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quarta-feira, junho 15, 2016

Uma avó chama-lhe passarinho. A outra: texugo


Dia de aniversário e logo a coincidir com o primeiro jogo da Selecção. Televisão grande para os crescidos, muitos, televisão pequenina para os pequenos (quatro rapazinhos mais uma menina e uma bebé, sendo que um dos rapazinhos e a bebé são primos do outro lado; ou seja, como é sabido, meus netos são apenas quatro).

A animação do costume, festa, exaltação, gritos, insultos, desmoralização, e logo com a Islândia, a pior equipa, o Ronaldo a sair debaixo de uma saraivada de apupos, ninguém preparado para uma um resultado destes. E vá de comer e beber que ao menos salvam-se os petiscos e os drinks, depois o arroz doce, os bolos, e esses e biscoitos e melancia e etc, -- que esses já ninguém os tira.

No fim, o rescaldo, conversa à volta da mesa.



Conta a outra avó de dois dos meus netos. Quando ele chegou da escola, estava a abraçá-lo, a dar-lhe beijinhos, e disse 'meu passarinho'. Ele perguntou: 'porque é que me chamas passarinho?'. A avó brincou 'porque és muito lindo e os teus bracinhos parecem duas asinhas, e és fofinho'. Diz-lhe ele: 'A Tá chama-me texugo'. Ela muito admirada: 'O quê!?'. Ele insiste 'Texugo'. Ela não acreditou. Uns dias depois, voltou ao tema: 'Olha lá, eu gosto de te chamar passarinho. E a Tá, chama-te como?'. Ele confirmou 'Texugo'.

Todos a rirem, 'Ei...! Texugo?! Texugo mal-cheiroso?'. 

Até eu fiquei surpreendida. Texugo!?

Mas logo me lembrei. Não é texugo. Ele é que, apesar dos seus 3 anos, sabe bem tirar o diminutivo da equação. 

É frequente, a ele e aos outros, agarrar-me a eles, aos abracinhos e beijinhos fofos, e chamar-lhes 'meus texuguinhos', uma coisa mais na base do txuguinho, meu txuguinho mai-fofo, mai-lindo, e vá de beijinhos. E eles gostam, deixam-se ficar aconchegados, armados em txuguinhos fofinhos.
Tudo mimo e ternura, se é que me entendem. E depois passo por estas vergonhas, de dizerem que a Tá os trata por texugos...

Lembro-me agora que o mais crescido, quando ainda mal falava, dizia que a Tá quando chegava lá a casa lhe dizia 'niamô-niamô'. Não reconheci. Parecia crioulo. Não me lembrava de tal coisa.

Na vez seguinte, quando lá cheguei e fui direita a ele para lhe pegar ao colo e encher de beijos, disse o que sempre dizia 'meu amor. meu amor'.  E ele repetiu 'niamô, niamô'. Percebemos.
Mais fofésimos! Derreto-me com estes meus niamôs txugésimos. Com eles, todas as enternecidas beijocas, sonoros bezúlicos  e abracinhos quentinhos são poucos.
No fim retiraram-se, os mais pequenos perdidos de sono, e ficaram outros ao colo, já quase a dormir. Esta quarta-feira é dia de escola.

A mim ninguém me trouxe ao colo. Mas devia. Bem precisada estava: sono, sono, sono.

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As fotografias trabalhadas com photosop são da autoria de Amanda Campbell.
A canção de embalar é, claro - claro! - de José Afonso.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela quarta-feira. Sejam felizes, está bem?


6 comentários:

Anónimo disse...

Eu chamava oas meus filhos "bisnaguitas" porque apetece apertar :)
a ele mangerico e a ela grão de bico
nunca percebi por quê
eheheheh


Um beijo
GG

ECD disse...

Já me tinha esquecido desta canção do Zeca Afonso. As minhas filhas ouviram-na muitas vezes.No fim de semana vou pôr a tocar para o V, o meu neto mais novo

Gosto muito do Zeca Afonso... ainda que há muitos anos atrás, fruto da época e do tom assanhado dos combates à esquerda, lhe chamasse Amália do PC!

Rosa Pinto disse...

Ternuras.
Acho - texugo - o máximo!!!

Um Jeito Manso disse...

Olá GG,

Bisnaguitas parece-me bem, criativo, e, pensando bem, muito realista. Vou imitá-la. Bisnaguinhas mais fofos que estão mesmo a pedir que a gente os aperte bem apertadinhos.

Bjs!

Um Jeito Manso disse...

Olá ECD,

Essa do Zeca ser a Amália do PCP é boa... !

Agora a sério: as músicas dele são intemporais, não são?

Gosto sempre de o ouvir e esta de embalar é uma ternura.

Espero que o V. goste.

Um Jeito Manso disse...

Olá Rosa,

Claro que temos que nos abstrair das conotações menos agradáveis do bicharoco em si e pensar apenas na fofura e na palavra que se presta tanto ao mimo.

Um abraço!