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quarta-feira, outubro 05, 2016

Carta aberta a um Sérgio Figueiredo que a torto e a direito se revela um falso amigo









Meu Caro Sérgio Figueiredo,

Quando apenas o via de vez em quando, em comentários ocasionais, não tinha de si muito má impressão. 

Contudo, quando começou a ocupar lugares de maior responsablidade e começou a ter uma exposição que me permitiram conhecer melhor a sua forma de actuar, foi com incómodo que me apercebi que a sua maneira de ser me desagrada.

É, em si, frequente invocar a sua condição de amigo para, de seguida, qual escorpião que não consegue impedir-se de injectar veneno em dorso alheio, exibir esse seu desagradável lado de tecer considerações públicas de cariz quase pessoal que não abonam a favor daquele a quem chama amigo ou de agourar mau destino a propósito do resultado de medidas decididas pelos seus 'amigos'. 

Tudo isso são características que descrevem uma pessoa desleal, pouco confiável, alguém que não hesita em invocar a sua condição de amigo para o atraiçoar.

Há qualquer coisa de mesquinho, de pequenino e de muito desagradável na maneira de ser que transparece das suas crónicas ou das suas entrevistas.

Felizmente não sou sua amiga e ainda bem que a minha vida não se cruza com a sua. Se isso acontecesse, temê-lo-ia. Aprecio a frontalidade, a coragem, até alguma linguagem desabrida. Não receio o confronto. Pelo contrário, aprecio-o. Mas não é nada disso que vejo em si -- e eu não suporto pessoas que parecem revelar uma má índole. Textos públicos como o que agora escreveu sobre Mário Centeno, tal como o que escreveu sobre Sócrates, Augusto Santos Silva ou outros que já tiveram a pouca sorte de sofrer o efeito do seu veneno, incomodam-me -- sinto que lendo-o, involuntariamente, estou a ser cúmplice de um acto muito pouco louvável, de uma perversidade que fere.


Finalmente, Caro Sérgio Figueiredo, saiba que o associo ao grupo de pessoas que, em Portugal, tem vindo a destruir a boa imagem do jornalismo. V. mistura opiniões pessoais com factos, sentimentos com apreciações que se quereriam objectivas, mostra não saber portar-se com elevação ou mostrar respeito pela dignidade daqueles que escolhe como sua vítimas. Ou seja, no que diz e escreve eu vejo a antítese daquilo que, talvez ainda romanticamente, eu gosto de ver associado ao bom jornalismo.

Há algum tempo que não o lia (poupo-me, sabe?) mas infelizmente hoje abri uma excepção. E de uma coisa pode estar certo: tão cedo não voltarei a ler as suas palavras que escorrem fel e veneno e que não apenas não acrescentam esclarecimento à realidade como a distorcem.

Lamento ter que lho dizer mas isto é o que penso, meu amigo.




[A propósito de Carta a um amigo que é ministro escrita por Sérgio Figueiredo no Diário de Notícias]


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E caso vos apeteça ver Stephen Colbert em acção ou obter a resposta à pergunta 'Quem é Stephen Colbert', queiram por favor descer até ao post seguinte.

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6 comentários:

Anónimo disse...

Obrigada por ter escrito este texto. Também fiquei incomodada com o a carta de SF.
Mas que raio de jornalistas temos neste país, cresçam!
G Gabriel

Abraham Chevrolet disse...

Não comento o artigo do coiso.Pergunto,no dia 5 de Outubro,feriado que voltou,quando o gabinete de estudos do PPD publicará o documento que analisa os aumentos de produção nacional atribuíveis à supressão dos quatro feriados anuais que perpetraram.Pergunto também ao Patriarcado como reagiu a Corte Celeste ao retorno dos dois Dias Santos de guarda,piedosamente cedidos aos desígnios do PPD-CDS. Estas coisas querem-se escaroladas e limpas pois a confiança na Ciência Económica e a fé no Transcendente poderão sair beliscadas deste looping dos feriados. Um abraço.

Um Jeito Manso disse...

Olá G Gabriel,

Custa-me generalizar porque a generalização é como a pesca de arrastão. Há jornalistas bons. São poucos, mas há-os. Contudo, concordo, a linha geral é descenente. E quando à frente de jornais ou de canais está gente de fraca qualidade (profissional e/ou humana), então, não há que esperar nada de bom.

Um bom resto de dia!

Um Jeito Manso disse...

Olá Abraham,

Pergunta; mas a sua pergunta destina-se a quem? É que aos do PSD ou CDS não é com certeza. Como deve ter vindo a reparar não há maiores opositores à política que seguiram do que eles. Eles são contra a austeridade, a favor do investimento público. Portanto eles serão os primeiros a demarcar-se da decisão de suprimir os feriados.

Portanto, Caro Abraham, se quer escarolar alguma coisa relativa a esse período acho que não vai ter quem queira saber disso. Olhe, pois, para a frente pois esse é um período pelo qual ainda não há responsáveis.

E um abraço também para si.

Ana Vasconcelos disse...

Bom texto. Tive exactamente a mesma impressão quando li o texto de SF sobre Mário Centeno logo pela manhã. Também já tinha achado o texto dele sobre Augusto Santos Silva muito deselegante.

P. disse...

Sérgio Figueiredo é um traste acabado. Daquelas excrescências jornalísticas que, infelizmente, têm vindo a poluir o jornalismo e a política.
Esses artigos que menciona são exemplos da "trampa" de jornalismo que – cada vez mais – se vai vendo. E se vai manifestando. O jornalismo, ou pelo menos uma boa parte dele, sejamos justos em não colocar todos no mesmo prato, está cada vez mais enfeudado ao Capital e aos seus representantes políticos, esta Direita histérica e Neo-liberal que arruinou o País durante 4 anos e mantém as mesmas estúpidas e irresponsáveis convicções.
O que é espantoso é a insistência na lavagem ao cérebro das pessoas, através de artigos de opinião, comentários na Rádio e TV, a manipular e distorcer a verdade dos factos. Como se as pessoas e potenciais eleitores lhes seguissem as recomendações e pensamentos. Basta ver as mais recentes sondagens que afastam a Direita do Poder.
A Direita hoje é, em boa parte, cada vez mais politicamente alarve, desmedida, selvagem e sobretudo - anti-social. Se os ouvirmos, nunca, em momento nenhum, têm uma palavra para quem sofre economicamente. Para essa corja, as pessoas são números, meras estatísticas. Nada mais lhes interessa.
E este artiguelho da treta do Sérgio F. é daquela imundices jornalísticas que merecem distância e desprezo.
Tem toda a razão no que escreveu, UJM! Chegue-lhes.
PS: Quanto ao regresso dos feriados, quer deste, quer dos outros, foi uma decisão sensata. Na ALE, país que advoga sanções a países do Sul como o nosso, os feriados gozam-se…Sempre, visto, caindo a um fim-de-semana goza-se no dia seguinte ou que o antecede. E ninguém no seu juízo perfeito, por lá, pensa em aumentar a produtividade do país através do corte dos feriados. Só mesmo um mentecapto, como os tratantes Passos/Portas/Albuquerque – e todos os que concordam com eles neste aspecto – podem alguma vez acreditar que o País passou a ter uma maior produtividade com o fim dos feriados. Pelo contrário! Os números oficiais aliás confirmam-no. Quanto ao que o PSD e o CDS pensam sobre isso, estou-me nas tintas! O Diabo que os carregue!
P.Rufino