levá-las de volta para a serra. As malucas tinham vindo dar uma volta à cidade.


E agora calo-me. Tenho em carteira mais uma coisa sobre a inteligência artificial e uma coisa qualquer que me ocorra sobre casamentos porque vi umas fotografias com uns vestidos de noiva mesmo ao meu gosto e estou até capaz de fazer uma dieta que me ponha com dez quilos a menos para caber dentro de um modelito assim para depois convencer o meu marido a renovar os votos, e isto só para o ouvir disparatar, até porque isso dos votos deve ser só para quem casou por igreja, o que não foi o nosso caso, e porque ele não tem o mínimo de pachorra para essas coisas (e eu ainda menos que ele).

Mas fica para outro dia. A ver é se no dia em que estiver para virada para esses temas esotéricos não me aparece o Marcelo a opinar sobre a pessoa que querem substituir no balcão da CGD de Alguidares de Baixo, coisa que, justamente, nem a dona leal ao coelho nem a dona galinha nem as manas amazonas acharão nada bem e isto para já não falar nas pessoas que serão interpeladas na rua por uma chusma de jornalistas exorbitantes e que dirão, para as câmaras, que fulano de tal é muito boa pessoa, sorri para toda a gente e que nunca antes ninguém tinha desconfiado que batesse na avó.

Mas, pronto, partindo do princípio que isso não vai acontecer, pode ser que eu, para a próxima, arranje oportunidade para falar de temas relevantes.


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As fotografias claro que não têm nada a ver com o assunto, estão aqui só porque gosto delas. Fazem parte das selecções das Fotos do Dia do The Guardian

Lá em cima Benjamim Clementine interpreta I Won’t Complain.

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E, caso queiram conhecer três casos verídicos de quem nunca conseguiu relacionar-se bem com a felicidade, é só descerem um pouco mais.

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2 comentários:

P. disse...

Poderia concordar com o que diz relativamente à CGD…se ela fosse uma entidade privada. Sucede que não é. E assim discordo dessa sua posição. Enquanto banco público tem outro tipo de obrigações. Ou deveria ter. O problema é que, por pressão de Bruxelas (e também por pertencermos à zona euro - em má hora!) nomeiam-se umas tantas criaturas (o anterior e o actual da Opus Dei), a salários escandalosos pagos pelos contribuintes, para gerir a CGD como se fosse um banco privado. É pois aqui que começa o problema. A CGD deveria ter a possibilidade de poder emprestar a juros inferiores, por exemplo, a empresas que estivessem a absorver desemprego, que exportem significativamente, que investissem produtivamente no país (a par disso, o Estado deveria conceder benefícios fiscais a todas aquelas que se deslocassem para o interior, o que, combinado com uma política que combatesse o fecho de hospitais, centros de saúde, escolas e tribunais, contribuiria para combater a desertificação da Província), ou a outras, por exemplo, que se destacassem pela inovação tecnológica e científica, ou a jovens empresários/as cujos projectos inovadores merecessem ser de apoiar. A par disso, a CGD não deveria esquecer, como está ou irá suceder, que enquanto banco do Estado tem obrigações diferentes, como, por exemplo, manter uma razoável proximidade junto das populações do interior do país. A CGD deveria ter esse tipo de objectivos e não achar que a prioridade é só ter lucro. Não é. Uma CGD que prosseguisse aquele tipo de propósitos, designadamente no respeitante ao apoio àquele tipo de empresas, a juros abaixo do que é praticado pela restante banca comercial, teria um papel importante de estímulo ao desenvolvimento e crescimento económico do país e do seu tecido empresarial e consequentemente no combate ao desemprego, já que quanto mais empresas pudessem beneficiar desse tipo de política financeiro, mais cresceriam e seriam capazes de irem absorvendo desemprego. E o lucro não deixaria de se registar, mas era a consequência desta articulação - CGD/empresas e da maior confiança das empresas para com a CGD. A médio e longo prazo, o Estado (e os governos) recolheria benefícios dessa política da CGD, pois obteria mais receita fiscal (IRC). Mas, isto não é possível por ser Bruxelas quem tem a última palavra e por estarmos na zona euro. E também porque Bruxelas nunca aceitaria que um banco do Estado pudesse fazer esse tipo de concorrência à banca (endividada) nacional. Assim sendo, teremos de gramar com as incongruências a que temos assistido, com gente sem visão (apenas interessada nos seus salários milionários) a gerir a CGD como se fosse um outro qualquer banco privado! Patético. Não auguro nada de bom para o futuro da CGD.
2. Uma última palavra sobre o programa que refere da Fátima Campos Ferreira: pena que o não tenha visto, caso contrário não o teria desvalorizado. Foi um bom programa, com intervenções muito interessantes, sem demagogias e tiques conservadores e religiosos. Destacaria designadamente quatro mulheres, uma professora psicologia de uma faculdade do Porto, outra jurista ligada a uma entidade qualquer também sediada no porto, Inês Ferreira Leite, a tal prostituta e até mesmo o jovem (e bem articulado) deputado do PS, João Torres. Poderia ter sido melhor? Provavelmente, mas, o que importa é que, mesmo com as limitações daquele tipo de programa, não deixou de ser bastante interessante e de constituir de algum modo, uma reflexão, ou contributo para o debate desta questão. É curioso como nesta nossa sociedade ainda há muita gente para quem o tema que ali ontem foi debatido, o da legalização da prostituição, ainda faça levantar muito sobrolho. O mesmo sobrolho que não se levanta perante os inúmeros anúncios de prostituição nas páginas de uns tantos jornais e Sites, neste país, que ou são visíveis ou estão disponíveis, diariamente para quem quiser usufruir.
P.Rufino

Anónimo disse...

há agências que só podem ter 2 clientes por dia, mas podem ter 200 ou mais contas (bem recheadas) dos emigrados da terra, que caso se feche essas agências podem muito bem pensar que já não vale a pena ter o dinheiro lá.

Espero que os gestores de excelência, estejam a contabilizar (estimar) essas fugas.


bob Marley