Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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terça-feira, janeiro 31, 2017

Bolas! Já estou mais descansada!
Parece que o livro do Valter Hugo Mãe foi parar ao Plano Nacional de Leitura devido a um erro informático.
Assim, já percebo. Nenhum humano de bom senso recomendaria um livro do Valtinho para ser lido por crianças.
E não é pelo palavreado. É que aquilo não é literatura: aquilo é o populismo aplicado à escrita.


E já sei que estou a pôr-me a jeito. De cada vez que aqui ferro o dente na canela do Valtinho, logo alguém mais devoto vem tentar chamar-me à razão. Que ele é bom, mesmo bom. Mas é escusado, Leitoras. 

E reparem como não tenho medo: vou confessar aquilo que fará as mais devotas ainda afiarem mais o dente para ripostarem a preceito - nunca li nenhum livro do Valtinho. Juro. Nunca.

Como sempre faço de cada vez que escolho um livro, abro, folheio. Farejo a escrita. Leio em diagonal e olha lá. E não me enganam. Nunca fui capaz de trazer um cá para casa.

De cada vez que dou uma hipótese, deixa cá ver se não estou a ser preconceituosa, fecho o livro, enjoada, à segunda ou terceira diagonal. Não dá. Prosa de enleio fácil. Prosa de engate. Mas engate sem sofisticação. Engate pobrezinho. Prosa besta metida a poética, prosoleio desenxabido, coisinha a fingir de elegância oriental mas de quem da orientalidade não bebeu senão o chá barato do restaurante chinês. 

Parece que naquele tal livro 'o nosso reino' o valtinho põe em escrita actos que não o levarão nunca a conseguir ter o filho que há anos anda a ver se faz. 

Não reproduzo aqui. Este é um blogue de família, apenas se usam palavras de salão.

Quando o meu filho era pequeno, mas pequeno de andar na infantil, dizia palavrão que até fervia. Eu zangava-me. Proibia-o. Mas, descarado, volta e meia la vinha palavrão. Ameaçava-o. Nada. Um dia disse: mais um palavrão e levas pimenta na língua. Bem dito, bem feito. Desafiando-me, como sempre fazia, novo palavrão. Agarrei-o e pus-lhe um bocado de pimenta na língua, Deu um salto, aflito, aflito, a chorar. Assustada, arrependida, agarrei-o e fui a correr à casa de banho lavar-lhe a língua, lavar, lavar. 

Acho que não deu resultado nenhum. A mim é que fez efeito que ainda hoje, arrependida, me lembro do disparate que fiz. 

Casalinho mais fofo
Outra vez, com ar malicioso disse que uma qualquer era fofa. Não percebi o ar malicioso. Teria uns quatro ou cinco anos, nem sei. Perguntei: mas que é que tem ser fofa? E ele com ar cada vez mais malandro: Não sabes...? E eu, ingénua, Fofa...? E ele com ar de intelectual, a ensinar-me, 'gosta de mulheres...'. O esforço que fiz para não me desatar a rir. E a minha filha, uns seis ou sete anos, a dizer-me em segredo, 'mãe, acho que ele quer dizer fufa'. E eu siderada, sem imaginação para uma saída airosa. 

Agora imagine-se que chegava ao 8º ano e lhe davam a ler o livro do Valtinho. Então é que eu estava feita... Ficava legitimada aquela tentação que o rapaz tinha de dizer o que não devia. 


Disparate. Disparate puro. 

Mas, pronto, se não foi gente parva que cometeu tal dislate mas sim um vulgar erro informático já fico mais descansada. Embora, na volta, não foi erro informático nenhum. Foi erro mas de outra natureza: alguma admiradora, quiçá uma daquelas que lhe escrevem a oferecer-se para serem a mãe da criança que ele tanto quer parir, teve um lapsus vaginae e em vez de escrever José Rodrigues Miguéis saiu-se com Valter Hugo Mãe. Compreende-se, são parecidos.

Tirando isso, se o erro vai ser corrigido, o país pode sossegar e voltar à normalidade. Melhor dizendo: podemos voltar a ficar à coca a ver quando é que o láparo volta a sair da toca para fazer mais algum disparate e a malta se rebolar a rir. Até já dou por mim a pensar nele e a incitá-lo: salta macaquinho.

Ah. O mundo afinal é perfeito. Tão bom, tão bonitinho este mundo, fofinho mesmo. 

Até vou acabar o meu dia de hoje a ouvir as palavras sábias e sensíveis de tão ilustre e inspirador escritor.
(Valtinho, valtinho, o que seria do nosso reino sem ti, quiduxo mai lindo? - aqui que ninguém nos ouve, digo eu de mim para mim, sonhadora)
Vejamo-lo e ouçamo-lo:

Valter, o filho de mil homens e uma primeira frase demolidora.


Ui.


O que faz uma primeira frase.


¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

Mas olhem, meus Caros Leitores -- apesar de certamente arrasados com as palavras enlevantes de um dos nossos mais badalados e peludos escritores, um dos melhores Crisóstomos da nossa vida -- não deixem de descer para contactarem de perto com outros seres especiais. Melania, Ivanka e Donald. Fantásticos, eles.


¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

4 comentários:

Anónimo disse...

De acordo, mesmo só a folhear nunca me convenceu. E depois as intervenções do próprio....

Anónimo disse...

Ah, ah! Que divertido, UJM! Você é impagável! Temeria ser seu inimigo! Subscrevo as suas palavras! Eh, eh! Nem um "tuste" para um livrinho do Valter Mãe (que raio de nome!).
Boa noite!
P.Rufino

redonda disse...

Eu já folheei alguns livros dele e gostei - um destes dias. quero ler um ou mais dos seus livros e estive numa sessão de uma comunidade de leitores em que ele estava e fiquei a admirá-lo como pessoa - estavam lá pessoas muito diferentes e ele conseguiu criar um ambiente óptimo, de inclusão, além de gostar de o ouvir sobre o livro da sessão: O Coração das Trevas e do seu sentido de humor.

Anónimo disse...

Qual erro informático qual carapuça. Pura e simplesmente não o leram ou então houve intencionalidade/cumplicidade. Veja-se o que já aconteceu com Alice Vieira. Este livro como muitos outros não passam de sugestões. Se o professor/a dos meninos que o escolheu da lista e o mandou ler, o tivesse ele próprio lido, o que teria feito qualquer profissional responsável tê-lo-ia imediatamente excluído e reportado a sua opinião à comissão responsável pela sua inclusão no PNL.
http://sarrabal.blogs.sapo.pt/135910.html

Beijo GG