Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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domingo, julho 10, 2016

O meu Ginjal, agora em palavras ditas
- enquanto não começa a grande Final





Deixa que te conte. 

Nestes dias de muito calor procuro a frescura que se levanta da beira da água. Tanto hoje o calor que não a da praia, que a gente é muita e as sombras poucas. Antes a fresca beira do rio. 

Passam pessoas que falam outras línguas e se maravilham com a excessiva beleza  do lugar. 

Alguns pescadores, não muitos. Por vezes percebo que é por pura necessidade que ali estão. Esses não têm sequer uma cana de pesca. Prendem um papel de prata a um fio de nylon onde uma pedra está também amarrada e é isso que atiram à água na esperança de enganar algum peixe. Vejo-os a esperar, com o desengano estampado nos gastos rostos.

No velho caminho onde se abrem buracos e que de um lado tem o rio e do outro casas abandonadas há restos de rede, de corda, vidros, vestígios do fundo do mar. 

Fotografo-os com o esmero de quem procura tesouros. E, nos vidros partidos, eu vejo transparências que imagino serem jóias de uma sereia que, de noite, para ali vá encantar os pescadores solitários. 


As paredes registam segredos, declarações de amor, desenhos de pássaros abstractos, de velozes peixes ou de mulheres azuis ou, por vezes, apenas cores caídas do céu e que nada significam.






Do outro lado do rio está a bela e luminosa cidade. Fotografo-a como se fotografasse um bordado ou uma pintura. 


Deste lado, não vejo ninguém, nem nas ruas nem dentro das bonitas casinhas e pode ser que essa cidade com mosteiros, catedrais, paços, castelos e uma sé, que vejo luzindo ao sol, seja apenas habitada por memórias ou por invisíveis poetas. 

Caminho devagar, vejo as águas, vejo quem passa, vejo as paredes silenciosas onde os gatos se esgueiram e onde as gaivotas se acolhem, e em nada penso. Vou levada pelo prazer que é alimentar-me de maresias, sonhos, restos de outras vidas, palavras que solto no ar. Para vocês.


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A música que se ouve é Riverside interpretado por Agnes Obel.

(A voz que lê o que foi acabado de escrever é a minha, pois claro. Hoje falei mais alto a ver se fica melhor. Hei-de tentar, tentar, até que a voz ganhe jeito ou, pelo menos, até que eu a reconheça. Ali para o fim até parece que bocejo enquanto falo mas não é, foi que o telemóvel se me deslizou e tive que fazer uma ginástica com ele enquanto aguentava a palavra no ar. Dificuldades técnicas que aqui a artista ainda não sabe tornear. Mas lá chegarei...)

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E desçam, por favor, para verem as medalhas que os nossos campeões hoje, em dia grande, já ganharam.

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E força Portugal!

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4 comentários:

João L. disse...

Só para dizer que o vídeo "O meu Gingal ..." não corre (tentei várias vezes em dias diferentes).
Pode ser apenas um problema meu (o que seria irrelevante) mas pode também haver um problema com o vídeo (e daí esta mensagem).

Tété disse...

Ó miúda gira, dito assim porque certamente de uma miúda gira se trata. A vozinha já mais sonora que anteriormente mas notando-se ainda os poucos anos já vividos e antevendo-se os muitos que ainda estarão para vir.

PARABÉNS!PARABÉNS!PARABÉNS!
MAIS UM DIA E MAIS UM ANO QUE PASSA,
PARABÉNS!PARABÉNS!PARABÉNS!
QUE MANTENHA ESSE SEU AR DE GRAÇA.
PARABÉNS!PARABÉNS!PARABÉNS!
QUE A VIDA CONTINUE A SER SURPRESA
PARABÉNS!PARABÉNS!PARABÉNS!
UM BEIJÃO DA SUA AMIGA TERESA

Felicidades, muita saúde.


Um Jeito Manso disse...

Olá João,

estive a experimentar e eu consigo ouvir. Mas talvez seja o Youtube que considere que a coisa não tem a qualidade suficiente e impede a sua abertura por parte de quem não seja da minha família.

Esta noite, num jantar com a família toda, o que eles se riram. O meu filho diz que eu me pôr a dizer aquelas 'cenas' o deixam foram dele. Que raio de voz é aquela? - pergunta-me ele. Eu digo que também não reconheço, que só o pai é que acha que é a minha. Enfim...

Portanto, deixe estar, se não ouve, não perde nada.

Vou mas é ver se aprendo a assobiar...!

Um Jeito Manso disse...

Olá Teté!

Já deixei o agradecimento lá em sua casa. Mas agradeço aqui também. Já passou o dia mas como cheguei há pouco a casa ainda parece que estou no mesmo dia. Foi um dia bom e terminei-o com toda a gente à minha volta a cantar-me os parabéns e a bater palmas. A animação do costume.

Desejo para si também o mesmo que desejo para mim: uma vida longa e feliz.

Beijinhos!