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quarta-feira, agosto 10, 2016

Momentos de glória e emoção
- Memórias de outros Jogos Olímpicos


Em 1960, em Roma, não sendo favorito de ninguém, um etíope corre descalço. Desperta as atenções não pela forma como corre mas por correr descalço. Contudo, isso não o impediu de vencer os 42 kms. Ganhou a medalha de ouro da maratona.

Mais surpreendentemente ainda, 4 anos depois, em Tóquio, viria a ganhar outra vez a maratona. Desta vez já correu calçado.

Abebe Bikila, o corredor descalço | Roma 1960


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Quando ao espírito olímpico se juntou o espírito da revolta contra a descriminação racial, dois americanos, tendo subido ao pódio por terem obtido o 1º e o 3º lugares, quando o hino começou a tocar, para surpresa geral, ergueram bem alto o seu punho enluvado e, desta forma corajosa, mostraram ao mundo a força do Black Power. Sofreram as consequências mas o seu gesto jamais se apagará da memória colectiva de quem, mais do que medalhas, valoriza os gestos de coragem e orgulho.

Foi no México em 1968 que Smith e Carlos fizeram história e abriram caminho a muitos outros.

Tommie Smith e John Carlos e o seu orgulhoso e militante Black Power | México 1968




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Para verem como sou uma idosa criatura: consigo lembrar-me lindamente do espanto que sentia ao ver aquela menina flexível como um brinquedo, perfeita nos movimentos, leve, segura. Saltava e flectia-se e tinha uma rijeza no corpo como eu nunca tinha visto. E com uma carinha de menina pequena que intrigava. Como era possível uma criança tão novinha ter já uma tal atitude? Nadia Comaneci tinha, então, 14 anos e fazia ginástica desde os 6 anos..


Nadia Comaneci - O primeiro 10 perfeito | Montreal 1976




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Em 1992, em Barcelona, o britânico Derek Redmond, a 150 metros de acabar as meias-finais dos 400 metros, setiu uma dor terrível numa perna. Não querendo desistir do que tinha sido o sonho de uma vida, começou quase a arrastar a perna a ver se atingia a meta. Eis senão quando um homem rompe a segurança e entra na pista para o apoiar até ao fim. Era o seu pai e o momento foi comovente.

Derek Redmond - o atleta que não desistiu | 1992 Barcelona




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Em 2008 um atleta grande, irreverente e veloz como uma pantera voadora ganha a medalha de ouro em 3 provas batendo 3 records. A sua descontração e o seu gesto de lançar uma flecha ao alto tornam-se as suas imagens de marca.

Usain Bolt o veloz flecheiro | Pequim 2008



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Em 2010, Joannie Rochette participa nos Jogos Olímpicos em Vancouver e faz a sua prova de patinagem no gelo na perfeição. No final rompe em lágrimas. Poucas horas depois de ter chegado à Aldeia Olímpica a sua mãe tinha morrido de ataque cardíac. Joannie conseguiu manter-se inteira até concluir a sua prova mas por pouco não desaba em plena pista. Um momento muito comovente.

Joannie Rochette despede-se da mãe | Vancouver 2010




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Daqui por uns dias logo selecciono um best of  Rio 2016


Para já fico-me pela Garota de Ipanema abrindo os Jogos Olímpicos deste ano

Gisele Bündchen desfila na Abertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016



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Post inspirado no artigo da Elle En images : les dix moments les plus émouvants des JO

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Enquanto escrevo, estou a ver na televisão, horrorizada, o pavor dos incêndios. As imagens do Funchal em chamas são perversamente belas. Os jornais não vão desperdiçar a oportunidade de terem capas tão impactantes e todos os canais vão explorar o medo, a angústia e a beleza das imagens das chamas. Não deveriam. Não deveriam ser divulgadas estas notícias e, sobretudo, estas imagens pois têm um efeito de perigosa tentação para os pirómanos


Imagino o horror das pessoas, o medo, vendo a força devastadora do fogo. Tomara que consigam controlar os demónios que andam à solta nas nossas florestas e terras.


E tomara que os nossos valorosos bombeiros tenham energia para resistirem a tão duras batalhas. Como os admiro. Como são credores de todo o nosso apoio e reconhecimento.

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8 comentários:

Anónimo disse...

Os dois americanos de 1968 foram na realidade 1º e 3º, o 2º foi um australiano (branco) que foi marginalizado no seu país por ter apoiado os dois americanos.

Um Jeito Manso disse...

Gracias Sr. Anónimo,

Já corrigi. E de facto li que o australiano apareceu com um papel a apoiá-los mas no filme não consegui ver. A menos que fosse pequeno e pregado na camisola.

Obrigada,

Um belo dia para si!

Olinda Melo disse...

Muito bom, Ujm. Gostei. Bj Olinda

P. disse...

UJM,
Permita-me que mencione aqui também o atleta norte-americano, Dick Fosbury, que naqueles jogos olímpicos de 1968 revolucionou o salto em altura inventando um novo estilo, ou técnica, ao saltar de costas. O seu salto foi, então, de 2,24m, o que constituiu um novo record olímpico. E hoje esse estilo, ou técnica veio para ficar, tornando o salto de tesoura ultrapassado. Quando era jovem, nos colégios ou liceus, eu gostava de praticar atletismo (além de hóquei em patins), mas nunca me habituei ao salto do Fosbury. Mas, recordo-me bem desse salto como se fosse hoje. Aquilo espantou-me. Um salto fabuloso! Um grande atleta o Dick Fosbury.
Consegue uma imagem ou filme dele?
P.Rufino

Fernando Ribeiro disse...

A história do australiano nos 200 metros dos Jogos Olímpicos do México em 1968 pode ser lida aqui:

http://www.esquerda.net/artigo/o-homem-branco-naquela-fotografia/39275.

Um Jeito Manso disse...

Olá Olinda,

Bom revê-la! Espero que esteja tudo bem consigo.

Beijinhos.

Um Jeito Manso disse...

P. Rufino, olá,

Your wish is my command. Já lá está o fantástico salto de costas!

Uma boa noite!

Um Jeito Manso disse...

Olá Fernando Ribeiro,

Belíssimo texto. Puxei-o para o corpo do blog. Muito obrigada. Gostei de conhecer a história desse herói anónimo.

Uma boa noite!