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quinta-feira, agosto 18, 2016

O que os homens dizem de si.
Auto-retratos no masculino


Se ontem mostrei auto-retratos no feminino 
-- e, note, Rita, que, se me causa alguma confusão a necessidade quase compulsiva que algumas pessoas têm em fazer selfies, a verdade é que gosto de ver auto-retratos, gosto de ver como é que os artistas se vêem (tal como gosto de ler diários ou corespondências) -- 
hoje, tal como ali tinha referido, volto-me para os masculinos.

Os primeiros de que me lembrei foram Lucien Freud, o corpo orgulhosamente decrépito, ou Francis Bacon, o rosto diluindo-se na vida vivida no limite, ou, até Picasso, o criativo insolente. Mas porque essas escolhas eram, para mim, previsíveis, resolvi partir para outros. Claro que fugi dos muito aprumadinhos, dos que se puseram todos posudos para se retratarem, dos que quiseram dar de si a imagem de compostinhos. Não aprecio o género, é sabido. Andei, andei e, quando dei por mim, tinha aqui arranjado uma bela colecção de cromos.

Há no prazer da auto-desconstrução ou da auto-ironia qualquer coisa que me atrai. Acho que as pessoas interessantes não se levam a sério. As que têm teorias para tudo, que censuram tudo e mais alguma coisa nos outros e que se acham superiores aos demais são, a meu ver, umas chatas de primeira, gente com o seu quê de limitado e maçador.

Por isso, com vossa licença, cá vão alguns auto-retratos masculinos à maneira -- e a ordem é aleatória. O Ducreux vem com marca de água e tudo mas paciência, tinha que o ter aqui. São homens que, de alguma forma, mostraram gostar deles próprios quase como se fossem outros que os divertissem, como se fossem talvez uma mana com quem gostassem de chacotear.
Ou, então, quem sabe, talvez fosse uma forma de se auto-desafiarem ou olharem para o outro que há em si, mesmo que com uma secreta perplexidade. Ou insolência perante os outros que os viam de fora.
[Enfim, estou a generalizar. Munch não parecia estar especialmente divertido no seu hell - mas também tinha que ter aqui algum toque de ansiedade, para contrastar].

Ora bem, que comece o desfile e que Antony se achegue com 'you are my sister' que vai ficar em boa companhia.

Giorgio de Chirico, 1953



George Hendrik Breitner, 1882

Egon Schiele, 1910

Jean Siméon Chardin, 1775

Johan Zoffany, 1756

Joseph Ducreux, 1783

Dae-Won Yang, 2011

Moritz Daniel Oppenheim , 1814-16

Edvard Munch, 1903

Robert Mapplethorpe 1980
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Um dia destes tenho que voltar ao tema porque deixei agora alguns para trás que é uma pena.

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1 comentário:

Anónimo disse...

Não sei porquê, gosto mais dos femininos! Rita