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quinta-feira, agosto 11, 2016

O homem branco naquela fotografia


O leitor Fernando Ribeiro, sempre atento e oportuno, enviou-me o link para um texto que me comoveu. Há pessoas que pagam caro a dignidade que põem na expressão das suas opções. Peter Norman, o atleta branco da fotografia do black power a que ontem me referi, foi uma dessas pessoas.

O excerto que abaixo transcrevo faz parte do texto O homem branco naquela fotografia da autoria de Riccardo Gazzaniga e traduzido por Almerinda Bento para esquerda.net.


(...) Anos mais tarde, nas Olimpíadas de Verão de 1972, em Munique, na Alemanha, Norman não fez parte da equipa de velocistas australianos, apesar de se ter qualificado treze vezes para os 200 metros e cinco vezes para os 100 metros.

Norman deixou o atletismo de competição depois deste desapontamento, continuando a correr ao nível amador.

Na sua Austrália branqueada, resistindo à mudança, ele foi tratado como um estranho, a sua família foi proscrita e incapaz de arranjar trabalho. Trabalhou uns tempos como professor de ginástica, continuando a lutar contra as desigualdades como sindicalista e trabalhando ocasionalmente num talho. Devido a um ferimento, Norman contraiu gangrena que levou a problemas de depressão e alcoolismo.

Como John Carlos disse “Se nós fomos espancados, Peter enfrentou um país inteiro e sofreu sozinho.” Durante anos, Norman só teve uma oportunidade de se salvar: foi convidado a condenar o gesto dos seus colegas atletas John Carlos e Tommie Smith em troca de um perdão do sistema que o ostracizou.

Um perdão que lhe teria permitido arranjar um emprego estável no Comité Olímpico Australiano e fazer parte da organização dos Jogos Olímpicos de Sydney 2000. Norman nunca cedeu e nunca condenou a escolha dos dois americanos.

Ele foi o maior velocista australiano da história e o detentor do recorde dos 200 metros, contudo nem sequer foi convidado para as Olimpíadas de Sydney. Foi o Comité Olímpico americano, quando soube da notícia, que lhe pediu que se juntasse ao seu grupo e o convidou para a festa de aniversário do campeão olímpico Michael Johnson para quem, Peter Norman era um exemplo e um herói.

Norman morreu repentinamente de ataque cardíaco em 2006 sem que o seu país alguma vez lhe tivesse pedido desculpa pela maneira como o tratara. No seu funeral, Tommie Smith e John Carlos, amigos de Norman desde aquele momento em 1968, e que o tinham como herói carregaram o seu caixão.

(...)
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E queiram, por favor, descer para verem o primeiro salto de costas da história do atletismo


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1 comentário:

Anónimo disse...

Comovente, a atitude dos dois atletas negros norte-americanos. E do Comité Olímpico americano. Miserável a posição dos australianos. Abjecta!
Ainda há gente digna, que se junta a causas, ou luta por elas.
Fez muito bem em pôr este Post. Um grande Post! E, grato ao seu Leitor, Fernando Ribeiro.
P.Rufino